O carnaval de rua mais seguro do país. É assim que o prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), definiu a festa na capital durante entrevista ao EM Minas, exibido pela TV Alterosa em parceria com o Portal UAI e o jornal Estado de Minas. Reforçando isso, o chefe do Executivo municipal pediu respeito dos foliões às mulheres durante os dias da festa momesca, afirmando que elas não devem sofrer qualquer tipo de importunação. Ele frisou, ainda, que conta com a colaboração dos belo-horizontinos e turistas que vierem aproveitar o carnaval na cidade.


Entre as medidas previstas para enfrentar casos de assédio, importunação sexual e outras formas de violência durante a folia, a Polícia Militar anunciou a Cabine Rosa para centralizar e humanizar o atendimento às vítimas. Serão duas unidades, funcionando 24 horas por dia, funcionando no Centro de Operações Policiais Militares (Copom), onde fica o serviço de teleatendimento 190. O atendimento será feito exclusivamente por policiais femininas, que passaram por treinamento para oferecer escuta qualificada, acolhimento humanizado, triagem das ocorrências e encaminhamento adequado de cada caso. Em 2025, foram registradas 13 ocorrências de importunação sexual em BH, um de estupro e outra de estupro de vulnerável.


Damião fez ainda um balanço dos dez meses de gestão à frente da prefeitura, do enfrentamento ao período chuvoso e, ainda, da reclamação dos hospitais filantrópicos da capital mineira em relação aos atrasos nos repasses de verbas vindas do Ministério da Saúde.


Confira a seguir os principais trechos da entrevista. O conteúdo também está disponível no canal do Portal Uai no YouTube.

O carnaval de Belo Horizonte é, realmente, o melhor do Brasil?
É o carnaval de rua mais seguro do Brasil, de todas as capitais. Ano passado não tivemos nenhuma ocorrência grave. Mostra o quanto a gente se prepara para fazer um carnaval seguro. É o carnaval da mulher, a mulher é o que ela quiser, veste a roupa que quiser. A gente deixa isso bem claro. Pedimos essa segurança, mas lembrando que a prefeitura conta muito com a colaboração do povo. Tenho que agradecer não só à Polícia Militar e à Guarda Municipal. Agradecer ao povo que colabora para que a gente tenha um carnaval seguro. É o que preciso e quero mais uma vez: fazer um carnaval seguro para todo mundo se divertir.

Como o senhor acha que vai ser o carnaval 2026 em Belo Horizonte?
Vai ser, se Deus quiser, melhor que o do ano passado. Digo para as pessoas que aumentamos a régua demais. Belo Horizonte, em muito pouco tempo, se tornou o melhor carnaval do Brasil. Isso são números da Embratur. Estamos entre as capitais mais procuradas. A minha preocupação é com a segurança das pessoas. É o folião ir para rua e voltar para casa.

Um recado para o folião, para o belo-horizontino e para o turista que vai curtir o carnaval na capital mineira.
Segurança. Não mexa com as pessoas, respeite a mulher. A mulher é o que ela quiser, ela veste a roupa que ela quiser. Não é porque ela colocou um decote que está dando bola para você. Ela quer felicidade, uma vida tranquila, o momento para ela. Respeite isso. Nos ajude com a segurança e não faça “pipi” no chão, porque a Guarda Municipal está orientada a pegar você pela blusa e levar no primeiro “pipimóvel”.

Tem algum detalhe relacionado à segurança que tenha sido melhorado ou que está diferente comparado ao ano passado?
Identificamos alguns pontos que precisamos melhorar. Ano passado, o bloco do Alok foi um fenômeno e pegou muita gente de surpresa, inclusive a própria prefeitura. Você não imaginava 1 milhão de pessoas na (Avenida) Afonso Pena. Não tivemos nenhum problema, mas tivemos que abrir as portas do Parque Municipal para alguém não ser esmagado ali, porque era muita gente. Esse ano, por exemplo, teremos pessoas preparadas para poder abrir. Não vai precisar de eu ficar em cima do trio pedindo para abrir os portões do Parque Municipal. Já vai ter uma equipe preparada para fazer isso, se preciso for.

