A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), em uma operação conjunta com a Polícia Federal (PF), localizou nesta quinta-feira (20/8) uma grande plantação de maconha no município de Cachoeira do Pajeú, no Vale do Jequitinhonha, onde foi preso um homem, de 57 anos. Numa área irrigada de aproximadamente 1,5 hectare, foram encontrados cerca de 40 mil pés da Cannabis sativa, que devem ser arrancados e destruídos pela polícia com o apoio de outros órgãos públicos.
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Foi o quinto cultivo da droga descoberto no interior mineiro nos últimos quatro meses, sendo que todos eles estariam ligados a uma mesma organização criminosa. Antes, já haviam sido localizados e destruídos plantios de maconha em Virgem da Lapa, também no Vale do Jequitinhonha, em 26 de maio; em Francisco Sá (4/6) e Porteirinha (7/6), no Norte de Minas; e em Unaí (17/6), no Noroeste do estado.
A operação desta quinta-feira em Cachoeira do Pajeú foi conduzida pela Polícia Civil de Minas via Delegacia Regional de Pedra Azul, envolvendo equipes das delegacias de Araçuaí, Medina, Itaobim e Padre Paraíso. A ação contou com a participação da Delegacia da Polícia Federal em Juazeiro (BA).
Conforme revelou o delegado de Araçuaí, Paulo Sobrinho, no local foram encontrados sistema de irrigação instalado, fertilizantes e outros materiais usados no plantio da maconha. Nas imagens registradas pelas equipes, percebe-se a diferença do verde da “plantação” irrigada da maconha em um contraste da vegetação seca ao redor, tendo em vista que a região atinge o pico da estiagem prolongada nesta época do ano.
No local também foi encontrado um volume de alimentos armazenados, numa evidência do emprego de pessoas no cultivo irrigado da maconha.
O homem preso na área em Cachoeira do Pajeú atuava como cultivador da Cannabis sativa, exercendo a função na atividade ilegal definida pelos policiais como “roceiro”. O local havia sido identificado pela equipe da Delegacia Regional em Pedra Azul há pouco mais de um mês e, desde então, vinha sendo monitorado pelos investigadores.
As equipes permanecem em diligências na região, realizando levantamentos, coleta de elementos de interesse investigativo e as demais providências de Polícia Judiciária.
Prisões efetuadas
Os cultivos de maconha descobertos no Vale do Jequitinhonha, no Norte de Minas e no Noroeste do estado seriam vinculados a uma mesma organização criminosa. Até agora, já foram presas 12 pessoas pela suspeita de envolvimento com o grupo no plantio e na venda da droga.
As investigações sobre o esquema avançaram com a Operação Primeira Poda, deflagrada em 9 de julho, quando foram presas cinco pessoas ligadas ao grupo criminoso do cultivo e venda de maconha. Quatro delas, com idades entre 25 e 28 anos, foram detidas em Contagem e Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Em 13 de julho, um homem de 39 anos, com apelido de “Jacó”, suspeito de integrar a mesma organização criminosa, foi preso na zona rural de Eunápolis, cidade praiana próxima de Porto Seguro, no Sul da Bahia.
Um casal de Teixeira de Freitas (BA) é apontado pelo “dono do negócio” do cultivo e da venda da maconha no interior de Minas e continua foragido e procurado.
Plantio começou a ser investigado em caso de sequestro
As investigações sobre a produção da maconha em Minas começaram em 26 de maio, após a localização de uma plantação com 30 mil pés Cannabis em Virgem da Lapa, no Vale do Jequitinhonha. Três pessoas foram presas no local e outras duas acabaram detidas por suspeita de integrar o grupo responsável pelo cultivo e tráfico da droga.[
A descoberta em Virgem da Lapa ocorreu durante buscas da Polícia Civil na investigação do sequestro de uma mulher, de 36, e da filha dela, de 8, em Coronel Murta, município vizinho.
Em 4 de junho, uma operação da Polícia Civil com apoio de helicóptero localizou uma plantação com cerca de 20 mil pés de maconha em uma área de difícil acesso na zona rural de Francisco Sá, no Norte de Minas. No local, foram encontrados e destruídos 1,8 mil quilos da droga, parte dela já ensacada para distribuição.
Três dias depois, policiais prenderam mais dois suspeitos de ligação com a organização criminosa, que estavam em um Fiat Toro. Com eles, foram apreendidos aparelhos celulares, documentos, cartões, bagagens e equipamento de internet via satélite, que eram usados no plantio clandestino da maconha.
Em 10 de junho, outro cultivo da droga foi descoberto na região de Alto Jatobá, na zona rural de Porteirinha, ainda no Norte de Minas. A maconha era produzida em uma área irrigada de quatro hectares e escondida em meio a um milharal. A colheita já havia sido realizada, mas 100 quilos da planta foram encontrados e incinerados no local.
Localização estratégica
Na sequência, as investigações também chegaram ao município de Unaí (Noroeste do estado), onde, em 17 de junho, foi identificada uma área de aproximadamente seis hectares preparada para o cultivo da maconha.
No local, foram encontrados sistema de irrigação instalado e operacional, mudas de maconha em estágio inicial, tanques de armazenamento de água, fertilizantes e outros insumos agrícolas, além de alimentos e outros itens. Também havia cultivo de milho, usado para disfarçar e esconder a plantação ilegal da Cannabis sativa. Foram verificados indícios de que os responsáveis abandonaram a área às pressas, pouco antes da chegada das equipes policiais.
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Agora, com a descoberta em Cachoeira do Pajeú, chegou-se ao quinto grande plantio de maconha localizado no estado num intervalo de quatro meses. Cachoeira Pajeú tem localização estratégica para as quadrilhas, por ser cortada por duas rodovias federais que ligam o Sul/Sudeste ao Nordeste: a BR 251 e a BR 116 (Rio-Bahia).
