As homenagens a todas elas começaram ontem, 8 de março, Dia Internacional da Mulher, e prosseguem aqui na coluna com reverência especial à mineira de 90 anos que traduz a vida em poesia – no feminino, singular, universal. Na cidade onde nasceu e reside, a autora do recém-lançado “Jardim das oliveiras” é o destaque da exposição “Adélia Prado – Filha de Divinópolis”, em cartaz no Museu Histórico até 29 de março.
Há muito para se ver no centenário casarão que, agora, se abre para contar a trajetória da ganhadora, em 2024, dos prêmios Camões e Machado de Assis, esse da Academia Brasileira de Letras. Assim, de coração e portas abertas, Divinópolis aguarda os visitantes. A realização é da prefeitura local, via Secretaria Municipal de Cultura (Semc), que, em 2026, terá todas as ações vinculadas ao Ano Cultural Adélia Prado, segundo o titular da Semc, secretário Mardey Russo.
Vestido de noiva
“As pessoas fazem uma imersão na vida e na obra de Adélia Prado. São seis ambientes com muitos atrativos, envolvendo literatura e intimidade, e interpretação do cotidiano da poeta”, diz a arquiteta Amanda Rezende, responsável pela expografia, curadoria e coordenação da mostra. No espaço que apresenta os livros de autoria de Adélia, há também exemplares de outros que a acompanham desde a infância, entre eles os de Monteiro Lobato, Guimarães Rosa e Clarice Lispector.
A imaginação do visitante vai viajar, certamente, pelo cantinho, com mesa e cadeira, usado por Adélia para escrever seus poemas, e réplicas de manuscritos nunca publicados em livros. Há também a recriação da cozinha de sua casa, uma interpretação do livro “Bagagem”, de 1976, primeiro editado, além de esculturas, retratos, documentos, quadros, mobiliário e objetos que procuram transmitir os sentimentos que permeiam a obra da “filha de Divinópolis”.
Como forma de ilustrar a forte religiosidade de Adélia Prado, católica praticante, o amor pela família e a devoção pela língua portuguesa, a exposição inclui um vestido de noiva e conjunto de bordados, feitos na região, artesanato e a caligrafia da escritora.
Conjunto de bordados, feitos na região, representam a religiosidade da escritora mineira
EQUIPE
Conforme conta a curadora Amanda Rezende, voluntária no projeto da Secretaria Municipal de Cultura, uma grande equipe esteve envolvida na produção da mostra. Expografia, produção e execução da exposição ficaram a cargo do designer de interiores, Abel Antônio, e do designer Diego Carneiro. Já o quadro Parâmetro veio pelas mãos da artista plástica Karol Canto.
O escultor Fábio Francino criou a Menina Luzia – por ter nascido em 13 de dezembro, dia dedicado a Santa Luzia, a escritora se chama Adélia Luzia. Sob a coordenação Patrícia Aparecida Monteiro, Eliza Dias Moller e Cristiane Gontijo Victer, um grupo de mulheres se esmerou nos bordados, inclusive levando ao tecido, com linha, agulha e talento, poemas do tempo em que Adélia usava o pseudônimo “A franciscana”. São as bordadeiras Cleide Costa de Freitas Assunção Jardim, Cristina Maria Gonçalves, Eugênia Cristina Silva, Kênia Ferreira Machado, Laura Mendes Santos, Lúcia Maria Ferreira, Luiza Antonieto Franco, Mayra Fernandes Oliveira e Micaela Dionízia da Conceição.
A poltrona “Adélia” nasceu da criatividade do designer de mobiliário e arquiteto Francisco Oliveira, e o vestido de noiva “Entrelinhas”, da designer de moda Cristiane Victer. Há também o livro de poesias “Desejo Grafado”, da escritora Alessandra Amaral. Mais informações no instagram @culturadedivinopolis
O Museu Histórico fica na Praça Dom Cristiano, mais conhecida como Praça da Catedral, 328, no Centro de Divinópolis. Aberto de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, e aos sábados e domingos das 9h às 12h. Entrada gratuita. A mostra sobre Adélia Prado ficará em cartaz até 29 de março.
PASSADOS MAIS DE 20 ANOS...
