O presidente interino do Peru, José Jerí, afirmou nesta quarta-feira (21) ser vítima de um complô para forçar sua renúncia, durante uma audiência perante uma comissão do Congresso que o investiga por um suposto tráfico de influência relacionado a um encontro encoberto com um empresário chinês.
Jerí assumiu o poder em 10 de outubro, no lugar da destituída Dina Boluarte, no contexto de uma prolongada crise política na qual o Peru teve sete mandatários desde 2016.
A Promotoria abriu na semana passada uma investigação preliminar depois que a imprensa revelou vídeos de dois encontros com um empresário chinês.
"Eu não vou renunciar, porque isso significaria admitir que teria cometido um ato ilícito naquela reunião", de caráter privado, afirmou Jerí.
A Promotoria investiga um suposto tráfico de influência e patrocínio ilegal de interesses.
"Quero saber quem está por trás desse complô", declarou Jerí, acrescentando que a conspiração busca "desestabilizar o país em um processo eleitoral".
O Peru elegerá um presidente e um novo Congresso em 12 de abril, em um processo no qual Jerí não poderá participar por lei.
Seus encontros com o empresário Zhihua Yang levantaram suspeitas, porque em um deles ele é visto entrando à noite em um restaurante com a cabeça coberta pelo capuz de um moletom.
"O presidente deveria ter vindo com sua carta de renúncia", disse o deputado de esquerda da oposição Jaime Quito.
Ele acrescentou que "não há nenhum complô", mas sim "claros indícios de corrupção", e por isso promoverá um processo político de destituição.
Bancadas minoritárias de esquerda apresentaram nesta quarta-feira um pedido de censura para que a mesa diretora do Congresso convoque uma sessão plenária e vote a proposta.
"Sou categórico quanto a isso: eu não menti ao país, não cometi nenhum ato irregular ou de conteúdo ilícito nesse jantar", acrescentou Jerí.
Segundo reiterou, tratou-se de um encontro em "um contexto privado e não oficial, fora dos ambientes do gabinete presidencial".
O presidente goza de imunidade durante seu mandato e só poderia enfrentar um eventual processo penal depois de julho, quando deixará o poder.
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