UFMG e Tribunal de Justiça de Minas Gerais firmam parceria para transformar Observatório Astronômico da Serra da Piedade em campus avançado de extensão
Inaugurado em 1972, no alto da Serra da Piedade, Observatório Frei Rosário, da UFMG, sempre teve grande importância científica, educativa e turística - (crédito: FOCA LISBOA/UFMG/DIVULGAÇÃO )
crédito: FOCA LISBOA/UFMG/DIVULGAÇÃO
Sou profundo admirador do céu noturno, das estrelas solitárias e constelações, da Lua, do brilho de Vênus, enfim, escureceu, e tendo oportunidade, cá estou eu contemplando o infinito. Com a recente missão científica Artemis II, fiquei ainda mais empolgado ao admirar os espetáculos do espaço, me lembrando sempre do Observatório Astronômico Frei Rosário, fechado desde a pandemia, localizado no topo da Serra da Piedade, em Caeté. A passeio ou a trabalho, fazendo aqui na Terra a cobertura de eclipses do Sol e da Lua, foram muitas “viagens” aos mistérios do firmamento.
Entrei em contato com a Universidade Federal de Minas Gerais, responsável pelo Observatório da Serra da Piedade, para saber quando ele voltará à cena. De início, há uma boa notícia. A partir de parceria firmada, no ano passado, com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), a universidade planeja transformar o espaço em campus avançado de extensão e divulgação científica. O objetivo é promover atividades educativas e científicas destinadas à população.
Novo conselho diretor foi instituído para dar forma ao projeto, conduzir o processo e modernizar a gestão do patrimônio. No momento, a UFMG trabalha na elaboração de um plano de trabalho e em definições de instrumentos da parceria com a equipe técnica do TJMG. “Embora ainda não haja data exata para a retomada das visitas, as ações em curso visam garantir a sustentabilidade e a valorização deste importante centro científico e cultural de Minas. O Observatório terá seu histórico e equipamentos preservados e fortalecidos no novo modelo”, informa a instituição de ensino superior.
MISSÃO
Marco da astronomia mineira, o Observatório da Serra da Piedade foi inaugurado em 9 de novembro de 1972, três anos após a primeira viagem do homem à Lua, ocorrida em 20 de julho de 1969, na missão norte-americana Apollo 11. A construção da estrutura em área da Cúria Metropolitana de Belo Horizonte se tornou possível graças ao entendimento do professor Francisco de Assis Magalhães Gomes com o então bispo dom João Resende Costa, sendo feito um comodato para cessão do espaço. No alto da montanha, há uma basílica com a imagem da padroeira de Minas, Nossa Senhora da Piedade, atribuída a Aleijadinho.
Onze anos antes da inauguração do Observatório, o Brasil se filiou à União Astronômica Internacional (IAU) por proposta do astrônomo Abrahão de Moraes, do Instituto de Astronomia e Geofísica da USP. Em março de 1964, foi criada, no âmbito do CNPq, a Comissão Brasileira de Astronomia. Tais acontecimentos fomentaram o movimento que viria a desencadear a construção do Observatório da Serra da Piedade.
Para a comunidade astronômica mineira, a Serra da Piedade revelou grande potencialidade ao abrigar um observatório astronômico de menor porte, capaz de realizar pesquisas complementares às desenvolvidas em Brasópolis (Sul do estado), onde fica o Observatório do Pico dos Dias. Contribuiria, assim, eficaz e rapidamente, para a formação de astrônomos pela UFMG, nos níveis de graduação e pós-graduação.
Então, caro leitor, quando tiver oportunidade, e ficar distante da luminosidade das grandes cidades, faça como o compositor Cartola: “Corra e olhe o céu”. O resultado será, sem dúvida, brilhante.
IEPHA-MG/DIVULGAÇÃO
O PODER DAS ÁGUAS QUE REGAM...
Quem já esteve em Poços de Caldas conhece bem o poder das águas que atraíram visitantes ilustres a exemplo do imperador dom Pedro II e a imperatriz Teresa Cristina. Prazer, saúde e natureza andam juntos por esses cantos. E, agora, o conjunto hidrotermal e hoteleiro ganha mais reconhecimento como patrimônio cultural material de Minas. A decisão do Conselho Estadual do Patrimônio Cultural (Conep) reforça a importância histórica, urbana, paisagística e turística do município, cuja formação está diretamente ligada às águas termais. O tombamento teve como base o dossiê técnico elaborado pelo Iepha-MG. O secretário de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG), Leônidas Oliveira, diz que a decisão evidencia uma característica singular de Poços de Caldas. “Poços de Caldas é um caso singular no Brasil: uma cidade que se estruturou e se desenvolveu a partir de um complexo hidrotermal e hoteleiro, onde arquitetura, paisagem e vocação turística nasceram de forma integrada”.
