Um buraco que se transformou em afundamento na calçada da Avenida do Contorno, na Savassi, em Belo Horizonte, tem provocado transtornos para comerciantes que convivem com o problema há mais de três anos. A situação, em frente ao número 6.500, levou à interdição de uma faixa da via e passou a afetar também o trânsito em um dos pontos comerciais mais movimentados da Região Centro-Sul. Segundo a prefeitura, uma erosão sob o passeio foi identificada e solução técnica está sendo estudada.

A estrutura deteriorada chama atenção de quem passa pela avenida. Parte da calçada está isolada e a área permanece cercada, enquanto comerciantes aguardam uma solução definitiva. Para quem mantém estabelecimentos no entorno, a situação deixou de ser apenas um problema de conservação e passou a interferir diretamente na rotina de trabalho.

Para Adriano Gonçalves, proprietário de um salão em frente ao ponto afetado, a situação se tornou insustentável. Segundo ele, a interdição prejudica tanto o acesso dos clientes quanto a visibilidade do estabelecimento.

“Estamos com essa desordem aqui na nossa porta já tem mais de três anos. Me parece que teve um desabamento aqui debaixo e que está muito perigoso. Da última vez, vieram aqui a prefeitura, a Copasa e a Cemig e interditaram uma faixa da rua que, inclusive, está dificultando o trânsito, dificultando a chegada das clientes ao meu salão”, contou.

Adriano diz ainda que, durante essa mesma visita, um funcionário da Cemig teria demonstrado preocupação com a estrutura próxima ao local. “Ele disse que esse poste está por um fio, pode desabar a qualquer momento e corre o risco dessa avenida inteira ficar sem energia. Já imaginou o tamanho do caos?”, questionou.

A situação também é vista com indignação pelo cabeleireiro do salão, Augusto Pereira Miranda. "Isso é um descaso. Já chamamos a prefeitura várias vezes e nada foi resolvido. Eles vêm, colocam as faixas, agora colocaram ainda mais peso aqui na rua. Já ficamos sem luz no salão por conta do poste que está caindo”, reforçou.

A Cemig, porém, informou à reportagem que uma equipe técnica avaliou a área e não identificou risco de queda do poste ou dos cabeamentos.

Na esquina, o restaurante administrado por Reginaldo Afonso de Jesus enfrenta situação semelhante. O gerente afirma que o espaço destinado aos pedestres ficou prejudicado e reforçou que o problema também interfere na visibilidade do comércio.

“Os pedestres reclamam que não têm onde passar”, conta. Segundo Reginaldo, o restaurante também perdeu clientes por causa da situação. “O cliente passa em frente e não consegue nem enxergar a loja porque o buraco rouba a atenção”, afirma.

Trânsito também é afetado

Com uma das faixas interditadas, o problema deixou de atingir apenas quem circula pelo passeio e passou a interferir diretamente no tráfego da Avenida do Contorno. O impacto, segundo os comerciantes, é maior nos horários de pico, quando o fluxo de veículos aumenta.

Segundo a PBH, solução técnica está sendo estudada para resolver o problema "por se tratar de uma região com grande densidade de redes subterrâneas"”

Jair Amaral/EM/D.A Press

A interdição foi feita como medida de segurança enquanto o trecho é avaliado. Para os comerciantes, a expectativa é de que a interdição seja apenas uma medida temporária, enquanto o problema estrutural da calçada não é solucionado.

Adriano Gonçalves afirma que a situação criou um impasse entre os responsáveis pela área. "Quando falamos com a prefeitura, ela joga para o dono do prédio, que é ele que tem que arcar; e o dono do prédio joga para a prefeitura. E aí fica nesse jogo de empurra e quem leva prejuízo somos nós, que pagamos imposto, que pagamos aluguel.”

Erosão sob a calçada

Procurada pela reportagem do Estado de Minas, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) informou que, no início de agosto, a Subsecretaria de Zeladoria Urbana (Suzurb) realizou uma vistoria técnica com participação das concessionárias Copasa, Cemig, Gasmig, juntamente com representantes do Edifício Bontempo.

Na avaliação, foi identificada uma erosão sob o passeio. De acordo com o município, o problema exige intervenções para garantir a estabilidade do terreno e da via pública. “No momento, estão sendo feitos estudos técnicos para definir a alternativa de intervenção mais adequada para a área, por se tratar de uma região com grande densidade de redes subterrâneas.”

Enquanto a solução é definida, uma faixa da Avenida do Contorno permanece sinalizada e agentes da BHTrans monitoram diariamente o trecho.

A prefeitura também informou que foram realizados ajustes semafóricos para melhorar a fluidez do trânsito. Segundo o órgão, equipes estudam a alternativa mais adequada para a intervenção, principalmente devido à grande quantidade de redes subterrâneas existentes na área.

Impasse

A situação também foi avaliada pela Copasa e pela Cemig. A companhia de abastecimento informou que o problema no passeio não está relacionado a nenhum serviço ou intervenção realizados por ela no local.

Já a Cemig informou que uma equipe técnica esteve na região e não identificou risco para o poste ou os cabeamentos. A empresa constatou, porém, que a tampa de uma caixa subterrânea está danificada e precisa ser substituída.

Inicialmente, a Cemig havia informado que a troca seria feita em 15 de agosto. Posteriormente, comunicou que o serviço seria realizado em 22 de agosto. Questionada novamente pela reportagem, a companhia ainda não havia confirmado a conclusão do serviço até a publicação desta reportagem. 

A empresa reforçou que “não há risco iminente de o poste cair" e "é necessária ação por parte da prefeitura para recomposição da calçada danificada".

A reportagem também procurou o síndico do Edifício Bomtempo, mas não recebeu retorno até a publicação dessa matéria.

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*Estagiária sob a supervisão da subeditora Tetê Monteiro

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