O motorista apontado como causador da batida frontal entre um Fiat Cronos e um Astra, que deixou sete mortos, incluindo ele próprio, no Km 304 da BR-251, em Salinas, no Norte de Minas, já havia sido preso por tráfico de drogas, respondia processo na Justiça do Ceará e usava tornozeleira eletrônica no momento do acidente, segundo a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG). Conforme a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o condutor do Cronos causou o acidente, na tarde do último sábado (8/8), durante tentativa de fuga após desobedecer ordem de parada na rodovia.

Após a tragédia, ainda de acordo com a PRF, foram encontrados dentro do veículo 137 quilos de maconha, divididos em 164 tabletes da droga. Nesta segunda-feira (10/8), a Polícia Civil informou que o motorista do Cronos foi identificado como Pedro Yan Linhares Guimarães, de 24 anos, e usava tornozeleira eletrônica “em razão de medida cautelar de prisão, possuindo ainda passagem anterior pelo crime de tráfico de drogas”. Segundo a PCMG, ele também não tinha habilitação.

Pedro Yan respondia processo criminal na Justiça de Aracati, sua terra natal. Conhecido por abrigar a praia de Canoa Quebrada, o município cearense registra disputa entre grupos criminosos envolvidos com o tráfico de drogas, incluindo a presença do Comando Vermelho (CV). Ainda não se sabe se o condutor do Cronos (que também tem placa de Aracati) tinha vínculos com a facção criminosa. A origem e o destino da droga também serão investigados.

Conforme a Polícia Civil, além do motorista, outros dois ocupantes do Fiat Cronos vieram a óbito: Alana Alves da Silva, de 28, que morreu no local do acidente; e Ramon Silvério Nogueira, de 19, que morreu em um hospital de Salinas, assim como Pedro Yan.

Ainda segundo a PCMG, uma passageira do veículo, identificada como Letícia Freitas Braga, de 21, ficou gravemente ferida e segue internada em hospital de Salinas. Ela sofreu traumatismo cranioencefálico e várias fraturas.

De acordo com a Polícia Civil, tendo em vista a apreensão dos 137 quilos de maconha que estavam sendo transportados, foi instaurado inquérito pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico. Somente após a conclusão dos procedimentos de praxe que o delegado responsável vai extinguir a punibilidade de Pedro Yan e dos outros dois mortos no acidente “em razão dos óbitos”.

Todos os quatro ocupantes do Astra morreram. As vítimas foram identificadas como os irmãos aposentados Argemiro Machado da Silva, de 79, e Valmir Machado da Silva, de 76, que estavam acompanhados pelos  amigos Alcides Silva Santos, de 77, e Gilmar Bispo dos Santos, de 46. Os quatro eram moradores de Ruy Barbosa (BA), na Região da Chapada de Diamantina, e viajavam para a capital paulista.

Segundo um sobrinho de Argemiro e Valmir, os irmãos haviam trabalhado durante anos como eletricistas na capital paulista e, depois de se aposentarem, retornaram para a cidade natal. Eles viajavam a passeio e davam carona a Gilmar e Alcides.

Os corpos deles foram sepultados nesta segunda-feira (10/8) em Ruy Barbosa, que fica distante 650 quilômetros de Salinas e a 320 quilômetros de Salvador. A prefeitura da cidade providenciou o traslado dos corpos e pagou as despesas funerais das vítimas.

Como foi o acidente

A colisão frontal entre o Fiat Cronos e o Astra ocorreu no Km 304 da BR 251, no trecho da rodovia entre Salinas e a BR 116/Rio-Bahia. Conforme a PRF, o motorista do Cronos, que viajava no sentido Salinas/BR 116, desobedeceu a uma ordem de parada no km 314 e fugiu.

Durante a perseguição, ele teria feito manobras arriscadas e, em uma curva, invadido a contramão ao tentar ultrapassar quatro veículos. O carro bateu de frente com um Astra que seguia no sentido contrário, cerca de 10 quilômetros depois do ponto onde houve a abordagem.

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Os corpos das vítimas foram encaminhados para o Instituto Médico-Legal (IML) de Taiobeiras, onde foram necropsiados e liberados na tarde desse domingo (9/8).

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