...A HISTÓRIA DE POÇOS DE CALDAS
Ao longo do tempo, a história de Poços de Caldas está associada às águas termais. Com a abertura dos primeiros poços, em 1826, o município se consolidou como estância de saúde, lazer e turismo, dando origem a um modelo urbano planejado, marcado pela integração entre edificações monumentais, praças, parques, fontes e equipamentos públicos. O conjunto tombado reúne bens representativos de diferentes períodos históricos, com destaque para a fase de maior expansão urbana entre as décadas de 1930 e 1940. Entre os principais marcos estão o Palace Hotel, o Palace Cassino, as Thermas Antônio Carlos, o Parque José Affonso Junqueira e a Praça Pedro Sanches. A proteção também abrange praças, parques, monumentos, fontes, coretos, elementos artísticos integrados, trechos de ribeirões urbanos e áreas de entorno, com diretrizes voltadas à preservação da ambiência urbana e da paisagem cultural. “Ao proteger esse conjunto, preservamos não apenas edificações, mas uma forma de organização do território que faz de Poços de Caldas uma referência histórica de turismo, saúde e cultura em Minas”, acrescenta o titular da Secult-MG.
MPMG/DIVULGAÇÃO
PAREDE DA MEMÓRIA
Nascido em 21 de abril de 1870, João de Cerqueira Lima foi um dos fundadores da Companhia Industrial Itaunense, que começou a funcionar em 1911. Em 1961, no cinquentenário da empresa e quase duas décadas após o falecimento do português que chegou ao Brasil ainda criança com a família, foi feito um busto para homenageá-lo, mas a peça com 65 centímetros de altura e 60cm de largura desapareceu (não se sabe exatamente quando), e consta da lista de bens procurados pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). Integrando o Monumento aos Fundadores da Companhia Industrial Itaunense, em Itaúna, o busto tem tombamento municipal. Conforme descrição da plataforma Sondar/MPMG, "guarda características arquitetônicas de influência modernista, constituída da leveza dos traços retos e planos, configurando em concreto a ideia de um fundo em tecido, forte o suficiente para suportar o busto de seu diretor e os medalhões dos demais membros da primeira diretoria da companhia". Na véspera do dia em que o empresário faria aniversário, fica o registro e a esperança de que a peça seja devolvida.
FIP/DIVULGAÇÃO
OFICINA DE CERÂMICA
De hoje a sexta-feira (24/4), no Museu Casa de João e Israel Pinheiro, em Caeté, tem a segunda etapa da oficina de cerâmica. À frente do projeto, a Fundação Israel Pinheiro (FIP) busca valorizar cultura e arte, oferecendo atividades voltadas exclusivamente para a população local com objetivo de gerar emprego e renda. O artista Carlos Perret coordenará os trabalhos, formando 30 pessoas previamente inscritas. Na oficina, os participantes vão aprender técnicas de criação e pintura de peças de cerâmica, estando aptos para produzir e vender seus produtos. Em julho, após sua reabertura, o museu terá um espaço específico para que os novos artesãos vendam suas peças. Com vocação histórica para a milenar arte da cerâmica, Caeté forneceu boa parte dos tijolos usados na construção dos primeiros prédios de BH. Ex-governador de Minas, João Pinheiro (1860-1908) foi o responsável pela criação desta atividade na região, em meados dos anos 1890.
Grupo Escoteiro do Mar Encouraçado Minas Geraes/Divulgação
ESCOTEIROS
No sábado, a sede do Instituto Histórico de Geográfico de Minas Gerais, em BH, abriu as portas para homenagear o movimento escoteiro no estado – de forma especial, à União dos Escoteiros do Brasil/MG (UEB). Foi uma celebração de reconhecimento público à história do escotismo, fundado em 1907 pelo militar britânico Robert Stephenson Smyth Baden-Powell. Em Minas, há, atualmente, 133 grupos escoteiros em atividade, em 76 municípios.
Será lançado amanhã (21/4), em Santa Luzia, o livro “João Habian – Os passos do homem que atravessou continentes, ergueu muros e tocou almas”, de Walter Caetano Pinto. A obra conta parte da história do religioso (1917-1996) natural da Eslovênia, que chegou ao Brasil após o fim da Segunda Guerra Mundial. Padre João, cujos 40 anos de falecimento serão lembrados amanhã, trabalhou nas paróquias de Nova União (1948 a 1962) e Santa Luzia (de 1962 a 1995). O lançamento será no Instituto São Jerônimo (Rua Floriano Peixoto, 409, no Centro Histórico), após a missa celebrada às 9h.