A França proibiu a entrada no país de dez ativistas britânicos de extrema direita por ações realizadas em território francês com o objetivo de impedir a travessia de migrantes para o Reino Unido em pequenas embarcações, anunciaram as autoridades francesas nesta quarta-feira (14).
Desde 2018, o Canal da Mancha tem sido uma rota migratória onde milhares de pessoas arriscam suas vidas para chegar de forma irregular à costa do Reino Unido, vindas do norte da França, em busca de uma vida melhor. Em 2015, 41.472 pessoas conseguiram.
No entanto, a situação tem pressionado o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, que enfrenta a ascensão do partido anti-imigração Reform UK.
Na terça-feira, o Ministério do Interior francês proibiu a entrada de dez ativistas britânicos, identificados como membros do movimento anti-imigração "Raise the Colours", por ações na França, informou o ministério nesta quarta-feira, sem revelar suas identidades.
No final do ano passado, uma conta nas redes sociais chamada "Raise the Colours Operation France" publicou vídeos de ativistas de extrema direita na costa norte da França.
Em um vídeo publicado em novembro, um ativista filmou a si mesmo em uma praia francesa, dizendo que havia encontrado um pequeno barco inflável enterrado na areia e o havia rasgado. "Esse não vai para a Inglaterra", disse ele.
Em outro vídeo publicado no início daquele mês, o homem entra no mar e começa a gritar para o que parecem ser dezenas de migrantes embarcando em um bote inflável rumo à Inglaterra: "Vocês não são bem-vindos em nosso país".
A Justiça francesa já abriu uma investigação preliminar sobre "violência agravada" contra migrantes na madrugada de 10 de setembro em Grand-Fort-Philippe, perto de Dunkirk, após uma denúncia feita por uma associação.
Naquela noite, quatro homens portando bandeiras inglesas e britânicas agrediram verbal e fisicamente um grupo de migrantes, roubando alguns de seus pertences, relatou Félicie Penneron, da ONG Utopia 56, à AFP na época.
Paris e Londres assinaram um acordo em 2025 que estipula o retorno à França dos migrantes que chegaram ao Reino Unido em pequenas embarcações, em troca da acolhida no Reino Unido daqueles que se encontram atualmente na França, na proporção de um para um.
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