Uma festa de casamento sem música não faz sentido; sem um bom serviço de limpeza, pode ser um fracasso; sem manobristas e seguranças, dificulta a vida dos convidados; e sem fotos, fica sem memória. Por isso, responsáveis por todos esses serviços foram entrevistados nesta última edição da série Casamento em Pauta. São itens que podem passar despercebidos, mas são imprescindíveis.

Casamento de Marina Pelli e Maurity Neves

Mariel Pelli/divulgação


O serviço de limpeza é um desses. Imaginem como seria a festa sem a limpeza constante dos banheiros? E quando derrama bebida no salão ou quebra taça no meio da pista? Sem esta equipe, não há festa. Eduardo Gosende, à frente da empresa Logístic, fala sobre a mão de obra qualificada nesse setor. “Nosso trabalho exige planejamento, agilidade, organização e uma equipe preparada para lidar com diferentes necessidades. Cada evento tem suas particularidades, e nosso compromisso é oferecer soluções eficientes, contribuindo para que tudo aconteça da melhor maneira possível”.


As três décadas de atuação consagraram a Logístic e Eduardo Gosende nesse meio. “A empresa surgiu quando percebi a falta de mão de obra qualificada no setor de limpeza. Percebemos que existia uma oportunidade de oferecer um serviço diferenciado, baseado em profissionalismo, qualidade e confiança”, destaca.


Comodidade

O serviço de manobrista tem relação forte com a comodidade, conforto e segurança dos convidados. Imagine uma senhora estacionando longe da entrada e depois ter que ir até o carro, sozinha, tarde da noite? Francisco Machado, mais conhecido como Chiquinho, resolve este problema com a sua Company Events, desde 1992.
“Temos uma boa referência no mercado, alguns funcionários me acompanham nessa jornada desde o começo e fazem a diferença para a empresa. Costumamos receber solicitações nominais para que eles estejam nos eventos”, destaca.


A responsabilidade no trabalho é outro diferencial da empresa, que se compromete com qualquer problema que haja em relação ao serviço. “Quando o assunto é manobrista, o importante é um trabalho com excelência e responsabilidade pois lidam com o patrimônio do cliente”.


Música, sempre

Foi um casamento que mudou os rumos do DJ Carlo Dee, que fala sobre a importância da seleção musical no casório. Ele, que trabalhava com música eletrônica desde 1997, recebeu um convite para tocar na festa após uma cerimônia em 2004. “Num primeiro momento, recusei. Achava que aquele repertório não combinaria com um casamento e que os convidados, talvez, não recebessem bem a proposta. Para minha surpresa a pista ‘bombou’ e, a partir dessa experiência, migrei para os eventos sociais no qual estou até hoje”, recorda.


“Costumo dizer que noivos animados correspondem a festas animadas”. E em relação ao seu papel como “animador” dos convidados, o DJ afirma que não usa o microfone em nenhum momento. “Acredito que a música deve cumprir esse papel naturalmente. E sempre digo que não basta tocar uma boa música, é preciso tocar a música certa, na hora certa”, declara.


A experiência do DJ se mostra importante nesse sentido, na boa condução da festa por meio da música. “No começo, os convidados querem se encontrar, conversar, cumprimentar os amigos e aproveitar o ambiente. Aos poucos, a descontração aumenta e a pista vai se animando naturalmente. O segredo é respeitar essa dinâmica, sem tentar ‘queimar músicas’ ou impor uma energia que ainda não corresponde ao clima da festa. Uma boa pista não se constrói pela pressa, mas pela capacidade de entender o momento”, completa Carlo Dee.


Os casamentos diurnos propõem novos rumos às escolhas do DJ. Carlo Dee. “Nas festas diurnas, gosto de explorar o repertório mais agradável, no momento em que os convidados ainda não estão dançando. Costumo chamar de músicas para ouvir e curtir o ambiente. Quando chega o momento da pista, a energia é mais intensa do que a de qualquer casamento noturno”, declara.


Registros

Momentos marcantes merecem registros à altura. Mesmo com o aumento do uso dos vídeos no grande dia, as fotos não perdem o seu valor. Por isso, Mariel Pelli, que tem um estúdio junto do marido Antônio Lara, recebe sempre fotografias de clientes antigas, relembrando o casamento.


“Recebo fotos de clientes que estão comemorando bodas de prata. Nesses registros vejo que mesmo antigas, as fotos são atuais, modernas, fruto de um trabalho que une moda e fotojornalismo”, conta Mariel, fazendo referência ao marido, que trabalhava como fotojornalista antes de abrirem a empresa.


Há 35 anos, os dois atuam no segmento juntos. Começaram com muitos casamentos, embora esse nem fosse o grande objetivo do casal. “As noivas gostaram do nosso estilo e tomaram conta da nossa agenda”, conta.
Esse estilo ao qual Mariel se refere tem relação com o uso do analógico, a escolha do preto e branco, ao fato de pintar fotos. Hoje, trabalhando apenas com câmera digital, mantêm o mesmo olhar de antes.


Vocação

Depois de uma trajetória que a levou à exaustão no direito, Lana Chaves decidiu se inscrever em um curso de fotografia. Mal sabia que isso acabaria se tornando uma profissão. “Em 2017, comecei a fotografar casamentos e, no ano seguinte, surgiu a oportunidade de fotografar um casamento nos Estados Unidos. Só em 2019, cheguei a fotografar 40”, conta.


Ao longo desses anos, acabou se especializando nos casamentos, primeiro porque diz que seu estilo é “documental, espontâneo e livre, e o casamento é o cenário onde isso faz mais sentido, é um dia cheio de emoção real, que não dá para repetir nem dirigir”.


Em segundo lugar, porque ela gosta de conversar e se conectar com os clientes. “Eu sempre gostei de conversar com todo mundo, com os noivos, a família e os fornecedores. Cheguei a ter clientes que mudaram a data do casamento para eu estar lá, e isso para mim foi surreal. Eu acho que o casamento é meu ponto forte porque une o que eu mais gosto: pessoas, histórias e conexão”.


Com esse diálogo e conexão, Lana produz fotos mais verdadeiras. Não por acaso, ela faz questão de chamar a atenção para o cuidado constante que tem com tendências efêmeras. “Hoje, o mercado é muito mais acelerado, existe uma quantidade enorme de informação e parece que precisamos produzir conteúdo o tempo todo para continuar sendo vistos. Também sinto que muitas referências acabam se repetindo, e isso pode fazer com que os fotógrafos se preocupem mais em acompanhar tendências do que em desenvolver o próprio olhar. Eu mesma já passei por momentos de insegurança e de questionamento sobre o valor do meu trabalho, porque é muito fácil se deixar influenciar pelo que está em alta nas redes sociais”.

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Lana conta que, como hoje as pessoas são mais imediatistas, tem uma logística que funciona para todos os lados. “Entrego uma prévia das fotos em até 48 horas após o casamento. Assim, o casal já consegue reviver um pouco daquele dia enquanto a emoção ainda está muito fresca, e eu tenho o tempo necessário para cuidar do restante das imagens com a atenção que elas merecem. Mas acho que tudo começa com uma boa conversa e com o alinhamento das expectativas desde o início. É importante que os noivos conheçam meu processo de trabalho e entendam os prazos antes mesmo de fecharem o contrato”. 

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