A turquesa é o hit do momento e esteve presente em grande parte das coleções para o inverno 2027 que os expositores do setor de bijuterias lançaram no Minas Trend. Conhecida desde a antiguidade pelas civilizações egípcias e persas e pelos povos nativos norte-americanos, ela é amplamente valorizada como um talismã de proteção, boa sorte e equilíbrio emocional.

Celso Afonso

Gladyson Rodrigues/em/d. a press


Mas os tons de azuis, que se prolongam em verdes azulados, não se restringem à pedra: estão presentes também em contas, resinas, cristais ou em um mix dessas matérias-primas, que alcançam seu auge em maxicolares e chockers. Surgem também em formas orgânicas e pingentes, misturando-se aos metais dourados e prateados, colorindo os looks de inverno.


Na Palone Design, de Natal, a matéria-prima aparece em cravações de anéis, pulseiras, brincos e colares, técnica que remete à ourivesaria. A marca alagoana Milka Pereira, em sua nona participação no Minas Trend, é outra que se concentrou na novidade, assim como a Lázara Design, na qual a estilista Lázara Ferreira investiu em várias possibilidades criativas. “Sim, a turquesa será a febre da próxima estação”, assegura. No entanto, a coleção não abandona a cartela dos terrosos, ocres, beges e afins, que predominaram na temporada anterior.

Sapatos de Marrie Josefine

Gladyson Rodrigues/em/d.a press


Para além disso, o design autoral predomina no estilo de algumas marcas. Entre elas, Heliana Lages retornou ao salão de negócios após um grande hiato, explorando a originalidade do crochê no metal em suas bijus, que faz parte do DNA do negócio.


Na Lita Raies, a coleção Reflexos foi inspirada em Monet e explora as variações da luz ao longo do dia conforme prega a escola impressionista. A design homônima apostou na ideia representada, sobretudo, por colares que se desdobram em variações de verdes, lilases e rosas e cristais variados. “Fizemos também no ouro e na prata vintage dentro do mesmo espírito”, ela explica.


Conhecido pelos volumes maximalistas, uma das propostas da marca Carlos Penna são as peças orgânicas construídas com o couro vegetal beLeaf, produzido pela empresa Nova Kearu. “Fomos selecionadas para trabalhar com essa matéria-prima, dado a identificação que a empresa teve com nosso trabalho. Esse material é, inclusive, usado pela Loewe”, conta o estilista homônimo. No segmento festa, ele aponta as bijus em recortes delicados, nas opções prata e ouro, design que lembra as criações de Paco Rabanne.


As orquídeas fazem parte da história da Anna Prata, se tornaram clássicos que, a cada estação, são ressignificadas por pérolas, cristais e banhos diversos, mas o lançamento especial é a linha Impacto, cujas formas interpretam fenômenos naturais – chuva, calor do sol, verdes da natureza, eclipse, e aparecem banhadas em ouro, prata e ródio negro.


Se as bijuterias remetem cada vez mais ao design e qualidade das joias, as bolsas e sapatos não ficam atrás em termos de criatividade. Meros acessórios de outrora, ganharam novo significado a partir dos anos 1980 numa linguagem simbólica que remete a status e poder.


A catarinense Oya é um exemplo desse requinte. A marca que, a cada coleção olha para as belezas dos estados brasileiros, dessa vez buscou a arquitetura do barroco mineiro. A referência está presente nos recortes e dobraduras, nas ferragens e alças douradas, nas matérias-primas opulentas, na marchetaria sofisticada. As bolsas forradas com camurça de cabra e a artesania elevam a criação ao patamar da alta moda.


O mesmo cuidado se aplica à mineira Anna Garzon, que transita entre o feito à mão, a modernidade e as necessidades da mulher contemporânea aliadas à qualidade das matérias-primas – avestruz, camurça e couro batido – e ao design contorcido das alças em metal, seu DNA. A estampa de leopardo é icônica na marca, a palha é importante também. Entre as novidades, destacam-se as alças de miçangas e uma pitada do color block. Na pequena linha de sapatos, a estilista investe nos saltos kitten hill e no conforto do scarpin- sapatilha.

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Flores e cor

Assim como os bicos quadrados, o color block se manifesta fortemente no setor dos calçados, como comprova o trabalho da gaúcha Lorraci. A estilista Paula Bahia, da marca homônima, revela que sentiu um desejo de cor na sua proposta para o inverno e foi atrás do verde-azeitona para representar a ideia. Ela explorou, ainda, adornos, como flores, no cabedal das peças.s flores também sempre fizeram parte das coleções da Debora Germani, só que, dessa vez, chegam elaboradas em paetês gigantes. Na linha de bolsas, a designer junta veludo com decoração em tassel colorido, plumas e bordados em miçangas. A Confraria, por sua vez, foge do romantismo e olha para o masculino: os modelos sem salto foram elaborados em couro nobre, bem no estilo anos 1980. Já a Marrie Josefine flerta com a feminilidade e tem como ponto forte do seu trabalho atual os sapatos para festas construídos em rendas e adornados em flores de tecido e em crochê. 

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