Roma – O tour para o qual o Estado de Minas convida os leitores pelo templo mais importante dedicado à mãe de Jesus no Ocidente revela, no fim de semana em que se celebra a Assunção de Nossa Senhora, não apenas a grandiosidade artística e arquitetônica da estrutura, mas outros tesouros históricos e religiosos da Basílica de Santa Maria Maior – ou Santa Maria Maggiore –, na capital italiana. Lá se conserva quele que é considerado o principal ícone mariano, o “Salus Populi Romani” (em português, “Protetora” ou “Salvadora do povo romano”).
Nele, se vê Maria com o Menino Jesus. A tradição atribui a pintura a São Lucas, o Evangelista, patrono dos pintores. Ainda no maior templo mariano de Roma se encontra a relíquia da “sagrada manjedoura”: fragmentos do local onde repousou o Menino Jesus recordam a importância da Santa Maria Maior como a “Belém do Ocidente”. Importante lembrar que foi celebrada aqui, pela primeira vez, uma Missa da Noite de Natal. E por muitos séculos os pontífices vinham ao templo para manter essa tradição.
A basílica, na qual estão sepultados oito pontífices, guarda outras relíquias muito caras aos católicos, a exemplo dos restos mortais de São Matias e de São Jerônimo. Conforme divulgado pela Igreja, “os numerosos tesouros da Santa Maria Maior fazem da basílica um lugar no qual arte e espiritualidade se unem em união perfeita, oferecendo aos visitantes emoções únicas e típicas das grandes obras do homem inspiradas por Deus”.
“É importante ressaltar que a Santa Maria Maior, sendo o santuário mariano mais antigo e importante do Ocidente, é também uma das quatro basílicas maiores. Trata-se de um título concedido pela Santa Sé, às igrejas mais importantes da cidade de Roma e que, por esse motivo, gozam de uma ligação particularmente direta com o papa e com a Sé Apostólica”, explica o frei carmelita Evaldo Xavier, que morou na capital italiana por mais de uma década. “Por essa razão, tem uma Porta Santa, sendo o altar-mor reservado exclusivamente às celebrações litúrgicas do papa ou seus delegados.” O frei lembra que a Santa Maria Maior é também conhecida por “Santa Maria das Neves”, por ter nevado, em pleno verão, sobre a colina onde se ergue o templo.
O REPOUSO DE FRANCISCO
Logo após o conclave, em 13 de março de 2013, o papa Franciso foi à Basílica Santa Maria Maior agradecer a Nossa Senhora por sua eleição. Fazia questão também de visitar o templo sempre que retornava de viagens apostólicas. Durante as visitas, rezava e confiava seus esforços missionários à proteção da Mãe de Deus. Foi assim, por exemplo, em 8 de setembro de 2019, após uma viagem à África, quando agradeceu pela proteção durante a jornada.
Em 15 de março de 2020, início da pandemia e do flagelo que ela representou para a humanidade, Francisco fez uma oração especial na Basílica de Santa Maria Maior pedindo a intercessão de Maria para o fim da COVID-19. Sua última visita ao local se deu em abril de 2025, logo após um período de 38 dias de sua internação no Hospital Gemelli, em Roma. Saindo do hospital, o papa fez questão de visitar a basílica antes de se dirigir à Casa Santa Marta, onde residia, demonstrando sua gratidão e devoção, mesmo em momentos de fragilidade.
O túmulo de Francisco se encontra na nave lateral esquerda, entre a Capela Paulina, que guarda o ícone bizantino “Salus Populi Romani”, e a Capela Sforza, próxima ao altar dedicado a São Francisco de Assis. O piso do túmulo é feito de pedra de Finale Ligure, como homenagem às terras, na Itália, de origem da família do pontífice.
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Na frente da tumba, segundo a vontade expressa do papa, está preservada a inscrição já existente, datada de 1615, época do papa Paulo V Borghese (1550-1621), relacionada à construção da Capela da Salus Populi Romani. A inscrição recorda que o papa mandou construir a capela para glorificar a imagem da Virgem e recomenda a celebração perpétua de ritos e cânticos em honra da Mãe de Jesus.
