Em abril de 2011, a Inconfidência Mineira ganhava finalmente um rosto – o único cientificamemte conhecido até hoje de um integrante do movimento. Trata-se do conjurado José Resende Costa, que viveu no Campo das Vertentes e morreu aos 70 anos, em 1798, no degredo, na Guiné-Bissau, África. Envolvida com pesquisa sobre os restos mortais desde 1993, na Faculdade de Odontologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a equipe do professor Eduardo Daruge fez a reconstituição facial do inconfidente.
Mas, para chegar a esse ponto, é preciso voltar nos séculos. Após a brutal execução de Tiradentes – único condenado à morte entre os conjurados, enforcado e esquartejado em 21 de abril de 1792 –, os outros inconfidentes foram mandados para o desterro em Portugal e na África. Entre eles, os mineiros José Resende Costa (pai), João Dias da Motta e Domingos Vidal de Barbosa. Os três foram enviados para Lisboa em junho de 1792. De Portugal, seguiram para o degredo na África (dois para Cabo Verde e outro, João Dias da Motta, para a Vila de Cacheu, Guiné-Portuguesa, região inóspita com alguns povoados)
Conforme documentos históricos, Domingos Vidal de Barbosa e João Dias da Motta morreram em 1793; José Rezende Costa, em 1798. De acordo com informações prestadas pelo povo local, os três brasileiros foram enterrados ao lado de uma pequena igreja.
EXUMAÇÃO E REPATRIAÇÃO
Em 1932, os despojos foram exumados na Vila de Cacheu a pedido do cônsul brasileiro em Dakar, e identificados como sendo dos três degredados. A identificação, no entanto, se baseava em informações prestadas por uma nativa, que havia ouvido de seus pais e avós a história de que naquele local estavam enterrados três brasileiros exilados.
Os restos mortais foram repatriados para o Brasil, ficando no arquivo histórico do Itamaraty, no Rio de Janeiro. Foram colocados em uma única urna, em condições precárias. Já em 1936, o presidente Getúlio Vargas assinou o decreto determinando a repatriação dos despojos de todos os inconfidentes mortos nos degredos de Portugal e África.
No mesmo no ano, as urnas de três inconfidentes chegaram ao Rio de Janeiro e, pouco depois, foram enviadas para Ouro Preto, na Região Central de Minas. Em 1942, seria criado o “Panteão dos Inconfidentes”, no Museu da Inconfidência, na Praça Tiradentes, no Centro Histórico, para onde foram todos levados.
No entanto, por motivos desconhecidos, as ossadas dos degredados exumados na Vila de Cacheu não foram juntadas às demais em Ouro Preto. Ficaram no arquivo do Itamaraty, o que aumentou as dúvidas dos historiadores sobre a identidade dos mortos. Somente em 1992 as ossadas chegaram a Ouro Preto, levadas para uma igreja e então à espera de pesquisa sobre a identidade.
Desde a década anterior, pesquisadores do Museu da Inconfidência vinham estudando a autenticidade das ossadas, tendo sido solicitada pela direção da instituição a colaboração científica da equipe do curso de pós-graduação do programa de Odontologia Legal e Deontologia da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (SP), da Unicamp, para examinar o material. Assim, em junho de 1993, a equipe chefiada pelo professor doutor Eduardo Daruge, começou a separar as peças ósseas, nas quais havia fragmentos de ossos, terra, pedras, pedaços de jornal picado, fios de cabelo e outros.
Analisando cada fragmento de osso pela cor, espessura, relação de continuidade com outras peças encontradas e características anatômicas, a equipe separou materiais referentes a três pessoas. As peças ósseas de cada um foram submetidas a exames de densitometria, que medem a densidade dos ossos para identificar a idade do organismo.
Os resultados coincidiam com as idades estimadas dos inconfidentes, ao morrer. No caso específico de José Resende Costa, havia 140 fragmentos de ossos do crânio. Com a ajuda de tomografia computadorizada, foi possível reconstituir a imagem em três dimensões. O documento foi enviado à Universidade de Londres, na Inglaterra, onde foi gerada a imagem da possível face do inconfidente, que tinha muitas características semelhantes às de um trineto de Resende Costa.
PROGRAMAÇÃO
SEMANA DA INCONFIDÊNCIA
Em Belo Horizonte
- 22/4, às 15h30 – Exibição do filme “Os Inconfidentes”, dirigido por Joaquim Pedro de Andrade. Na sede do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais (IHGMG), na Rua Guajajaras, 1.268, Bairro Santo Agostinho
- 23/4, às 16h – Encontro informal “O Palácio da Liberdade”, com o coronel PM Paulo Duarte Pereira, na sede do IHGMG. Aberto ao público
- 24/4, às 14h30 – Primeira reunião aberta do Grupo de Estudo sobre a Inconfidência Mineira, coordenada por Antonio Marcos Nohmi e José Carlos Serufo. Na sede do IHGMG, aberta ao público
- 25/4, às 10h – Palestra “A Inconfidência Mineira e o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro: notas sobre a origem de um fato e suas narrativas”, com o professor João Pinto Furtado, da Universidade Federal de Minas Gerais
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- 26/4, às 9h – Ato cívico na Praça Tiradentes (Região Centro-Sul), com aposição de coroa de flores e hasteamento de bandeiras junto à estátua de Tiradentes (em parceria com a Polícia Militar e a Câmara de Dirigentes Lojistas de BH)