O senhor citou que no ano passado teve o trio do Alok e que também foi criticado por ser um grande nome da música invadindo o carnaval de Belo Horizonte. Acha que esse espaço que o carnaval de BH tem dado para esses grandes nomes da música brasileira atrapalha o carnaval de rua dos pequenos blocos, por exemplo?
Foi criticado por meia dúzia de pessoas, a maior parte elogiou. Algumas criticaram o fato de ele ser um artista nacional. A prefeitura não envolveu dinheiro público naquilo. O Alok veio de graça, fez um evento maravilhoso e não tivemos custo com isso. Ninguém está invadindo o carnaval de ninguém. O carnaval é feito para as pessoas, para o povo e os cantores da mesma forma. Agora eles querem (cantar em BH) porque cresceu de tal forma que todo mundo quer a visibilidade do carnaval. Aí você vai fazer o quê? Trancar o carnaval para não poder vir um cantor nacional tocar aqui? A prefeitura não vai fazer investimento financeiro nisso. O que estamos fazendo é parceria com esses grandes cantores. Estamos fazendo essa interação entre os blocos de Belo Horizonte e os grandes artistas. Mas não é proibir o grande artista de tocar aqui. 

Não é favorecer o grande artista desfavorecendo os que fizeram o carnaval. Não fazemos isso, valorizamos os que estão aqui. Não tivemos um grande patrocínio como no ano passado. Ano passado fizemos um investimento nos blocos. Este ano, mesmo sem um grande patrocínio, a prefeitura investiu a mesma coisa, só que agora com o dinheiro da prefeitura. Entendemos que esses blocos menores precisam desse aporte para poder sair.

Alguns blocos pequenos têm relatado dificuldade de estar no páreo para receber a verba do subsídio da prefeitura. O que o senhor diz para esses pequenos blocos que não conseguem ser agraciados com esse dinheiro?
É um processo formal dentro da prefeitura. Ninguém escolhe dar tanto para esse ou aquele. O bloco que não consegue o aporte é porque não tem documentação necessária. Nós dividimos entre aqueles cadastrados que podem receber, ninguém fica de fora. Dividimos (a verba) entre todos os blocos, blocos caricatos, escolas de samba. Mas têm aqueles que recebem uma cota e acham que não é suficiente. Entendo isso, mas eles têm que entender que não conseguimos pagar tudo o que o bloco precisa. É por isso que a prefeitura busca patrocinadores, e os blocos também têm que buscar. É isso que a gente pede, principalmente para os menores (blocos).

O senhor considera que o carnaval este ano, comparado com o ano passado, teve melhorias significativas? Quais seriam elas? Por exemplo, a questão dos ambulantes.
Vamos aprimorando. São 14 mil pessoas, aproximadamente, credenciadas para trabalhar no carnaval. Muitos reclamaram no ano passado que eram obrigados a vender a cerveja da cervejaria que estava patrocinando, e a gente explicava que isso era só no circuito (oficial dos blocos). Este ano, a prefeitura resolveu não brigar por cervejaria. A minha preocupação é com essas pessoas. Para os que recolhem material reciclável, teremos creches para acolher as crianças dessas mães. Os kits que não tivemos este ano, porque não tivemos uma grande cervejaria nos patrocinando, vamos trabalhar para que em 2027 a prefeitura dê o kit com a marca de Belo Horizonte e da Belotur. Não vai precisar de cervejaria bancar.

Nem todos os ambulantes que fizeram o cadastro foram retirar a credencial…
E tem aqueles que foram retirar e depois queriam vendê-la. Já colocamos a Guarda Municipal, e agradecemos a parceria com as polícias Civil e Militar, para identificar quem está vendendo. Quem vende e quem compra, imediatamente, está fora de qualquer processo de credencial durante o meu mandato.