Os bons ventos da preservação do patrimônio sopram sobre a terra de JK e Chica da Silva. Já foram entregues as obras de restauração da Casa do Intendente dos Diamantes Manoel Ferreira da Câmara Bethencourt e Sá, imóvel do século 18 pertencente à Mitra Arquidiocesana de Diamantina. Fechado ao público havia mais de duas décadas, ele passou por intervenções estruturais e artísticas executadas pela instituição religiosa com recursos destinados pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). Investimento de R$ 1 milhão, com serviços realizados ao longo de dois anos. Com iniciativa viabilizada pela Coordenadoria das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais (CPPC), o sobrado deverá abrigar um museu, com inauguração prevista para este semestre.
...CASA DO INTENDENTE ABRE AS PORTAS
O projeto de restauro da Casa do Intendente dos Diamantes foi selecionado por meio da plataforma Semente, que analisa projetos de relevância social e cultural para recebimento de recursos de medidas compensatórias (multas e indenizações). Faz parte da segunda fase do programa Minas para Sempre, do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça de Defesa do Meio Ambiente (Caoma)/MPMG. Os serviços contemplaram recuperação de elementos arquitetônicos, restauro de pinturas e forros, readequação estrutural para garantir acessibilidade universal e outros serviços.
PAREDE DA MEMÓRIA
Sabe as 30 charretes movidas a tração animal que trafegam em Tiradentes? Pois a cena começa a fazer parte do passado, e, com o tempo, será realmente um retrato na parede da memória. Na quinta-feira (5), o Ministério Público de Minas Gerais entregou ao município 10 modelos elétricos, iniciativa que marca um grande passo para total substituição das charretes usadas nos passeios turísticos. O objetivo é preservar a tradição local e manter a atividade dos charreteiros com inovação ao lado de responsabilidade social, ambiental e institucional. A entrega das charretes elétricas foi acompanhada pela Coordenadoria Estadual de Defesa dos Animais (Ceda/MPMG), em apoio à Promotoria de Justiça de São João del-Rei. Um dos propósitos da medida está no turismo consciente, na mobilidade sustentável e no respeito aos animais. A expectativa da prefeitura local é de que, até o fim do ano, as 20 charretes restantes (movidas a tração animal) sejam igualmente substituídas.
OBRA DE HISTORIADORA 1
Especialista na obra do mestre Aleijadinho e referência para estudos em arte sacra no país, a renomada Myriam Andrade Ribeiro de Oliveira lança ”Etapas de um percurso: 50 anos de atividades de uma historiadora da arte no Brasil – 1972-2022” (Editora Literíssima). No livro, ela relata sua trajetória profissional, incluindo trabalhos como o Inventário Nacional de Bens Móveis e Integrados, durante os 20 anos em que trabalhou no Iphan. Também em destaque a organização do catálogo “Aleijadinho e sua oficina” (em conjunto com Olinto Rodrigues e Antonio Fernando, Editora Capivara, 2008), com as 128 obras do mestre do Barroco. Na organização da obra, Mariana Tavares e Fátima Justiniano.
OBRA DE HISTORIADORA 2
Myriam Andrade Ribeiro de Oliveira já lançou ”Etapas de um percurso: 50 anos de atividades de uma historiadora da arte no Brasil – 1972-2022 “ em BH e Ouro Preto. No próximo sábado (14), ela estará em Tiradentes, para lançamento no Sobrado Ramalho (Rua da Câmara, 124, sede do Iphan e do Instituto Histórico e Geográfico de Tiradentes), das 18h às 20h. Já em Congonhas, será em 11 de abril, das 10h às 12h, no auditório da Romaria. Promoção da Academia de Ciências, Letras e Artes de Congonhas e do Instituto Histórico e Geográfico de Congonhas. O exemplar custa R$ 40 e pode ser adquirido na Livraria Quixote, em BH, e no site da editora (literissima.com.br).
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FESTA DA GOIABA
Está marcada para o período de 17 a 19 de abril, no histórico distrito de São Bartolomeu, em Ouro Preto, a Festa Cultural da Goiaba. Em sua 29ª edição, o tradicional evento apresenta as delícias artesanais da terra produzidas pelas famílias locais e reconhecidas como patrimônio cultural imaterial do município. Estão lá a goiabada cascão, carro chefe do charmoso vilarejo, e os doces de leite, figo, laranja, mamão e cidra, os cristalizados e em calda, além de geleias, licores, vinho de jabuticaba e muito mais. À frente, a Associação dos Doceiros e Agricultores Familiares de São Bartolomeu (Adaf). Informações no Instagram @adaf.saobartolomeu
