O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu nesta sexta-feira (2) a Israel que reverta sua decisão de proibir o acesso à Faixa de Gaza a numerosas organizações humanitárias internacionais, segundo um comunicado de seu porta-voz.
Guterres "pede que essa decisão seja revertida, sublinhando que as organizações internacionais não governamentais são indispensáveis para o trabalho humanitário que salva vidas e que a suspensão corre o risco de minar os frágeis avanços alcançados durante o cessar-fogo", afirmou seu porta-voz Stéphane Dujarric em um comunicado.
Israel confirmou na quinta-feira a proibição de acesso a Gaza para 37 organizações de ajuda humanitária, depois que essas ONGs se recusaram a compartilhar listas de seus funcionários palestinos com autoridades do governo israelense.
"Essa ação agravará ainda mais a crise humanitária enfrentada pelos palestinos", acrescentou a declaração da ONU.
A proibição inclui a Médicos Sem Fronteiras (MSF), que conta com 1.200 membros de pessoal nos territórios palestinos, a maioria deles em Gaza.
Também figuram na lista o Conselho Norueguês para os Refugiados, a World Vision International, a CARE e a Oxfam.
As ONGs incluídas na proibição receberam ordem para encerrar suas operações antes de 1º de março. Várias afirmaram que as exigências violam o direito internacional humanitário ou colocam em risco sua independência.
Israel sustenta que a nova regulamentação tem como objetivo impedir que entidades acusadas de apoiar o terrorismo operem nos territórios palestinos.
Uma frágil trégua vigora em Gaza desde outubro, após a guerra desencadeada pelo ataque sem precedentes do Hamas em território israelense, em 7 de outubro de 2023.
Em novembro, as autoridades de Gaza afirmaram que mais de 70 mil pessoas morreram desde o início da guerra.
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