Neste mês, no dia 3, o senhor completou dez meses à frente da prefeitura. O que o senhor considera como ações positivas já feitas nesse período?
A adoção do Anel Rodoviário. É uma responsabilidade da prefeitura cuidar. Lembrando que tem uma parte dele que ainda não é da prefeitura, é do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), e é justamente onde estamos tendo problema. Vai da (Avenida) Cristiano Machado até a saída para Sabará. Mas mesmo sendo do Dnit, já mandamos consertar, estamos arrumando a parte onde a água inunda perto do (bairro) São Gabriel. O Anel Rodoviário hoje é outro, toneladas de lixo já foram retiradas. Tivemos chuvas fortes este ano e foram no mínimo sete (ocorrências) pelo que apuramos, mas nenhuma daquelas que tínhamos. A (Avenida) Teresa Cristina está lá do mesmo jeito. A Vilarinho, a Bernardo Vasconcelos, também, com todos esses temporais. Nenhuma ocorrência foi registrada em deslizamento nas encostas da periferia. Tudo isso, para nós, é conquista.

Estamos em um período de chuvas. Belo Horizonte se preocupa com esses temporais?
O prefeito não dorme, fica preocupado, você não sabe o que vem. Temos que nos preparar para fortes chuvas. Não perdemos ninguém, até agora, por causa das chuvas em BH.

Alguma área mais crítica atualmente?
Não. O risco geológico maior é nas encostas. Belo Horizonte é uma cidade de morros. Pessoas que moram nessas encostas são nossa preocupação, nossa preocupação é com vidas. Claro que também nos preocupamos com o bem material daquele que tem a loja invadida por água. Não queremos isso, mas contabilizamos vidas. Nenhuma vida foi perdida por causa da chuva e tivemos temporais muito mais fortes do que no ano passado. Ou seja, passamos, pelo menos por enquanto. Mas mostramos que estamos preparados para as fortes chuvas em Belo Horizonte.

Como está a pendência sobre o repasse do dinheiro aos hospitais filantrópicos de BH que reclamam da demora no repasse da verba?
Está resolvido. Resolvemos ontem (sexta-feira). Estive na Câmara de Vereadores, e agradeço ao presidente Juliano Lopes e a todos os outros 40 vereadores e vereadoras. A Câmara fez uma devolução de R$ 72 milhões para a prefeitura, que poderia colocar esse dinheiro onde quisesse, pois é ela que administra isso. Peguei esse dinheiro para colocar na saúde. Não só paguei tudo que devia aos hospitais filantrópicos, como antecipei o pagamento que estava marcado para ser feito no último dia do mês. Foi tudo pago ontem (na sexta-feira), inclusive as bonificações. Vamos ter que conversar com os hospitais filantrópicos, porque bonificação não é obrigação, mas alguns deles colocaram isso na folha e querem que a gente pague a bonificação da mesma forma como era pago antes. Mas antes tinha dinheiro sobrando. Ano passado, o prefeito Fuad (Noman) teve muita dificuldade para dar essa bonificação. Este ano já está bem claro que ela é inviável para prefeitura, temos que trabalhar com a nossa realidade. Bonificação tem que ser dada quando posso dar.

Ainda há a necessidade de uma conversa com os hospitais?
Não, já foi tudo pago. Sobre isso vamos conversar depois do carnaval. Vamos nos reunir com os hospitais para poder ver quais são as dificuldades deles. Quero ajudar, somos parceiros dos hospitais. O que vamos conversar depois do carnaval é sobre essa parceria, para mantermos uma parceria que seja saudável. Não pode é você ficar contando com um dinheiro que eu não tenho e me obrigando a pagar uma coisa que eu não sou obrigado a pagar.

O transporte público gratuito aos domingos e feriados completou dois meses. Já dá para saber se aumentou o número de passageiros?
40% aos domingos.

Como a prefeitura vê isso? Como algo positivo?
Positivo demais. A gente faz o que consegue fazer. Não posso prometer para as pessoas uma coisa que não vou conseguir fazer. Não posso brincar com o dinheiro público. Não posso dar ônibus de graça de segunda a domingo porque não tenho condições para isso, a prefeitura não tem condições de bancar isso. Sou a favor do ônibus de graça, mas tem que ter participação do governo federal para poder pagar essa conta, porque a prefeitura não paga. O empresário não vai pagar, e ele vai sair da cidade e não vai querer pagar isso. Essa conversa já está mais do que superada. Fizemos todo um trabalho para poder definir que podíamos aos domingos e isso era um sonho, dar isso para o povo. Sou uma daquelas crianças que não podia ir para o Parque Municipal, no final de semana, porque não tinha dinheiro para levar todo mundo. Quero que a pessoa vá para a igreja, vá para o parque no domingo, porque agora o ônibus é de graça.

