Um sapo-cururu chamado Naveen está em tratamento no Hospital Veterinário da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) após ser atacado por um cachorro. O caso mobilizou a equipe, que precisou realizar até mesmo um exame de raio-X para avaliar a condição do anfíbio.
Naveen chegou ao hospital em 18 de setembro, resgatado por uma moradora do bairro Nossa Senhora das Graças, em Uberlândia. Ela encontrou o animal após o ataque de seu cachorro e conseguiu separar os dois.
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A mulher manteve o sapo protegido durante a noite e o levou para atendimento na manhã seguinte. Antes, ela tentou alimentá-lo com moscas, mas Naveen recusou a comida.
No hospital, os veterinários notaram que ele estava inchado e realizaram exames de sangue, análises bioquímicas e de imagem. Os resultados indicaram um aumento na concentração de amônia no organismo do sapo.
Segundo Márcio Bandarra, veterinário-chefe do hospital, o problema ocorreu porque o animal estava fora da água. "Como ele estava fora da água, ele não conseguiu tirar essa amônia do corpo", explicou.
Um ambiente para a recuperação
O sapo-cururu necessita de ambientes úmidos para realizar trocas que ajudam a eliminar substâncias do corpo. Longe desse habitat, Naveen começou a apresentar sinais neurológicos, como inclinação e dificuldade para manter a posição normal.
Para reverter o quadro, a equipe do hospital reproduziu as condições de um ambiente adequado para o animal. Com o tratamento e o habitat correto, o sapo começou a melhorar.
Na quarta-feira (30), ele passou por um novo raio-X e coletas de sangue que confirmaram sua melhora completa. A expectativa é que ele retorne à natureza na próxima semana, em uma área próxima a um rio ou lagoa.
A importância dos sapos
A recuperação de Naveen destaca a função ecológica desses animais. Sapos são predadores naturais de insetos e auxiliam no controle de populações de mosquitos e pernilongos.
Esse controle de pragas impacta a saúde humana, já que mosquitos transmitem doenças como dengue e chikungunya. "Esses animais são fundamentais para preservar também a nossa saúde", afirmou Bandarra.
Cuidados necessários
Veterinários orientam que as pessoas não tentem capturar ou manipular sapos. O correto é afastar animais domésticos e procurar ajuda especializada para o manejo do animal silvestre.
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O sapo-cururu possui glândulas na pele que liberam uma substância que causa irritação e intoxicação ao entrar em contato com olhos ou boca. A toxina é liberada quando a região é comprimida. Em caso de contato acidental, a recomendação é lavar bem as mãos com água e sabão e evitar levá-las ao rosto.
