Dia de devoção e festa para saudar o Beato Padre Eustáquio (1889-1943), religioso holandês que viveu no Brasil durante quase duas décadas, sendo um ano e quatro meses em Belo Horizonte. No domingo (30/8), no Santuário Arquidiocesano da Saúde e da Paz, mais conhecido por Igreja do Beato Padre Eustáquio, na Região Noroeste da capital, haverá ampla programação para receber moradores de BH e fiéis de diversas cidades, e alguns de países vizinhos: desta vez, serão 45 vindos do Paraguai.

A celebração desta vez traz o tema 20 anos da beatificação de Padre Eustáquio, lembrando a cerimônia ocorrida no estádio do Mineirão, na Região da Pampulha, em BH, em 15 de junho de 2006.

A expectativa é de que cerca de 20 mil pessoas, ao longo do dia, visitem o templo do Bairro Padre Eustáquio, informa o reitor do santuário, padre Edmar Aparecido Oliveira, da Congregação dos Sagrados Corações Missas. "É uma festa bonita, abençoada, com uma programação dinâmica que, a cada ano, agrega mais e mais pessoas", diz o reitor.

No domingo, quando serão lembrados os 83 anos da morte do beato, as missas serão transmitidas pela internet (canal Padre Eustáquio, canal oficial da Causa de Canonização do Beato no YouTube). Além da programação religiosa, as tradicionais barraquinhas vão funcionar durante todo o dia, oferecendo aos peregrinos um espaço de convivência e confraternização.

Conhecido como o "Missionário da Saúde e da Paz", o Beato Padre Eustáquio tem uma legião de devotos em Minas. Muitas graças e bênçãos, alcançadas por intercessão dele, são registradas em Poá (SP), em Romaria e Patrocínio (Alto Paranaíba/Triângulo Mineiro), e em BH, onde ocorreu o milagre de cura reconhecido pelo Vaticano para a beatificação. Para haver canonização, segundo o vice-postulador da causa, padre Vinícius Maciel, será necessário mais um milagre comprovado pela Santa Sé, mas Padre Eustáquio já é considerado "santo" por muitos católicos.

Festa da fé

A programação em BH começará na madrugada de domingo, com a primeira missa às 5h. Ao longo do dia,  haverá celebrações eucarísticas também às 7h, 9h, 11h, 13h e 15h. Após a missa das 9h e das 13h, os fiéis poderão participar do "Terço pela Canonização do Beato Padre Eustáquio". Depois da missa das 11h, ocorrerá a "Adoração ao Santíssimo Sacramento".

O momento principal da festa acontecerá às 17h, quando os fiéis sairão em procissão pelas ruas do Bairro Padre Eustáquio. O andor com a imagem do beato será levado no Caminhão ABS Mitren, do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais (CBMMG). No retorno ao santuário, será celebrada missa solene.

Programação – 30/8

6h – Início das barraquinhas
5h, 7h, 9h, 11h, 13h, 15h e 17 – Missa
Após as missas das 9h e 13h, haverá o "Terço pela Canonização"
Após a missa das 11h, "Adoração ao Santíssimo Sacramento"; 17h – Procissão pelas ruas do bairro, seguida de Missa Solene

Durante todo o dia: barraquinhas, acolhimento aos peregrinos e programação especial do Canal Padre Eustáquio.

Vida santa

Nascido Hubbertus van Lieshout, em 1890, em Aarle-Rixtel, no Sul da Holanda, e sepultado em BH em 1943, "Padre Eustáquio teve como grande inspiração o belga São Damião de Molokai (1840-1889), que cuidou de leprosos desprovidos de assistência material e espiritual, na Ilha Molokai, no Havaí", destaca padre Vinícius Maciel, da Congregação dos Sagrados Corações (a mesma do beato e do santo), vice-postulador da causa de canonização.

Ao Brasil, Padre Eustáquio chega em 1925, e parte para Água Suja, atual Romaria, ficando ali 10 anos. Se no país ele viveu dias de plenitude, pelo terreno fértil para semear fé e obras sociais, passou também por momentos de extrema tensão, muitas vezes obrigado a se proteger das multidões, que o procuravam em busca de "milagres", e daqueles que viam nele uma ameaça tal a força de carisma e socorro aos necessitados (era chamado de "pai dos pobres").

Após terminar sua missão em Água Suja, e promover grandes mudanças, Padre Eustáquio seguiu para Poá (SP), tornando-se o pioneiro titular da Paróquia de Nossa Senhora de Lourdes. Em 1936, após viagem à Europa, retorna à cidade trazendo água, considerada milagrosa, da gruta de Nossa Senhora de Lourdes, na França.

Ele "multiplica" infinitamente o líquido e, conforme o livro do padre Venâncio Hulselmans, são inúmeros os relatos de curas com a chegada "de romeiros de todas as partes à procura da fonte dos milagres". Jornais ("O Diário da Noite", "Folha da Manhã", "O Dia" e "A Plateia") mostravam "legiões de enfermos de todo o Brasil em busca da água milagrosa de Poá".

Após seis anos, grande parte conturbados, e ao final de profundo esgotamento, Padre Eustáquio deixa Poá (antes ligado a Mogi das Cruzes, hoje município da Região Metropolitana de São Paulo) e vive tempos de exílio em cidades paulistas, mineiras e no Rio de Janeiro. Em Minas, mora em Patrocínio, depois segue para Ibiá, onde fica menos de um mês.

O último destino foi BH. Em 2 de abril, o religioso holandês chega à capital e, seis dias depois, toma posse como vigário da Paróquia São Domingos, onde hoje é o Bairro Padre Eustáquio. Na época, rezava na Capela Cristo Rei, perto do Aeroporto Carlos Prates.

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O sonho de ver pronto o atual Santuário Arquidiocesano da Saúde e da Paz não se concretizou, pois o holandês morreu em 30 de agosto de 1943, vítima da picada de um carrapato. Mas ele lançou a pedra fundamental três meses antes, em terreno doado pelo então prefeito de BH, Juscelino Kubitschek (1902-1976).

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