Sou profundo admirador do céu noturno, das estrelas solitárias e constelações, da Lua, do brilho de Vênus, enfim, escureceu, e tendo oportunidade, cá estou eu contemplando o infinito. Com a recente missão científica Artemis II, fiquei ainda mais empolgado ao admirar os espetáculos do espaço, me lembrando sempre do Observatório Astronômico Frei Rosário, fechado desde a pandemia, localizado no topo da Serra da Piedade, em Caeté. A passeio ou a trabalho, fazendo aqui na Terra a cobertura de eclipses do Sol e da Lua, foram muitas “viagens” aos mistérios do firmamento.

Entrei em contato com a Universidade Federal de Minas Gerais, responsável pelo Observatório da Serra da Piedade, para saber quando ele voltará à cena. De início, há uma boa notícia. A partir de parceria firmada, no ano passado, com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), a universidade planeja transformar o espaço em campus avançado de extensão e divulgação científica. O objetivo é promover atividades educativas e científicas destinadas à população.

Novo conselho diretor foi instituído para dar forma ao projeto, conduzir o processo e modernizar a gestão do patrimônio. No momento, a UFMG trabalha na elaboração de um plano de trabalho e em definições de instrumentos da parceria com a equipe técnica do TJMG. “Embora ainda não haja data exata para a retomada das visitas, as ações em curso visam garantir a sustentabilidade e a valorização deste importante centro científico e cultural de Minas. O Observatório terá seu histórico e equipamentos preservados e fortalecidos no novo modelo”, informa a instituição de ensino superior.

MISSÃO

Marco da astronomia mineira, o Observatório da Serra da Piedade foi inaugurado em 9 de novembro de 1972, três anos após a primeira viagem do homem à Lua, ocorrida em 20 de julho de 1969, na missão norte-americana Apollo 11. A construção da estrutura em área da Cúria Metropolitana de Belo Horizonte se tornou possível graças ao entendimento do professor Francisco de Assis Magalhães Gomes com o então bispo dom João Resende Costa, sendo feito um comodato para cessão do espaço. No alto da montanha, há uma basílica com a imagem da padroeira de Minas, Nossa Senhora da Piedade, atribuída a Aleijadinho.

Onze anos antes da inauguração do Observatório, o Brasil se filiou à União Astronômica Internacional (IAU) por proposta do astrônomo Abrahão de Moraes, do Instituto de Astronomia e Geofísica da USP. Em março de 1964, foi criada, no âmbito do CNPq, a Comissão Brasileira de Astronomia. Tais acontecimentos fomentaram o movimento que viria a desencadear a construção do Observatório da Serra da Piedade.

Para a comunidade astronômica mineira, a Serra da Piedade revelou grande potencialidade ao abrigar um observatório astronômico de menor porte, capaz de realizar pesquisas complementares às desenvolvidas em Brasópolis (Sul do estado), onde fica o Observatório do Pico dos Dias. Contribuiria, assim, eficaz e rapidamente, para a formação de astrônomos pela UFMG, nos níveis de graduação e pós-graduação.

Então, caro leitor, quando tiver oportunidade, e ficar distante da luminosidade das grandes cidades, faça como o compositor Cartola: “Corra e olhe o céu”. O resultado será, sem dúvida, brilhante.

IEPHA-MG/DIVULGAÇÃO

O PODER DAS ÁGUAS QUE REGAM...

Quem já esteve em Poços de Caldas conhece bem o poder das águas que atraíram visitantes ilustres a exemplo do imperador dom Pedro II e a imperatriz Teresa Cristina. Prazer, saúde e natureza andam juntos por esses cantos. E, agora, o conjunto hidrotermal e hoteleiro ganha mais reconhecimento como patrimônio cultural material de Minas. A decisão do Conselho Estadual do Patrimônio Cultural (Conep) reforça a importância histórica, urbana, paisagística e turística do município, cuja formação está diretamente ligada às águas termais. O tombamento teve como base o dossiê técnico elaborado pelo Iepha-MG. O secretário de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG), Leônidas Oliveira, diz que a decisão evidencia uma característica singular de Poços de Caldas. “Poços de Caldas é um caso singular no Brasil: uma cidade que se estruturou e se desenvolveu a partir de um complexo hidrotermal e hoteleiro, onde arquitetura, paisagem e vocação turística nasceram de forma integrada”.


