Há mais de dois meses hospitalizada e enfrentando complicações de uma trombose pulmonar, Dona Maria Alice Oliveira Neto, de 82 anos, parecia muito abatida. Transferida para o Hospital São Francisco, no Bairro Concórdia, no dia 11 de julho, o pulmão debilitado não era o único obstáculo: a saudade de casa a levou a um quadro de depressão. Foram cinco dias sem querer conversar com ninguém. A cura para o desânimo, no entanto, não veio da farmácia, mas sim vestida com um pequeno traje vermelho e detalhes dourados.
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Sensibilizada pelo estado da mãe, a filha Juliana Patrícia Oliveira Chaves, procurou o Serviço Social da instituição para tentar viabilizar uma visita especial. O pedido acionou o Serviço de Psicologia para avaliar se o reencontro com Lindinha — uma pinscher de cinco anos que é a companheira de vida da idosa — seria viável e seguro.
A avaliação ficou a cargo da psicóloga Amanda Ferreira. A profissional analisou os protocolos de segurança e concluiu que o reencontro ofereceria um suporte terapêutico importante para Dona Maria Alice.
A vinda de Lindinha teria um impacto emocional positivo, com a redução do estresse e isolamento causados pela longa internação. Na análise, o resgate da identidade da paciente além do leito hospitalar poderia ser muito importante em um momento delicado como esse.
"A medicina cuida do corpo, mas a humanização nos lembra que cuidar de alguém é também cuidar dos vínculos que dão sentido à sua vida."
O reencontro
Na última segunda-feira, Lindinha chegou ao hospital em sua mochila de transporte.
Sobrevivente de uma parvovirose severa quando tinha apenas um ano de vida, a cadelinha demonstrou mais uma vez sua força ao levar alegria para quem mais precisava.
O reencontro devolveu o brilho aos olhos de Dona Maria Alice. A cadelinha, acostumada a dividir a banana do café da manhã aquecida no micro-ondas e a se sentar à mesa com a tutora, trouxe o aconchego do lar para dentro da enfermaria.
A cumplicidade foi tanta que as duas chegaram a assistir à televisão juntas no leito, transformando o clima do quarto e quebrando o ciclo de depressão em que a paciente se encontrava. Por alguns instantes, o ambiente hospitalar deu lugar ao afeto puro, mostrando que o amor também é parte fundamental do processo de cura.
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*Estagiário sob supervisão da subeditora Juliana Lima