Temos agora o Capivarã, na Lagoa da Pampulha. Como está a lagoa, realmente navegável?
A tábua de carne já está flutuando, não perca essa oportunidade. São 98% de aprovação. As pessoas que vão são entrevistadas pela Belotur assim que saem. Não tem praticamente ninguém que fale que não é legal, que tem cheiro. Estamos cuidando da lagoa, preservando-a. Mas estamos mudando o olhar para a lagoa. No meu mandato, a Lagoa da Pampulha não é instrumento político. Ninguém vai usá-la, como sempre usou, de instrumento político. Chega na época de eleição, fica prometendo limpar a lagoa.

Como está a transformação da Praça Sete na Times Square belo-horizontina?
É trazer tecnologia para a nossa cidade, melhorar o ambiente do centro da cidade. É dar luminosidade. Quando você ilumina a cidade, dá segurança. Você está preocupado com segurança pública, com quem tem loja no Centro, e esse é um dos pontos. Vamos ter um novo Centro a partir de agora. Temos que trazer mais prédios para esses locais para fazer com que as pessoas morem no Centro, porque ele já tem toda a infraestrutura.


Daí veio essa iniciativa do incentivo para a construção? Isso vai atrair as pessoas?
A empresa quer construir. Se eu der incentivo, ela constrói naquele local onde estamos incentivando. Construindo ali, vai fazer com que a prefeitura requalifique todo aquele processo. Pessoas vão morar ali, mais IPTU, melhora a vida de todo mundo e me ajuda a trazer as pessoas para mais próximo do Centro, para morarem próximo do serviço, para ter mais tempo com a família, para não se desgastar tanto da sua casa até o local de trabalho, para trabalhar em um local mais seguro. O Centro fica mais seguro com mais gente movimentando.

E esse incentivo é interessante para quem vai construir?
Claro que é. Tiramos taxas. Se você for construir numa área de BH, paga algumas taxas. Nesses locais, tiramos. A prefeitura não perde nada, só ganha. Não ganha naquele momento, mas ganha depois com a construção.

Qual o papel o senhor acha que deve ter nesta eleição para governador do estado? O que acha que deve ter essa pessoa que vai vir para esse cargo?
Confesso que é a primeira vez que vou participar de um processo eleitoral vendo de longe. Não sou candidato a nada. A pressão está em cima de quem é candidato, que tem que arrumar partido, coligação. Tenho orgulho de dizer que estou em um dos maiores partidos do Brasil. Vamos definir, com muita tranquilidade, quem vamos apoiar.

O senhor vai assumir a liderança do União Brasil?
É a posição que ocupamos hoje. Sou o principal prefeito da federação, não só do União Brasil. Da terceira maior capital do Brasil. Acho que essas coisas são bem naturais. Não fico correndo para ser isso ou aquilo. Vou esperar o momento certo, ver o que vamos fazer, pensando em Belo Horizonte. O que BH vai ganhar com o meu apoio a fulano ou beltrano.

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Quais o senhor acha que devem ser as prioridades do novo governador?
Não posso falar porque não sei quais foram as prioridades do governador Romeu Zema ou do Matheus Simões, que vai assumir. Mas se eu fosse governador, prioridade é segurança pública. Precisamos de um estado seguro, de saúde. Posso falar porque estou na capital do estado, preciso de mais dinheiro do Estado, que tem que olhar com outros olhos para a capital. Se eu fosse governador, olharia de forma diferente para Belo Horizonte, que recebe só o que tem que ser repassado. Não estou falando que não recebe, não. Só que o repassado não é o suficiente hoje para cuidar da saúde do povo de BH, porque eu não cuido só da saúde do povo da capital. Cuido da saúde do povo de Minas Gerais, e é isso que o governo do Estado tem que entender. Mais da metade das pessoas que buscam o (hospital) Risoleta Neves, por exemplo, não são daqui. São de Vespasiano, Santa Luzia, de outras cidades. 

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