Espaços concebidos para participar de mostras de arquitetura e decoração contam histórias. A da Casa Brastemp, criada por Luísa Mano na 31ª CasaCor Minas, se apoia na tecnologia e nas referências da cultura mineira. O ambiente foi contemplado na categoria Melhor Design de Interior do Prêmio Estado de Minas de Arquitetura e Design de Interiores 2026, cujo objetivo é valorizar os talentos que estão no elenco do evento.

melhor design de interior ficou com a arquiteta luisa mano que assina a casa brastemp

FOTOS: Jair Amaral/EM/D.A Press


A arquiteta, uma jovem promissora, já foi contemplada nas duas edições anteriores da premiação, e apresenta, agora, um trabalho consistente, um espaço multiuso para comer, ler e conviver. Ao lado dos sofisticados eletrodomésticos da marca, o tom avermelhado e brilhante do cobre, historicamente presente nos tachos e panelas da cozinha de Minas Gerais, reveste os armários e se reflete nas cerâmicas assinadas pela Origem Atelier.


A pintura artística feita à mão, a rádica no balcão, o mobiliário moderno assinado por importantes designers também presentes no ambiente híbrido, pensado, segundo Luísa, para a geração Z. “Esse prêmio é importante porque passa credibilidade no mercado, impulsiona e valida o nosso trabalho. O reconhecimento de um júri qualificado significa que estamos no caminho certo”, pontua.

os profissionais ganhadores Marcelo Alvarenga, Luisa Mano, Maycon Altera, Caio Araújo, Alexandre Rousset, Gustavo Ladeira

Jair AMaral/EM/D.A Press


O que impressionou Alexandre Rousset, premiado na categoria Melhor Ambiente Conceitual da mostra com o Espaço Kazza, foi a votação em um time de profissionais muito alinhado em termos de conceito, conteúdo e autoralidade. “Foram pessoas com as quais me identifiquei e que apresentaram os melhores trabalhos. Senti que todas tiveram um pensamento novo para seus espaços e fiquei feliz de estar entre eles”, observa o arquiteto.


Esta foi a primeira vez que Alexandre recebeu um patrocínio, no caso uma indústria mineira que trabalha com cortinas e persianas. Com liberdade para criar, ele partiu para uma concepção bem artística. Nessa “instalação” dramática, o uso de uma única cor remete à geografia de Minas, onde a empresa está instalada, cujos produtos remetem à proteção solar.

Os profissionais ganhadores mariana queiróz, fernando godoy, patrícia naves, marcelo fontes, bruno campos e laís pizano que representou a paisagista flávia d’urso

Jair Amaral/EM/D.A Press


Daí que um sol ao fundo se torna o grande protagonista do ambiente, enquanto as cortinas e persianas automatizadas se movimentam em uma dança segundo a intensidade da luz, pura poesia e sentimento.

Moda

A proposta de Fernando Godoy para a Galeria Auá, uma mistura de arquitetura, moda e arte, fez com que ele ficasse com o prêmio Revelação. Em cena, está a atual coleção da Auá, marca belo-horizontina conhecida por sua ligação com a arte, cujas estampas foram inspiradas nas obras de Marcos Coelho Benjamin.


Godoy explorou o pé direito do espaço, descascou as paredes em busca dos tons originais, destacando as obras do artista. O azul, presente em seu trabalho, foi o motor de arranque do projeto, definindo também o revestimento das cadeiras de Lina Bo Bardi. Tudo se funde e o resultado é impactante. O arquiteto, que tem uma relação de 15 anos com a Auá, assinando das lojas em Belo Horizonte e São Paulo, encarou a premiação como um presente em sua estreia na CasaCor. “Foi um reconhecimento especial”.


Já a Play Arquitetura, de Marcelo Alvarenga e Juliana Figueiró, recebeu o prêmio de Melhor Ambiente Comercial pelo Rivino Bar Banca, localizado entre a área dos jardins e o Pavilhão Oca. “Nada como uma premiação para fechar um ciclo de trabalho de equipe. É muito gostoso ter essa validação”, afirma Marcelo.


