A Justiça marcou as primeiras audiências do caso do sargento da Polícia Militar Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, acusado de matar a esposa, a capitã Michele Leão Azevedo, de 41, em julho deste ano. 

Apesar do processo estar em segredo de Justiça, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), divulgou que as primeiras audiências de instrução, na fase sumariante, serão em 10 e 12 de novembro, às 13h30, no Fórum Lafayette, Região Centro-Sul de BH. Nas sessões devem ser ouvidas 28 testemunhas de acusação e defesa. 

Ainda segundo o TJMG, o sargento pode ser interrogado no dia 12, se houver tempo. 


Relembre o caso


A morte da capitã foi constatada na noite de 20 de julho, uma segunda-feira, no Hospital Odilon Behrens, no Bairro São Cristóvão, na Região Noroeste de Belo Horizonte. Michele foi levada à unidade de saúde por Eduardo Abner, que alegou que ela havia sofrido uma queda da escada em casa, no Bairro Santa Cruz.

No entanto, a extensão e a gravidade dos ferimentos no corpo de Michele, especialmente no rosto, levantaram suspeitas imediatas da equipe médica. Eduardo Abner foi detido em flagrante por feminicídio e tráfico de drogas em 21 de julho e teve a prisão em flagrante convertida em preventiva no dia seguinte.

Segundo o delegado Saulo Castro, que investigou o caso, o grau das lesões aponta para a intenção deliberada de agressão e de feminicídio. "Isso demonstra o dolo na intenção de cometer o crime. (...). A investigação tem um prazo de até 10 dias, podendo ser prorrogado. Por ser um crime de natureza hedionda, o Judiciário pode converter o flagrante em prisão preventiva", ressaltou o delegado durante pronunciamento oficial.

Além das marcas de agressão que fizeram os profissionais de saúde questionarem a versão sobre a queda acidental, o comportamento do sargento no hospital agravou sua situação. Durante as checagens iniciais no local, um tenente da PMMG flagrou Eduardo descartando 18 comprimidos de ecstasy em um dos banheiros da unidade de saúde, o que resultou no registro de uma autuação por tráfico de drogas.

Informações preliminares e testemunhas ouvidas pelas autoridades apontam que o casal vivia um relacionamento instável e marcado por contornos abusivos, com idas e vindas ao longo de oito anos, além de violência psicológica e moral praticada pelo sargento. Questionada sobre a existência de procedimentos internos passados contra o suspeito na corregedoria, a Polícia Militar informou que ainda não tem esse levantamento.

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Em depoimento prestado à polícia, o sargento tentou justificar que o casal realizou uma festa em casa e que ambos consumiram bebidas alcoólicas e substâncias entorpecentes. Eduardo afirmou ainda que, após a saída dos convidados, os dois tiveram relações sexuais consensuais e alegou que as práticas íntimas do casal frequentemente envolviam agressões consensuais.

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