Belo Horizonte termina agosto de 2026 com uma marca incomum no termômetro. O mês, marcado por sucessivos episódios de calor intenso, terminou com a maior temperatura registrada na capital neste ano: 35,4°C, medidos pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) na Pampulha às 14h deste domingo (30/8).
A marca supera os 34,8°C registrados em 1º de janeiro e também ultrapassa os 34,7°C de 9 de agosto, que até então havia sido considerado o maior valor para agosto em 65 anos de registros.
O calor não foi um episódio isolado ao longo do mês. Das dez maiores temperaturas registradas em Belo Horizonte em 2026 até este domingo, sete ocorreram em agosto, segundo dados da Defesa Civil de Belo Horizonte, da Prefeitura e do Inmet. A sequência inclui 34,7°C em 9 de agosto, 34,5°C no dia 10, 34,3°C no dia 29 e, agora, os 35,4°C deste domingo.
O resultado é uma sucessão de marcas elevadas em um mês tradicionalmente associado a manhãs frias e tardes secas na capital. Em agosto de 2026, porém, o termômetro repetidamente avançou para a casa dos 30°C e chegou a superar os 34°C em diferentes ocasiões.
A lista das maiores temperaturas do ano ajuda a dimensionar a concentração do calor em agosto:
- 35,4°C - 30/8 - Pampulha
- 34,8°C - 1/1 - Venda Nova
- 34,7°C - 9/8 - Venda Nova
- 34,5°C - 10/8 - Venda Nova
- 34,3°C - 29/8 - Venda Nova
- 33,5°C - 21/8 - Venda Nova
- 33,4°C - 8/8 - Venda Nova
- 33°C - 14/8 - Venda Nova
- 32,9°C - 12/1 - Venda Nova
- 32,6°C - 22/8 - Pampulha
Os números mostram que agosto não apenas produziu o recorde do ano: ele colocou sete dias entre as dez maiores temperaturas de 2026.
Calor e chuva no mesmo mês
A característica incomum de agosto não ficou restrita às temperaturas. O mês também teve episódios de chuva concentrada, ressaltando a sensação de grande oscilação nas condições meteorológicas.
Neste domingo, por exemplo, o recorde de calor foi seguido por uma tarde de temporais em diferentes pontos da cidade. Entre 14h e 16h, a Região Oeste acumulou 54,4 milímetros de chuva, enquanto o Hipercentro registrou 21 mm e a Região Noroeste, 10,8 mm.
A distribuição foi extremamente irregular. No mesmo intervalo, não houve registro de chuva nas regiões Centro-Sul, Norte, Pampulha e Venda Nova.
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O acumulado da Região Oeste em apenas duas horas corresponde a mais de cinco vezes a média climatológica de chuva de agosto em Belo Horizonte, de 10,6 mm, calculada pelo Inmet para o período de 1991 a 2020.
O mês também já havia ultrapassado a média histórica em todas as regiões monitoradas pela Defesa Civil. Até as 18h deste domingo, a Região Oeste acumulava 75,8 mm de chuva em agosto, equivalente a 715,1% da média climatológica. No Barreiro, eram 31,5 mm; na Região Noroeste, 29,8 mm.
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A combinação de calor intenso, baixa umidade em determinados períodos e chuva concentrada em outros dá ao mês uma característica marcada por extremos.
