O calor fora de época registrado em Belo Horizonte e a previsão de uma primavera com temperaturas elevadas colocam no centro da discussão um fenômeno que ocorre a milhares de quilômetros de Minas Gerais: o El Niño. O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial e pode provocar mudanças na circulação da atmosfera, afetando padrões de temperatura e chuva em diferentes partes do mundo.

Segundo o meteorologista e consultor em climatologia Ruibran Reis, diretor regional da Climatempo em Minas Gerais, o El Niño é um dos fatores que ajudam a explicar o cenário de calor previsto para o estado.

O fenômeno altera a circulação atmosférica e, como consequência, pode mudar a distribuição de calor e umidade em diferentes regiões. No caso de Minas, a atuação do fenômeno pode contribuir para períodos de temperaturas mais altas.

O Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou, em julho, a presença do El Niño e indicou expectativa de continuidade do fenômeno. Naquele momento, o índice de temperatura da região Niño 3.4 estava 1,2°C acima da média, e a previsão apontava fortalecimento até o fim do ano.

Modelos experimentais do laboratório de dinâmica de fluidos da NOAA também apontaram, em julho, possibilidade de um El Niño muito forte ao longo do segundo semestre.

Por que o oceano interfere no clima?

O El Niño começa no Pacífico, mas seus efeitos não ficam restritos ao oceano. O aquecimento da superfície do mar modifica a circulação atmosférica, alterando a forma como calor e umidade se distribuem pelo planeta.

É como se uma mudança em uma grande engrenagem do sistema climático produzisse consequências em outras regiões.

O fenômeno é definido a partir da temperatura das águas do Pacífico Equatorial. O NOAA utiliza, entre outros indicadores, a região Niño 3.4 para acompanhar a evolução do fenômeno.

Em Minas Gerais, a consequência pode aparecer em forma de mudanças no padrão de chuva e temperatura.

O que esperar em Minas?

Para Ruibran, a situação deste ano merece atenção porque o El Niño está associado à previsão de temperaturas elevadas no estado.

O meteorologista afirma que agosto deve continuar quente e que o padrão pode se estender para o fim do inverno e a primavera, com possibilidade de ondas de calor.

A previsão, entretanto, não significa que o estado ficará permanentemente sob temperaturas extremas. O comportamento do clima é resultado da interação de diversos sistemas e o El Niño é apenas um dos fatores que precisam ser considerados.

Nos próximos dias, por exemplo, uma frente fria deve provocar queda temporária nas temperaturas em Belo Horizonte. A máxima deve ficar próxima de 27°C nesta terça-feira (11/8), antes de voltar a subir a partir de sexta.

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Para a população, a principal preocupação é a possibilidade de repetição das ondas de calor. Com temperaturas elevadas e menor umidade, aumentam os cuidados necessários com hidratação, exposição ao sol e prevenção de queimadas.

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