Segundo ele, a ideia de conceber um quiosque-bar pequeno, para incrementar a presença das pessoas nessa área, partiu de Eduardo Faleiro, diretor da CasaCor Minas. Entre conversas e pesquisas chegou-se ao formato das bancas de jornais e revistas, equipamentos urbanos que, anteriormente, funcionavam como locais de informação e pontos de encontros de pessoas, e que se transformaram, ganhando novos usos com a era digital. Na concepção da Play, a adequação do design ganhou metal no exterior e madeira no interior, sofisticando a proposta.


Mineiridade

Foi a mineiridade que inspirou o Refúgio L-ARA, tanto no estilo da construção quanto no uso dos materiais e objetos. O ambiente, premiado na categoria Melhor Conexão com o Tema – que é Mente e Coração –, foi feito pelos sócios Gustavo Ladeira e Caio Araújo. “Ficamos muito surpresos, positivamente, quando recebemos a notícia”, garante Gustavo. Os visitantes da CasaCor poderão observar as esteiras de bambu presente nos forros, nas portas que dão para os jardins, nos balaios. O uso do gabião nas paredes, os adornos feitos à mão, a preservação de uma árvore no projeto, dentre outros detalhes interessantes.


Escolhido pelos jurados como Melhor Paisagismo, o Jardim Entretempos de Flávia D’Urso reúne vários elementos como nos jardins antigos, em que plantas, flores, ervas conviviam no mesmo espaço, sem muita definição. Nesse espaço de permanência e percursos sinuosos, formado por lajões e seixos, encontram-se várias conversações que convidam à apreciação da natureza. Flávia, cujo escritório atende clientes do Brasil inteiro, considera a premiação do Estado de Minas mais uma conquista para seu amplo currículo.


Menção honrosa


O Prêmio Estado de Minas contemplou alguns ambientes com honra ao mérito. São projetos bem avaliados pelos jurados, mas que “bateram na trave” no momento da computação dos votos. Entre eles, o Cria Café, uma concepção corajosa da Esc Arquitetura, escritório comandado por Mariana Queiróz e Patrícia Naves. Estreando na mostra, no ano passado, a dupla venceu na categoria Revelação com a Sala dos Espelhos.


“Estamos muito felizes em ser consideradas pelo júri. Nossa intenção, dessa vez, foi sair do convencional e apresentar o nosso estilo”, ressaltam. Construído com madeira de manejo florestal, o café ganhou uma arquibancada nas laterais, que convida à apreciação do jardim no pátio inferior. O mobiliário também é desenhado pelas arquitetas no mesmo material e o piso em amarelo reafirma o espírito disruptivo. “É um local para os visitantes pararem para dar uma pausa antes de concluírem o percurso da CasaCor”.

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A Bilheteria e Lobby, de autoria de Maycon Altera, também ganhou menção honrosa. “Estou me sentindo privilegiado porque, além dessa menção, meu trabalho foi capa do Caderno Feminino”, ele ressalta, Sabiamente, o arquiteto soube dividir esse espaço de transição em dois. O primeiro, técnico e burocrático, atende os visitantes, enquanto o outro os acolhe. No lobby, poltronas assinadas por Sérgio Rodrigues, do seu acervo, foram repaginadas, um bloco de mármore branco desconstruído se transforma em mesa central e a obra de Matheus Machado, composta por 36 quadros, ganha a atenção das pessoas.á o Pavilhão Oca, projeto da BCMF Arquitetos, foi inspirado nas ocas indígenas brasileiras. A construção une o vergalhão, material que fica escondido dentro do concreto, e o concreto impresso em 3D, usado na base, nos bancos e em uma bancada. “Nas construções antigas, as ocas ganhavam um trançado em fibras naturais, como se fossem cestarias. Ao invés da fibra natural, usamos o vergalhão sustentável da ArcelorMittal”, explica Marcelo Fontes, sócio do escritório. Ancestralidade e futuro se fundem no projeto resultando em um espaço multiuso, permanente, que ficará no local depois que a mostra temporária terminar. 

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