Setecentas pessoas bloquearam os trilhos da Estrada de Ferro Vitória-Minas, em Tumiritinga, no Vale do Rio Doce, para denunciar descaso e impunidade, além de cobrar da justiça brasileira medidas contra o crime cometido pela Samarco há pouco mais de 10 anos. Em 5 de novembro de 2015, o rompimento da Barragem do Fundão, em Mariana, na Região Central do estado, provocou o derramamento de 40 milhões de metros cúbicos de lama e rejeitos de minério de ferro na Bacia do Rio Doce.

O protesto começou na madrugada desta segunda (9/3) e faz parte da Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra 2026.

Edilene Costa, que trabalha na direção regional da Bacia do Rio Doce do MST, destacou que essa não é uma luta isolada, mas faz parte de todo um projeto de reivindicação já existente. A data, logo após o Dia Internacional das Mulheres, celebrado nesse domingo (8/3), já é marcante para o movimento e suas reivindicações.

Com slogans como “Reforma agrária popular: Enfrentar as violências, ocupar e organizar!” e “Sem anistia aos crimes da mineração!”, as manifestantes relembram todos aqueles que foram atingidos pelos crimes ambientais da Samarco e seguem sem reparação.

Elas acreditam que o julgamento signifique não só a reparação e os direitos garantidos de todas as pessoas e comunidades atingidas, mas também desenvolva ações de restauração ambiental e agroecológica da Bacia do Rio Doce.

Os 10 mil hectares (52 assentamentos) que ainda precisam ser restaurados e a indenização individual para 2 mil trabalhadores rurais Sem Terra atingidos pelo crime da Samarco ainda não foram executados pela mineradora.

Em nota enviada ao Estado de Minas, a Samarco afirma ter conhecimento da manifestação no trecho da ferrovia EFVM. A empresa informa ainda que "reafirma seu compromisso com a reparação dos afetados, de acordo com o Novo Acordo do Rio Doce" e que o acordo tem função de oferecer clareza e efetividade nas medidas de reparação."

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* Estagiário sob supervisão da subeditora Tetê Monteiro

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