Dirigentes políticos, jornalistas, ativistas... Apesar das dezenas de libertações registradas na Venezuela desde a semana passada sob a pressão de Washington, nomes da oposição seguem atrás das grades enquanto suas famílias esperam o fim da "angústia".
A presidente interina Delcy Rodríguez informou que 406 presos políticos recuperaram sua liberdade desde dezembro. Não obstante, a ONG Foro Penal contabiliza 90 libertações desde 8 de janeiro, quando o governo prometeu um "número significativo" de solturas.
A seguir, quatro nomes-chave do processo que avança a conta-gotas:
- Juan Pablo Guanipa -
Importante aliado da líder opositora María Corina Machado, foi detido em maio de 2024, vinculado a uma suposta conspiração contra a eleição de governadores e deputados ao Parlamento.
Seu filho, Ramón Guanipa, recebe dezenas de mensagens e telefonemas diários desde o anúncio de mais libertações. Sua expressão facial passa de um sorriso para um nervosismo. "Só vou acreditar quando vir uma foto do meu pai livre", confessa.
"Sabemos que é um processo lento [...] mas sabemos que vai acabar bem. Temos esperança e seguimos fortes", contou ele nesta sexta-feira (16) à AFP.
Guanipa, de 61 anos e um parlamentar reconhecido, esteve na clandestinidade por meses e sua última aparição pública foi em 9 de janeiro de 2024 para acompanhar Corina Machado a uma concentração contra a nova posse de Maduro.
Foi indiciado pelos crimes de terrorismo, lavagem de dinheiro e incitação à violência e ao ódio.
- Rafael Tudares, genro de Edmundo González -
Rafael Tudares é genro do opositor Edmundo González Urrutia, que vive exilado na Espanha. Foi detido em janeiro de 2025 por homens encapuzados quando se dirigia para a escola com seus dois filhos.
A Justiça o condenou à pena máxima de 30 anos de prisão. Enfrenta acusações de terrorismo, associação criminosa e lavagem de capitais.
González Urrutia classificou a decisão como "represália" à sua reivindicação de vitória nas eleições presidenciais de 2024.
Sua esposa, Mariana González de Tudares, reportou nesta sexta-feira, na rede X, o "primeiro contato e conversa" de 25 minutos com seu companheiro desde a sua detenção. "Vi um Rafael bastante afetado física e emocionalmente", indicou.
"Esse momento foi um alívio e, ao mesmo tempo, uma lembrança dolorosa: ninguém que esteja preso injustamente e em situação de desaparecimento forçado pode estar bem".
- Javier Tarazona -
Javier Tarazona, diretor da ONG Fundaredes, está preso desde julho de 2021 por acusações de "terrorismo", "traição" e "incitação ao ódio".
"Estamos à espera, sempre orando e confiando em Deus, de que Javier logo estará em liberdade", disse à AFP, nesta sexta-feira, seu irmão Rafael Tarazona. Ele espera que o governo dê "a todas as famílias um alívio diante de tanta crueldade", acrescentou.
Através da Fundaredes, Tarazona acusou o governo do deposto Nicolás Maduro de oferecer guarida a líderes guerrilheiros colombianos na Venezuela. Também denunciou choques entre forças militares e grupos guerrilheiros na fronteira porosa colombo-venezuelana de aproximadamente 2.000 km.
- Freddy Superlano -
Freddy Superlano é um colaborador próximo de Corina Machado. Foi detido em julho de 2024 em meio à questionada reeleição de Maduro.
Está recluso na prisão de Rodeo I e, antes disso, passou pela temida carceragem do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin) no Helicoide, um local que é apontado como centro de tortura por defensores de direitos humanos.
"Não há necessidade de prolongar ainda mais esta angústia", disse à AFP sua esposa Aurora Silva. "Eles prolongaram a angústia das famílias", lamentou.
Superlano foi inabilitado politicamente depois de ganhar, em 2021, o governo do estado Barinas, um antigo reduto do chavismo. Era deputado da Assembleia Nacional (2016-2021) e foi coordenador regional do partido Vontade Popular.
- Os libertados -
Dirigentes como Jesús Armas e Luis Somaza, e o jurista Perkins Rocha, também estão entre 800 e 1.200 presos políticos, segundo diversas ONGs.
Alguns opositores fora da prisão também despertam atenção pública.
Advogada, especialista em temas militares e ativista de direitos humanos, Rocío San Miguel foi detida em fevereiro de 2024 no aeroporto de Maiquetía. Desse mesmo terminal, voou rumo à Espanha após sua libertação em 8 de janeiro.
Era acusada de um suposto complô para atacar uma base militar em Táchira, um estado fronteiriço com a Colômbia, e o próprio Maduro posteriormente.
O ex-candidato presidencial Enrique Márquez também saiu da prisão em 8 de janeiro. Estava vinculado a um suposto "golpe de Estado" para permitir que González Urrutia tomasse posse em uma embaixada venezuelana no exterior.
Entre outras dezenas de pessoas, o sindicato de jornalistas reportou 19 solturas, como a do ativista e jornalista Roland Carreño.
"Sinto que há um futuro, um futuro forte", disse à AFP Francis Fernández, esposa do comunicador libertado Carlos Julio Rojas. "Estou mais otimista."
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