Um grupo de familiares dos 200 mortos nos protestos de 2017 na Venezuela criticou, nesta quarta-feira (14), em Madri, a "lentidão" do Tribunal Penal Internacional (TPI) e pediu agilidade na investigação contra o governo do presidente deposto, Nicolás Maduro, por crimes contra a humanidade.
"Hoje, depois de oito anos, vou continuar gritando e exigindo justiça por meu filho (...) Pedimos celeridade", afirmou Zugeimar Armas, mãe de Neomar Lander, um jovem de 17 anos, morto durante os distúrbios em junho de 2017, em Caracas.
Israel Cañizales, pai de Armando Cañizales, músico de 18 anos que morreu em 3 de maio, também em Caracas, criticou a "negligência, a inoperância, a lentidão" do TPI, durante uma coletiva de imprensa que reuniu vários parentes de vítimas residentes na Espanha no escritório de advogados Cremades & Calvo Sotelo, que os assessora.
O TPI abriu uma investigação sobre a atuação das autoridades durante os protestos de 2017, que deixaram cerca de 200 mortos.
O tribunal iniciou, em 2018, um exame preliminar após uma denúncia de Argentina, Colômbia, Chile, Paraguai, Peru e Canadá sobre a situação na Venezuela e abriu uma investigação formal em novembro de 2021.
Os familiares apontaram que seu pedido de justiça não muda com a captura de Nicolás Maduro em uma operação das forças americanas em 3 de janeiro. Maduro e sua esposa, Cilia Flores, enfrentam a justiça por narcotráfico em Nova York.
"Maduro está preso, é verdade, mas foi algo tão pontual, o regime segue fazendo desastres. Há uma grande quantidade de presos políticos. O país não evoluiu nada", disse Isabel De Figueiredo, mãe de Diego Arellano, morto em maio de 2017 com um tiro no tórax durante uma manifestação na cidade de San Antonio de los Altos.
"O que peço é justiça para meu filho porque o mataram. Ninguém vai devolvê-lo, eu sei disso (...) Mas, caramba, que a gente pelo menos possa ver (...) que os que o mataram pelo menos sejam punidos", assinalou De Figueiredo, que disse querer ver "uma ordem de captura" do TPI contra Maduro.
Alguns familiares disseram sentir "esperança" de que possa haver justiça após a captura de Maduro.
"Em 3 de janeiro senti grande satisfação (...) Eu me joguei em prantos no chão e disse: 'Isto é uma esperança, isto é uma luz para que se faça justiça'", afirmou Zugeimar Armas.
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