Morador do distrito de São Benedito em Santa Luzia, atravessa a rodovia em direção a cidade Administrativa: falta de passarela custou muitas vidas - (crédito: Jair Amaral/EM/D.A Press)
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Trinta e três mortos, dezenas de feridos e mais de 15 anos de espera fazem parte da história de uma travessia perigosa na MG-010, em frente à Cidade Administrativa. Agora, moradores do distrito de São Benedito, em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, começam a ver sair do papel uma antiga reivindicação. Com investimento de R$ 5,65 milhões, a construção de uma passarela pretende pôr fim à rotina de pedestres que se arriscam entre carros e caminhões para chegar ao outro lado da rodovia.
A empresa Premag já instalou o canteiro e iniciou os primeiros serviços no km 16, com marcações, escavações e preparação da área. Segundo o Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG), a passarela terá 312 metros de extensão e atravessará os dois sentidos da MG-010.
O contrato é de R$ 5.658.828,94 e prevê prazo de 240 dias consecutivos para execução. O principal recurso para viabilizar a obra veio de uma emenda parlamentar impositiva do deputado federal Pedro Aihara.
Simulação de como ficará a passarela sobre a MG-010 após a conclusão da obra
Editoria de Arte
Uma espera de mais de 15 anos
O início das obras representa uma mudança concreta em um trecho marcado por anos de acidentes e cobranças por uma travessia segura.
Sem a passarela, pedestres precisam esperar uma brecha no fluxo de veículos para cruzar a rodovia. Uma das alternativas é seguir até o viaduto Agostinho Patrus, percurso que também não oferece condições adequadas para a circulação a pé.
Morador do distrito de São Benedito, o ex-vereador Fernando Castro tornou a construção dapassarela uma das principais bandeiras de sua atuação comunitária. Ao longo dos anos, reuniu registros de vítimas, procurou autoridades, levou o problema ao Ministério Público e acompanhou a disputa judicial em torno de uma solução para o trecho.
A relação de Fernando com o problema, porém, não ficou restrita às cobranças feitas ao poder público. Ele conta que chegou a participar do socorro a vítimas de atropelamentos.
“Cheguei a retirar pessoas debaixo de carros ainda com vida. É uma situação que marcou muito a nossa comunidade e também a minha vida”, relata.
Fernando também atribui parte do risco ao aumento da velocidade permitida na rodovia, de 80 km/h para 110 km/h, sem que, segundo ele, fossem adotadas medidas suficientes para proteger quem faz a travessia a pé.
“O resultado foi uma verdadeira carnificina humana. Foram anos vendo acidentes, atropelamentos e famílias sofrendo”, afirma.
Da Justiça ao canteiro de obras
Em 2012, a reivindicação chegou ao Ministério Público. A documentação reunida sobre atropelamentos e mortes subsidiou uma ação civil pública que cobrava uma solução para a travessia. A discussão se prolongou durante anos.
Enquanto o processo avançava, os pedestres continuavam atravessando a rodovia.
A obra ganhou novo impulso quando a reivindicação chegou ao deputado federal Pedro Aihara (PP). O parlamentar destinou uma emenda impositiva de aproximadamente R$ 5,9 milhões para viabilizar a construção. O empreendimento passou então pelas etapas técnicas, elaboração e adequação do projeto, licitação e contratação até chegar ao início dos trabalhos.
Fernando considera a destinação do recurso decisiva para que a reivindicação finalmente se transformasse em obra.
“Quero agradecer imensamente às pessoas que nos ajudaram, principalmente ao deputado federal Pedro Aihara. Ele apresentou uma emenda de quase R$ 6 milhões, que está permitindo a construção da passarela. Se não fosse essa emenda, nós não teríamos essa obra”, afirma.
Equipes iniciam os trabalhos às margens da MG-010, enquanto carros e caminhões passam pelo trecho onde pedestres convivem há mais de 15 anos com uma travessia perigosa
Júlio Moreira/EM/D.A Press
Compromisso com a vida
Autor da emenda que destinou os recursos para a construção, o deputado federal Pedro Aihara afirma que o histórico de mortes e atropelamentos foi determinante para apoiar a reivindicação da comunidade.
“Muitas famílias perderam parentes e amigos, enquanto outras pessoas ficaram com sequelas permanentes. Aquela situação não poderia continuar sendo tratada como normal. Se podemos transformar essa realidade, temos a obrigação de fazer”, afirma Aihara.
A passarela deverá atender principalmente moradores do distrito de São Benedito e de comunidades próximas, além de trabalhadores, estudantes, servidores públicos e pessoas que utilizam os serviços da Cidade Administrativa.
Para Fernando Castro, o canteiro instalado às margens da MG-010 representa algo que durante mais de 15 anos existiu principalmente na forma de cobranças, documentos, reuniões e processos.
Máquina trabalha na preparação do terreno para a construção da passarela de 312 metros, que fará a ligação entre o distrito de São Benedito, em Santa Luzia, e a região da Cidade Administrativa
Júlio Moreira/EM/D.A Press
Nesse período, atravessar a rodovia significou, para milhares de pedestres, observar o movimento, calcular a distância dos veículos e correr.
Agora, a expectativa é que essa rotina esteja perto do fim.