O julgamento do Banco Central da Rússia (BCR) contra a empresa belga Euroclear, que detém a maior parte dos ativos russos congelados na Europa após a ofensiva contra a Ucrânia, começou nesta sexta-feira (16) em Moscou, constataram jornalistas da AFP.

O banco acusa a Euroclear de ter causado "prejuízo" ao privá-lo da gestão de "liquidez e títulos" que lhe pertencem.

A juíza Ana Petrukhina decidiu que a audiência preliminar deve ocorrer a portas fechadas, a pedido do BCR, que quer "proteger o sigilo bancário".

A decisão contrariou advogados de várias dezenas de detentores privados de ativos congelados pela Euroclear, que pretendiam participar do processo.

Segundo a mídia pública russa, o valor reivindicado inclui o montante dos ativos congelados e uma indenização por perda de ganhos, ou seja, o equivalente a cerca de 200 bilhões de euros (cerca de R$ 1,25 trilhão) ao câmbio atual.

O congelamento desses ativos integra as sanções ocidentais impostas a Moscou por sua ofensiva em grande escala contra a Ucrânia, lançada em fevereiro de 2022.

A Rússia considera essas medidas ilegais.

O anúncio, em dezembro, desse processo contra a Euroclear ocorreu enquanto a União Europeia debatia o uso dos fundos russos congelados para oferecer um apoio financeiro à Ucrânia.

O bloco acabou não chegando a um acordo devido à oposição de vários países, incluindo a Bélgica, e optou por um empréstimo em vez de confiscar os ativos russos.

Moscou classificou como "roubo" a possibilidade de os europeus se apropriarem desses ativos e advertiu sobre "graves consequências" caso isso ocorra.

Autoridades russas mencionaram possíveis apreensões de ativos europeus na Rússia e ações judiciais em instâncias internacionais.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

bur/erl/dbh/lm/aa

compartilhe