O livro “Manuscrito Voynich”, datado do século XV, foi escrito em uma língua misteriosa e nunca traduzida. Alguns acadêmicos propõem que o sexo seja um dos assuntos descritos no texto.


Com 204 páginas, ele recebe o sobrenome de um comerciante de livros raros que o redescobriu em 1912, no interior da Itália. Com a morte do livreiro, o livro foi para a Universidade de Yale, nos Estados Unidos, onde seu conteúdo ainda é estudado.


Teses que analisam a alta qualidade dos pigmentos e do pergaminho reforçam que o manuscrito poderia guardar um conhecimento valioso.


Gerard Cheshire, pesquisador da Universidade Bristol, Reino Unido, havia supostamente conseguido decifrar o enigmático livro em 2019, com apenas duas semanas. Segundo ele, o manuscrito Voynich é uma coleção de informações sobre fitoterápicos, banhos terapêuticos, astrologia e saúde feminina.



Cheshire escreveu um artigo para o periódico científico “Romance Studies”. A Universidade celebrou as descobertas do pesquisador, mas após duras críticas de estudiosos da área o artigo foi deletado. A instituição afirmou que os resultados da pesquisa são de inteira responsabilidade de Cheshire e não de Bristol ou de seu Centro de Estudos Medievais.


“O artigo foi revisado e publicado em uma revista respeitada. Daqui a um tempo, muitos acadêmicos vão usar as (minhas) soluções em suas pesquisas sobre o manuscrito e vão publicá-las em seus próprios artigos. Essa pequena onda de resistência vai diminuir”, Cheshire disse ao The Guardian.


Segundo os pesquisadores, Keagan Brewer and Michelle Lewis, da Universidade de Macquarie, em Sydney, Australia, uma ilustração do livro, os Rosettes, representam uma compreensão da Idade Média tardia sobre sexo e concepção. Na época, o sexo era considerado um tabu e, por isso, acredita-se que foi necessário usar uma linguagem codificada secreta para discutir "segredos das mulheres".


"Uma seção contém ilustrações de mulheres nuas segurando objetos adjacentes ou orientados para suas genitálias. Estas não pertenceriam a um manuscrito exclusivamente herbal ou astronômico. Para dar sentido a essas imagens, investigamos a cultura da ginecologia e sexologia do final da Idade Média, que os médicos da época frequentemente se referiam como 'segredos das mulheres'", disse Brewer ao The Conversation.

 

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