A família do trabalhador que morreu após cair de um palco afirma que o acidente poderia ter sido evitado. Pablo Vinícius Fernandes, de 30 anos, sofreu uma queda de três metros de altura durante a desmontagem da estrutura usada na festa junina da Escola Estadual Maria Zeli Diniz Fonseca, em Nova Serrana, no Centro-Oeste de Minas, no domingo (19/7).
A irmã da vítima, Núbia Cristina alega que durante a montagem da estrutura da festa, trabalhadores solicitaram o corte de um galho que atrapalhava o serviço. Entretanto, ninguém atendeu ao pedido.
Ainda conforme Núbia, durante a desmontagem do palco, a estrutura ficou presa no galho. Pablo subiu para soltá-la. Nesse momento, o galho se rompeu e atingiu a cabeça do trabalhador.
Ela também afirmou que, depois do acidente, pessoas que passaram pelo local perceberam que o corte dos galhos havia sido feito logo após o acidente.
Vítima socorrida
Segundo o Corpo de Bombeiros, a vítima apresentava traumatismo cranioencefálico, um ferimento na parte de trás da cabeça e estava inconsciente, respondendo apenas a estímulos dolorosos.
As equipes realizaram a imobilização conforme os protocolos de atendimento a traumas. Em seguida, encaminharam Pablo em estado grave ao Hospital São José, onde a médica plantonista assumiu o atendimento.
No entanto, apesar do trabalho das equipes de resgate e dos profissionais de saúde, Pablo não resistiu aos ferimentos.
Prefeitura afirma que evento não era municipal
A prefeitura de Nova Serrana alega que não houve pedidos formais para poda de árvores no local. Em nota, o órgão lamentou a morte do trabalhador e informou que a organização do evento foi de responsabilidade da escola estadual e não tinha ligação com a prefeitura.
Afirmou ainda que Pablo não integrava o quadro de servidores, não prestava serviços para a administração municipal e também não atuava como subcontratado da prefeitura.
A administração informou que o pedido de apoio protocolado para a realização da festa não incluía solicitação de poda ou supressão de árvores.
Conforme a prefeitura, as equipes municipais fazem a manutenção dos jardins e a poda das árvores da região de forma rotineira. Ainda assim, como o município não organizou nem custeou o evento, a administração entende que não cabe a abertura de procedimentos internos relacionados ao acidente.
Secretaria de Educação do Estado de Minas Gerais
A Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG) informou que a equipe executava a desmontagem dos equipamentos de sonorização no momento do acidente. Em nota, informou que contratou uma empresa especializada para executar o serviço e que a contratação seguiu todos os procedimentos administrativos e atendeu às exigências legais.
A pasta acrescentou que os dirigentes da empresa permaneceram no local durante o acidente, acompanharam o atendimento prestado ao trabalhador e adotaram as providências cabíveis.
A Secretaria manifestou solidariedade aos familiares e afirmou que aguarda a conclusão das investigações conduzidas pelas autoridades competentes.
A Superintendência Regional de Ensino de Divinópolis acompanha o caso e permanece à disposição para colaborar com a apuração, afirmou em nota.
Empresa prestou apoio à família
Familiares informaram que a empresa Rota Som, responsável pela estrutura do palco, sonorização e iluminação prestou toda a assistência logo após o acidente. Em contato com o responsável, ele apenas lamentou a morte do trabalhador.
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*Heloisa Benicio especial para o EM
