“Fomos feitos prisioneiros no norte da Itália em 2 de maio. Os oficiais haviam sumido e ninguém nos dava ordens. Um americano gritou: ‘A guerra acabou para vocês!’ Eu não sabia se chorava ou agradecia. Estávamos com frio, sujos e famintos. A humilhação era enorme, mas o alívio por estar vivo falava mais alto.”
• Hans Keitel, soldado alemão capturado
“Havia silêncio. Não euforia. Apenas corpos frágeis caminhando sem rumo, tentando entender o que era liberdade. Sabíamos que o inferno acabara, mas também sabíamos que carregávamos ele dentro de nós. A rendição alemã foi o fim da barbárie oficial, mas as cicatrizes ainda estavam frescas demais para comemorações.”
• Psiquiatra judeu austríaco, libertado do campo de concentração
“Fomos os primeiros a entrar em Berlim. Lembro do cheiro — poeira, morte e pólvora. Vi a bandeira vermelha ser içada no Reichstag e pensei: conseguimos. Mas também vi crianças famintas e soldados alemães chorando de vergonha. Era a vitória, mas não parecia gloriosa. Apenas cansada.”
• Anatoli Mishkin, sargento soviético, Exército Vermelho
“Ficamos chocadas. Havíamos sido ensinadas a acreditar que a vitória era certa. Quando ouvimos no rádio que Hitler estava morto e que Berlim havia caído, muitas desmaiaram. Eu mesma entrei em negação. Foi como se nosso mundo tivesse implodido.”
• Gertrud Scholtz-Klink, ex-líder da Liga das Mulheres Alemãs
“Fui libertado por soldados canadenses no dia 8 de maio. Estava em um galpão na Alemanha, trabalhando com ferro. Quando eles chegaram, ninguém acreditava. Choramos, nos abraçamos. A rendição foi como uma segunda vida. Tínhamos 40 quilos e não sabíamos mais o que era futuro.”
• Jean-Marie Leclerc, francês liberto de um campo de trabalhos forçados
“Caminhamos por dias. Eu e minhas duas filhas pequenas. Dormíamos em celeiros, comíamos batatas cruas. Quando ouvimos no rádio que a guerra tinha acabado, não sabíamos se era bom ou ruim. os russos já estavam em todas as estradas. Rezávamos para sobreviver.”
• Marta Meier, refugiada alemã fugindo do avanço soviético
