Um líder da oposição venezuelana morreu nesta quarta-feira (26), dois meses após deixar o asilo na embaixada argentina e se entregar às autoridades sob liberdade condicional.

Fernando Martínez Mottola era assessor da aliança opositora Plataforma de Unidade Democrática (PUD), que denuncia fraude na reeleição do presidente Nicolás Maduro e reivindica vitória de Edmundo González Urrutia nas eleições de 28 de julho de 2024.

Uma fonte da PUD confirmou a morte do opositor à AFP, sem fornecer mais detalhes. Emilio Figueredo, ex-embaixador e próximo a Martínez Mottola, explicou que ele sofreu "um derrame cerebral massivo".

Henrique Capriles, duas vezes candidato à presidência, enviou condolências por essa "perda surpreendente, completamente inesperada e irreparável", assim como o partido Voluntad Popular, integrante da PUD.

Martínez Mottola refugiou-se na residência argentina em Caracas no dia 21 de março, um dia depois que outros cinco colaboradores próximos da líder opositora María Corina Machado terem feito o mesmo. Todos são acusados de conspirar contra o governo de Maduro.

O opositor se entregou às autoridades em 19 de dezembro e recebeu liberdade condiciona após depor sobre "atos violentos, conspiratórios e desestabilizadores", segundo o Ministério Público, acusado de servir ao chavismo.

Os asilados, incluindo a mão direita de Machado, Magalli Meda, aguardam um salvo-conduto para deixar o país.

Eles denunciam desde novembro um "cerco" policial à sede diplomática, com a presença de funcionários armados que impedem a entrada de alimentos e o restabelecimento de serviços básicos como luz e água.

A representação está sem pessoal diplomático desde agosto, após a ruptura de relações como resposta às críticas do governo do presidente argentino Javier Milei à reeleição de Maduro. O Brasil assumiu a custódia da embaixada argentina em agosto de 2024.

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