Esta quinta-feira (22) promete ser um dia especial para o patrimônio mineiro, com o registro de bens culturais que valorizam tradições, história e costumes. Em reunião no Palácio da Liberdade, às 10h, em Belo Horizonte, o Conselho Estadual do Patrimônio Cultural (Conep) vai deliberar sobre três processos importantes para a preservação do patrimônio cultural estadual. São eles os registros das Expressões do Samba em Minas Gerais e dos Modos de Fazer Cachaça de Alambique e o tombamento da Casa de Dona Beja, em Araxá, na Região do Alto Paranaíba.
De acordo com a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG), a decisão destaca manifestações culturais, saberes tradicionais e bens históricos que integram a identidade e a memória mineira. Assim, a reunião na manhã de hoje anima um grupo de sambistas de BH e admiradores do ritmo que tem “várias raízes”, conforme ressalta o historiador e produtor cultural Marcos Maia, coordenador-geral do inventário que deu sustentação, em 2024, ao reconhecimento do samba como patrimônio cultural imaterial de Belo Horizonte.
Orgulhoso de mais essa homenagem ao samba, Marcos Maia explica que Minas absorveu as influências do samba urbano, vindo principalmente do Rio de Janeiro (RJ). “A tradição não é de hoje, existe desde as primeiras décadas do século passado. Em 1934, portanto apenas seis anos após a criação da primeira escola de samba do Brasil, a ‘Deixa falar’ (1928), no Rio, surgiu a pioneira em Minas, a ‘Turunas do Riachuelo’, em Juiz de Fora (Zona da Mata), região próxima ao estado fluminense.” Já em BH, a primeira agremiação nasceu três anos depois, em 1937, a “Pedreira Unida”, afirma o também integrante do Coletivo de Sambistas Mestre Conga.
Maia conta que a presença do samba nas várias regiões de Minas comprova o valor inestimável dessa manifestação cultural. “Ao mesmo tempo em que temos o samba em todos esses lugares, também temos os grupos detentores, a exemplo de velhas guardas, escolas de samba, blocos e outros”. O próximo passo será na elaboração do plano de salvaguarda, para “elencar as demandas” e garantir incentivos também aos sambistas.
CACHAÇA DE ALAMBIQUE
Também satisfeito e orgulhoso com o reconhecimento está o presidente da Associação Nacional da Cachaça de Alambique (Anpaq), Sergio Maciel, produtor em Piranga, na Zona da Mata. “A cachaça de alambique reúne qualidade, cultura e história. Minas tem cerca de 650 alambiques, com maior concentração na região de Piranga”, informa Maciel. Enquanto o processo para registro dos Modos de Fazer Cachaça de Alambique corria no Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), os produtores entraram com pedido junto ao governo federal para reconhecimento em nível nacional.
A iniciativa dá continuidade à política pública da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG) de valorização da cozinha mineira como patrimônio cultural. Segundo o Iepha-MG, o reconhecimento patrimonial não se refere apenas à bebida, mas ao conjunto de saberes, práticas, técnicas, memórias, formas de organização do trabalho e relações sociais associadas ao seu modo de fazer. Entre os aspectos considerados para o reconhecimento dos alambiques tradicionais como patrimônio do estado estão a transmissão intergeracional dos conhecimentos, a continuidade das práticas produtivas, sua relevância cultural para as comunidades envolvidas, a relação com os territórios e a contribuição para a formação da identidade mineira.
DONA BEJA
O Conep vai deliberar também sobre a Casa de Dona Beja, o histórico prédio da Pensão Tormin, no Centro de Araxá, na Região do Alto Paranaíba, que, conforme historiadores, pertenceu a Anna Jacintha de São José, a célebre dona Beja ou Beija (1800-1873). Trata-se de um imóvel particular.
Antiga Pensão Tormin, que pertenceu à célebre Dona Beja, em Araxá, pode ter tombamento confirmado
O que está na pauta
1) Registro como Patrimônio Cultural Imaterial das Expressões do Samba em Minas Gerais
2) Registro como Patrimônio Cultural Imaterial dos Modos de Fazer Cachaça de Alambique
3) Tombamento da Casa de Dona Beja (antiga Pensão Tormin), em Araxá, na Região do Alto Paranaíba
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*O Conselho Estadual do Patrimônio Cultural (Conep) é um órgão colegiado, deliberativo, subordinado à Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult). É competência do Conep, entre outras responsabilidades, decidir sobre diretrizes, políticas e outras medidas relacionadas à proteção do patrimônio cultural de Minas. O órgão tem como presidente o secretário de estado de Cultura e Turismo.
