Condenação do ex-presidente do Conselho de Segurança Pública (Consep) de Montalvânia aconteceu na tarde desta sexta-feira (6/2)
Foi condenado pela Justiça a 247 anos de reclusão e 18 anos de prisão um homem de 37 anos, ex-presidente do Conselho de Segurança Pública (Consep) de Montalvânia, no Norte de Minas, investigado e preso pela Polícia Civil por práticas de crimes sexuais e pornografia infantojuvenil, envolvendo dez adolescentes.
A condenação, divulgada pela Polícia Civil na tarde desta terça-feira (6/2), foi proferida pela justiça da primeira instância da Comarca de Montalvânia, chefiada pela juíza Laura Helena Xavier Ferreira.
À decisão, cabe recurso. A reportagem não conseguiu contato com advogado do defesa do réu.
O ex-presidente do Conselho de Segurança de Montalvânia, que tem pouco mais de 14 mil habitantes, foi preso pela Polícia Civil durante a Operação Sporus, em 1° de agosto do ano passado. A investigação foi conduzida pelo delegado Theles Bustorff Feodrippe de Oliveira Martins.
A prisão ocorreu na casa do suspeito, onde também foi cumprido mandado de busca e apreensão. Foram vários documentos e equipamentos eletrônicos. De acordo com informações divulgadas pela Polícia Civil, as vítimas dos crimes sexuais eram meninos. Um deles foi abusado por seis anos, dos 13 aos 18 anos, mas só fez a denúncia quando tinha 21 anos, no momento em que a operação Sporus foi deflagrada pela Policia Civil. Com o avanço das investigações, foram identificadas outras nove vítimas.
Segundo o delegado, para cometer os crimes, o homem se aproximava das vítimas oferecendo presentes e ajuda financeira para as suas famílias. Assim, ele ganhava a confiança dos adolescentes e familiares, os quais, em regra, viviam em grave vulnerabilidade social. Depois de algum tempo, o ex-presidente do Consep chamava as vítimas para irem até a sua casa, sempre nos fins de semana, onde promovia festas regadas de bebidas alcoólicas.
Quando os menores de idade já estavam embriagados, eram abusados pelo homem, que também filmava as vítimas nuas.
Vítimas dopadas
"Uma das vítimas relatou ter sido dopada várias vezes pelo suspeito, com remédios colocados em doces, momento em que perdia a consciência e era abusada sexualmente. Essa vítima, ao perceber que havia algo errado, tentou recusar os convites para frequentar a casa dele, contudo, foi chantageada com uma possível divulgação dos vídeos em que era abusada. Ele afirmou que todos iriam saber o que eles faziam quando a vítima estava em sua casa", explicou o delegado Bustorff, por ocasião das prisão do homem agora condenado a mais de 240 anos de reclusão.
Outro detalhe importante, segundo o delegado, é que o homem pressionava psicologicamente as vítimas, afirmando que sofria de depressão, manifestada pelo desejo em se matar. "Dessa forma, ele se aproveitava da vulnerabilidade das vítimas, que eram convencidas de que o abuso era algo normal."
Ainda segundo as investigações, o ex-presidente do Conselho de Segurança explorava a força de trabalho das vítimas, impondo-lhes uma rotina extremamente exaustiva de trabalhos sem remuneração, sob o pretexto de que já estava gastando muito dinheiro com elas, ajudando-as em tratamentos de saúde ou comprando-lhes presentes. (Com informações de Ivan Drummond)