O Ministério Público (MPMG) vai buscar na Justiça medidas para obrigar a Oi a reduzir os riscos em um prédio abandonado da antiga empresa de telefonia, no Bairro Santo Antônio, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, atingido por um incêndio no domingo (9/8). A ação ocorre após uma vistoria identificar danos e condições insalubres no imóvel.
Como a Oi está em recuperação judicial, o MPMG pediu apoio ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), onde tramita o processo da empresa. A intenção é que a Justiça determine medidas emergenciais para garantir a segurança de quem vive ou circula próximo ao prédio.
Entre as providências solicitadas estão o fechamento dos acessos à construção, a contratação de vigilância, a limpeza do local e a realização de vistorias. O objetivo é impedir novas ocupações e reduzir a possibilidade de acidentes.
O imóvel fica na Avenida Prudente de Morais, 1.001, onde funcionava uma antiga unidade da antiga operadora de telefonia Oi. A situação do prédio chamou a atenção das autoridades após o incêndio registrado no fim da tarde de domingo.
Vistoria encontrou danos em vários andares
Uma avaliação feita nesta segunda-feira (10/8) por técnicos da Defesa Civil e pela Polícia Civil identificou danos em diferentes pontos da edificação. Apesar dos problemas, não foram encontrados, até o momento, sinais de risco estrutural do prédio ou de comprometimento das construções vizinhas.
A entrada dos agentes havia sido impedida na noite do incêndio devido à fumaça, às altas temperaturas e à baixa visibilidade. Com condições mais seguras, a equipe conseguiu realizar a análise interna nesta segunda-feira (10/8).
No subsolo, foi encontrado um acúmulo de água escura, com forte odor, de aproximadamente 1,5 metro de altura. No térreo, havia reboco desprendido, materiais caídos e danos nas instalações elétricas.
Os estragos também foram vistos nos pavimentos superiores. O mezanino tinha trincas e queda de reboco. No primeiro andar, foram encontrados vidros quebrados e rachaduras.
O segundo pavimento concentrou parte dos danos provocados diretamente pelo fogo, com trincas, deformação da laje, problemas no piso e reboco desprendido. Já no terceiro e no quarto andares havia fuligem, trincas e acúmulo de materiais.
No quinto pavimento, não foram identificados danos aparentes.
Vidros podem cair na avenida
Mesmo sem indicação de risco estrutural, a Defesa Civil apontou possibilidade de queda de vidros das janelas sobre a via pública. Por precaução, parte do passeio foi isolada e sinalizada.
O interior do imóvel também permanece isolado devido às condições de insalubridade. A perícia da Polícia Civil participa da apuração das circunstâncias do incêndio.
Fogo começou no fim da tarde
O incêndio começou por volta das 16h45 de domingo e mobilizou sete viaturas e 25 militares do Corpo de Bombeiros. Uma pessoa foi encontrada dentro do prédio e retirada pelos militares. Ela foi levada ao Hospital João XXIII.
Durante o combate às chamas, um trecho da Avenida Prudente de Morais precisou ser interditado para permitir o trabalho das equipes de emergência.
Segundo os bombeiros, havia pessoas dentro do imóvel queimando cobre. Essa é uma das hipóteses
investigadas para explicar o começo do incêndio.
Oi foi notificada
A Defesa Civil notificou um responsável pela Oi para que sejam tomadas providências urgentes no prédio. A empresa deverá adotar medidas de limpeza, manutenção, fechamento e conservação do imóvel.
Agora, o MPMG pretende levar a questão ao processo de recuperação judicial da companhia, por meio da atuação do MPRJ. A medida busca garantir que a empresa ou seus responsáveis adotem ações para evitar novos riscos no local.
A reportagem procurou a Oi para saber se a empresa tinha conhecimento da ocupação do imóvel e quais medidas pretende tomar após a notificação. Até o fechamento desta reportagem, não houve retorno.
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*Estagiária sob supervisão da subeditora Juliana Lima
