A estudante mineira de medicina veterinária, Carolina Arruda, de 28 anos, diagnosticada com uma condição que provoca "a pior dor do mundo", registrou boletim de ocorrência contra um homem que a persegue há cerca de três anos. De acordo com a moradora de Bambuí, no Centro-Oeste de Minas Gerais, ele se aproximou fingindo ter dor crônica e, desde então, a segue, envia mensagens ameaçadoras e invade sua privacidade, gerando temor constante. 

Mensagens recebidas por Carolina

Reprodução/Redes Sociais

A farsa do falso paciente

A teia de assédio começou a se desenhar a partir de uma suposta empatia. Utilizando perfis falsos, o perseguidor se aproximou de Carolina sustentando a narrativa de que compartilhava do mesmo sofrimento físico crônico enfrentado por ela desde os 16 anos. A farsa, contudo, desmoronou à medida que o tom das interações mudou de suporte mútuo para uma vigilância hostil e diária.

Prints anexados à investigação revelam o nível de fixação do suspeito, que chegou a enviar mensagens afirmando textualmente que Carolina "faz parte da rotina" dele e que sua vida era monitorada de forma ininterrupta há mais de 24 meses, mesmo sem nunca terem tido qualquer contato físico.

A situação piorou quando o stalker passou a publicar conteúdos maliciosos em redes abertas com o intuito de destruir a reputação da estudante. Diante do ataque reputacional e do risco iminente, a vítima decidiu que era hora de buscar amparo legal.

Desabafo nas redes sociais

Para quem já convive no limite das forças devido a um conflito neurovascular na base do cérebro, onde uma artéria pulsa diretamente contra o nervo trigêmeo, gerando choques lancinantes no rosto, o desgaste psicológico imposto pelo crime digital se tornou um fardo insustentável. Em suas redes sociais, onde compartilha sua rotina de tratamentos paliativos, cirurgias e sua luta histórica por qualidade de vida, desabafou sobre a nova angústia que se instalou em sua rotina.

"A gente já vive com um nível de estresse altíssimo por conta da saúde, e ter que lidar com alguém tentando destruir sua imagem e te ameaçando tira o resto de paz que nos sobra", declarou a jovem.

A Polícia Civil de Minas Gerais informou que os materiais apresentados pela vítima estão sendo analisados e que medidas investigativas já foram iniciadas para identificar formalmente o autor por trás dos perfis.

No Brasil, o crime de stalking (perseguição) é previsto pelo Artigo 147-A do Código Penal desde 2021, com pena que pode chegar a até dois anos de reclusão, além de agravantes caso o crime seja cometido contra mulheres por razões da condição do sexo feminino ou por meio da internet.

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*Estagiária sob supervisão da subeditora Regina Werneck

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