O governo francês enfrenta, nesta quarta-feira (14), duas moções de censura apresentadas pela esquerda radical e pela extrema direita, devido ao acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, apesar da oposição da França à sua assinatura. 

No sábado, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deve assinar com Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai o tratado que criará a maior zona de livre?comércio do mundo, com 700 milhões de consumidores. 

Mas os agricultores franceses, apoiados por toda a classe política de seu país, opõem-se veementemente, por temerem o impacto da importações de carne, arroz, mel e soja sul?americanos, em troca da exportação de automóveis e máquinas europeias. 

A moção de censura serve para “apoiar os agricultores e denunciar a hipocrisia e a incompetência do governo nesse assunto”, explicou o deputado de extrema direita Sébastien Chenu à rádio Franceinfo. 

Os partidos que apoiam a censura consideram que o governo não fez o suficiente para se opor, já que poderia ter levado o tema à Justiça europeia ou até ameaçado reduzir sua contribuição ao orçamento da UE. 

As moções, no entanto, têm poucas chances de prosperar. Os socialistas, na oposição, e o partido conservador Os Republicanos anunciaram que não as apoiarão, de modo que não seria alcançada a maioria necessária de votos. 

Seus líderes justificaram a decisão pelo fato de que a França se opôs à assinatura do acordo. 

“A moção de censura na França não acrescenta nada. Tudo será decidido no Parlamento Europeu”, que ainda precisa se pronunciar, indicou o senador conservador Bruno Retailleau. 

As moções de censura chegam em um momento de fragilidade para o governo do presidente Emmanuel Macron. O primeiro?ministro, Sébastien Lecornu, busca aprovar os orçamentos de 2026 e desarticular os protestos agrícolas. 

Após prometer na terça?feira uma “lei de emergência agrícola” e outras medidas, os agricultores do FNSEA, principal sindicato agrícola, começaram a retirar seus tratores da Assembleia Nacional (Câmara Baixa) e a deixar Paris. 

O partido de esquerda radical França Insubmissa (LFI, na sigla em francês) também justificou sua moção pela “humilhação” sofrida pela França com a operação militar americana na Venezuela, que Macron foi “incapaz de condenar”. 

A Assembleia Nacional realizará um debate sobre a Venezuela em 19 de janeiro.

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