A Venezuela informou, nesta segunda-feira (12), a libertação de 116 presos políticos como parte de um processo de solturas anunciado na semana passada, após a captura do presidente deposto, Nicolás Maduro, em um bombardeio dos Estados Unidos. 

Desde este ataque de 3 de janeiro, o mandatário americano, Donald Trump, afirma que está no comando do país. No domingo, disse estar satisfeito com a sucessora de Maduro, a presidente interina Delcy Rodríguez, e indicou sua intenção de se reunir com ela.

Simultaneamente, o republicano publicou em sua rede social uma imagem alterada de seu perfil no Wikipedia em que aparece como "presidente encarregado da Venezuela".

O mandatário deposto e sua esposa, Cilia Flores, foram levados aos Estados Unidos para responder a um caso de narcotráfico perante um juiz de Nova York.

À ofensiva na Venezuela, soma-se a tensão com Cuba, aliado histórico do chavismo. Trump anunciou um corte das ajudas petrolíferas da Venezuela à ilha e instou que cheguem a um acordo com Washington "antes que seja tarde demais".

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, declarou nesta segunda-feira que "não há conversas" em andamento com os Estados Unidos, em resposta às declarações do governante republicano.

Com a Venezuela, a retomada das relações diplomáticas está sobre a mesa, ao mesmo tempo que o governo interino de Rodríguez faz as primeiras concessões. Assinou acordos petrolíferos com os EUA e concordou com a libertação de um "número importante" de presos políticos.

Nesta segunda-feira, o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, informou que transmitiu à presidente interina da Venezuela "a necessidade de continuar libertando presos políticos", durante um telefonema na semana passada.

O Ministério do Serviço Penitenciário venezuelano informou, em comunicado, 116 solturas, embora o número reportado até agora pela ONG especializada Foro Penal seja de 40, incluindo dois italianos. Pode subir para 48 se forem incluídos partidos da oposição e outras ONGs.

Este tem sido um processo lento e angustiante desde o primeiro anúncio na última quinta-feira. Familiares se aglomeram em frente ao Helicoide, em Caracas, e ao Rodeo I, nos arredores da capital, à espera das libertações.

- "A qualquer momento" -

A ONG Foro Penal informou que durante a madrugada desta segunda-feira houve 15 solturas, mas os libertados não saíram pela porta principal. Familiares relatam que eles estão sendo levados para a sede do serviço de contrainteligência em Caracas para serem soltos.

"O que outros familiares nos contam é que os levam para um lugar perto de El Rodeo, pedem que tirem o uniforme, dão roupa comum e até colocam perfume neles", disse à AFP Daniela Camacho, cujo marido, José Daniel Mendoza, foi detido há dois anos e meio.

Seu pai, Manuel Mendoza, também estava lá. Ele viaja seis horas do estado de Yaracuy para ver o filho por apenas 20 minutos, uma vez por semana. 

"Se eles deram o passo de oferecer a libertação de todos os presos políticos, estamos apenas pedindo que cumpram a palavra que puseram sobre a mesa. Já são quatro dias ao relento, passando por dificuldades", protestou. 

No domingo, dia de visita, os familiares mantiveram o protocolo que cumpriram por anos. Levaram produtos de higiene, entraram na prisão encapuzados e depois viram seu ente querido preso através de um vidro. 

"Estou muito feliz e esperançosa", contou Mireya Sierra, cujo marido e filho estão detidos em El Rodeo I há 11 meses por criticar o governo. Após a visita, afirmou que os detentos estão "muito contentes, mantendo a calma porque já sabem que a qualquer momento todos vão sair".

- Visita ao papa -

O papa Leão XIV recebeu, nesta segunda-feira, em audiência privada, a líder opositora venezuelana e prêmio Nobel da Paz María Corina Machado, segundo um breve comunicado do Vaticano.

O nome da opositora venezuelana apareceu na lista de pessoas recebidas pelo papa durante a manhã. O Vaticano não forneceu nenhum detalhe.

A oposição divulgou fotos do encontro, que mostra Machado vestida de preto e usando um terço, e posa ao lado do pontífice.

Na sexta-feira, Leão XIV pediu o respeito à "vontade do povo venezuelano" e a garantia dos "direitos humanos e civis de todos". 

A líder opositora passou mais de um ano na clandestinidade na Venezuela, de onde saiu em uma complexa operação para receber o Nobel em Oslo. 

Ela denunciou reiteradamente que Maduro fraudou as eleições de 28 de julho de 2024 e que Edmundo González Urrutia havia sido o vencedor. 

No entanto, Trump descartou entregar o controle da Venezuela à oposição. O magnata republicano chegou a afirmar que a relação com o governo interino de Rodríguez "está funcionando muito bem" e garantiu que não descartava uma reunião. 

Nesta semana, afirmou que receberá Machado em Washington, sobre quem disse que "não desfruta de apoio nem de respeito em seu país".

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