Cerca de 100 moradores de Conceição do Mato Dentro, Alvorada de Minas, Serro, Dom Joaquim e região ocupam desde as 3h da madrugada desta terça-feira (18/8) o trecho de Dom Joaquim, na rodovia MG-10, onde eles trancaram a rodovia e impediram o funcionamento da mina da mineradora Anglo American.
O protesto acontece depois do acionamento acidental de uma sirene de emergência, na Região Central de Minas, realizada pela mineradora Anglo American na última quinta-feira (13/8) às 20h40.
O alarme causou pânico na cidade. Segundo Larissa Ribeiro Nunes, membro do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), é a quarta vez que a sirene é acionada desde 2020.
“É a segunda vez este ano. A primeira foi em fevereiro. E eles falam que foi um acionamento acidental e não informam mais nada. Não tem clareza nenhuma no processo com as comunidades”, afirma Larissa.
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O objetivo da manifestação é demonstrar a indignação dessas famílias que precisam sair correndo de suas casas sem necessidade alguma, o que gera um grande prejuízo psicológico para a população local.
“Nós (as comunidades) reivindicamos que as comunidades sejam ouvidas, que sejamos retiradas, mas de uma maneira que seja bom para a população, que chegou antes da empresa”, diz a representante do MAM.
A situação se mostrou mais grave quando os moradores foram deixados entregues à própria sorte por duas horas após o acionamento da sirene.
Um morador local, que participa da manifestação, falou com a reportagem e revelou extrema angústia com a situação. “Está deixando a gente numa situação crítica, abala o nosso psicológico, das nossas crianças. Imagina ter que sair correndo às oito da noite”, afirma Nivaldo São Pedro Machado, residente de São José do Jassém.
Falta de respostas
O Estado de Minas procurou a Anglo American e questionou seu posicionamento frente ao protesto e que propostas a mineradora ofertava para melhorar o bem-estar da população local. Em resposta, a assessoria de imprensa da mineradora informou que respeita a manifestação e está aberta a diálogos com as lideranças das manifestações para ouvir as demandas.
Contudo, Larissa Rabelo informou que nenhum representante da empresa compareceu ao local para dialogar ainda. Os manifestantes não têm prazo para se retirar do local e pretendem permanecer lá até que a mineradora se manifeste presencialmente.
O Ministério Público de Minas Gerais instaurou procedimento para apurar o acionamento da última quinta-feira (13/8). Segundo o órgão, ainda não é possível relacionar esse evento com os outros que ocorreram desde 2020.
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*Estagiário sob supervisão da subeditora Juliana Lima