...A HISTÓRIA DE POÇOS DE CALDAS

Ao longo do tempo, a história de Poços de Caldas está associada às águas termais. Com a abertura dos primeiros poços, em 1826, o município se consolidou como estância de saúde, lazer e turismo, dando origem a um modelo urbano planejado, marcado pela integração entre edificações monumentais, praças, parques, fontes e equipamentos públicos. O conjunto tombado reúne bens representativos de diferentes períodos históricos, com destaque para a fase de maior expansão urbana entre as décadas de 1930 e 1940. Entre os principais marcos estão o Palace Hotel, o Palace Cassino, as Thermas Antônio Carlos, o Parque José Affonso Junqueira e a Praça Pedro Sanches. A proteção também abrange praças, parques, monumentos, fontes, coretos, elementos artísticos integrados, trechos de ribeirões urbanos e áreas de entorno, com diretrizes voltadas à preservação da ambiência urbana e da paisagem cultural. “Ao proteger esse conjunto, preservamos não apenas edificações, mas uma forma de organização do território que faz de Poços de Caldas uma referência histórica de turismo, saúde e cultura em Minas”, acrescenta o titular da Secult-MG.

 

MPMG/DIVULGAÇÃO


PAREDE DA MEMÓRIA

Nascido em 21 de abril de 1870, João de Cerqueira Lima foi um dos fundadores da Companhia Industrial Itaunense, que começou a funcionar em 1911. Em 1961, no cinquentenário da empresa e quase duas décadas após o falecimento do português que chegou ao Brasil ainda criança com a família, foi feito um busto para homenageá-lo, mas a peça com 65 centímetros de altura e 60cm de largura desapareceu (não se sabe exatamente quando), e consta da lista de bens procurados pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). Integrando o Monumento aos Fundadores da Companhia Industrial Itaunense, em Itaúna, o busto tem tombamento municipal. Conforme descrição da plataforma Sondar/MPMG, "guarda características arquitetônicas de influência modernista, constituída da leveza dos traços retos e planos, configurando em concreto a ideia de um fundo em tecido, forte o suficiente para suportar o busto de seu diretor e os medalhões dos demais membros da primeira diretoria da companhia". Na véspera do dia em que o empresário faria aniversário, fica o registro e a esperança de que a peça seja devolvida.

FIP/DIVULGAÇÃO


OFICINA DE CERÂMICA

De hoje a sexta-feira (24/4), no Museu Casa de João e Israel Pinheiro, em Caeté, tem a segunda etapa da oficina de cerâmica. À frente do projeto, a Fundação Israel Pinheiro (FIP) busca valorizar cultura e arte, oferecendo atividades voltadas exclusivamente para a população local com objetivo de gerar emprego e renda. O artista Carlos Perret coordenará os trabalhos, formando 30 pessoas previamente inscritas. Na oficina, os participantes vão aprender técnicas de criação e pintura de peças de cerâmica, estando aptos para produzir e vender seus produtos. Em julho, após sua reabertura, o museu terá um espaço específico para que os novos artesãos vendam suas peças. Com vocação histórica para a milenar arte da cerâmica, Caeté forneceu boa parte dos tijolos usados na construção dos primeiros prédios de BH. Ex-governador de Minas, João Pinheiro (1860-1908) foi o responsável pela criação desta atividade na região, em meados dos anos 1890.

Grupo Escoteiro do Mar Encouraçado Minas Geraes/Divulgação


ESCOTEIROS

No sábado, a sede do Instituto Histórico de Geográfico de Minas Gerais, em BH, abriu as portas para homenagear o movimento escoteiro no estado – de forma especial, à União dos Escoteiros do Brasil/MG (UEB). Foi uma celebração de reconhecimento público à história do escotismo, fundado em 1907 pelo militar britânico Robert Stephenson Smyth Baden-Powell. Em Minas, há, atualmente, 133 grupos escoteiros em atividade, em 76 municípios.

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LANÇAMENTO DE LIVRO

Será lançado amanhã (21/4), em Santa Luzia, o livro “João Habian – Os passos do homem que atravessou continentes, ergueu muros e tocou almas”, de Walter Caetano Pinto. A obra conta parte da história do religioso (1917-1996) natural da Eslovênia, que chegou ao Brasil após o fim da Segunda Guerra Mundial. Padre João, cujos 40 anos de falecimento serão lembrados amanhã, trabalhou nas paróquias de Nova União (1948 a 1962) e Santa Luzia (de 1962 a 1995). O lançamento será no Instituto São Jerônimo (Rua Floriano Peixoto, 409, no Centro Histórico), após a missa celebrada às 9h.

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