Um paciente de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, participa da pesquisa com a polilaminina, substância ainda em fase experimental para tratamento de lesões medulares, no Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU).
O serralheiro Mateus Barbosa Costa, de 25 anos, sofreu um trauma na coluna após um acidente de trabalho e recebeu a aplicação em busca não só da cura da lesão medular, como também de resultados que comprovem a eficácia da polilaminina.
O histórico de Mateus começa em 20 de março deste ano, quando ele deu entrada no HC com uma lesão na vértebra T12, localizada na transição entre as regiões torácica e lombar da coluna. O quadro provocou paraplegia, perda dos movimentos e da sensibilidade nos membros inferiores.
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Entre o atendimento de emergência e a última semana, a substância foi obtida pela família do paciente, que fez contato com o laboratório responsável pelo estudo de eficácia da polilaminina. No dia 18 de maio, Mateus recebeu a dose da medicação experimental. Coube à equipe do HC-UFU a realização do procedimento e a assistência integral, com a avaliação clínica da equipe médica e o cumprimento dos trâmites regulatórios pertinentes, incluindo encaminhamento aos órgãos competentes.
"Receber a notícia foi triste, mas eu estava tranquilo. Eu já tinha perdido o movimento das pernas na hora do acidente, já sabia o que tinha acontecido", explicou Mateus Costa.
Sobre o tratamento, ele se diz ansioso, mas otimista com os possíveis resultados, que podem trazer de volta os movimentos das pernas. "O tratamento é novo e a eficácia depende da fisioterapia. Conseguir o remédio foi rápido e a gente viu que a avaliação foi boa. Estou ansioso", ressaltou.
O procedimento
O procedimento foi simples, com uma injeção local e agora os efeitos são a longo prazo. "A indústria solicitou nosso acompanhamento e nós oferecemos o espaço e o acompanhamento", disse o chefe da Divisão Médica do HC-UFU, Paulo Henrique Fernandes.
A pesquisa com a polilaminina foi desenvolvida por cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com a farmacêutica Cristália. Os trabalhos foram liderados pela bióloga Tatiana Sampaio Coelho.
De acordo com o hospital, o paciente apresenta evolução clínica acompanhada pela equipe assistencial e teve alta parcial no último dia 22. Ele segue o tratamento por meio de reabilitação intensiva. Desde sua internação, faz duas sessões diárias de fisioterapia, com 40 minutos cada.
O que é a polilaminina
A polilaminina é uma versão sintética da laminina, proteína presente naturalmente no organismo humano e importante para a formação de tecidos. "Ela é uma espécie de cimento, capaz de estimular a criação de novas conexões neurais após lesões na medula espinhal", explicou Paulo Henrique Fernandes.
Na prática, a substância busca oferecer um ambiente favorável para que os axônios, estruturas responsáveis pela transmissão de impulsos nervosos, possam crescer novamente e restabelecer parte da comunicação entre cérebro e corpo.
Apesar do potencial terapêutico, a polilaminina ainda é considerada experimental. A pesquisa é desenvolvida há mais de duas décadas, mas os testes clínicos em humanos começaram recentemente. Em janeiro deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou oficialmente o início da fase 1 dos estudos clínicos da substância em humanos.
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Essa etapa inicial tem como objetivo principal avaliar a segurança e a tolerância do composto, e não comprovar eficácia. Um estudo preliminar realizado na UFRJ envolveu apenas oito pacientes com lesões medulares agudas. Segundo os pesquisadores, seis deles apresentaram algum grau de recuperação motora.
