Muito da beleza da paternidade está nos aprendizados. A forma de lidar diariamente com uma criança é, certamente, uma experiência transformadora. Nesta edição do Caderno Feminino & Masculino que antecede o Dia dos Pais tratamos de pais de corpo e alma. Figuras paternas que superam desafios e absorvem lições diárias com os filhos com autismo.
Paulo César Andrade é pai de Gabriel Andrade, de 35 anos. O filho foi diagnosticado com autismo quando tinha entre quatro e cinco anos, em uma época em que a condição era bem menos falada do que hoje. Gabriel, quando bebê, não demonstrava nenhuma atitude que levasse os pais a buscarem um diagnóstico.As buscas começaram aos três anos de idade quando Gabriel parou de falar e foi um longo caminho de mais de dois anos até chegar ao diagnóstico final.
- Almoço de Dia dos Pais: cardápio para preparar de véspera e curtir a data
- Dia dos Pais: Guarda Municipal de BH reforça segurança nas áreas comerciais
Foram inúmeras consultas com vários especialistas porque na época essa condição não era tão comum e os estudos na área não estavam tão avançados como hoje. “Atualmente, as crianças que são diagnosticadas têm mais oportunidades do que naquela época”, declara Paulo, se referindo à maior inclusão em diversos ambientes e até mesmo à maior quantidade de informação disponível.
O cuidado é constante
Ao longo dos anos, Gabriel ensinou muito sobre paciência e amor ao pai. “No início, eu tive dificuldade de me adaptar, mas hoje encaro com muita naturalidade”. São muitos os casos, inclusive de momentos difíceis, que Paulo retrata. Muitas vezes, as situações adversas são resultado da saída da rotina – algo complexo para muitas pessoas com autismo. “Ele é sistemático, tem uma rotina e o ideal é não quebrá-la”. Outro ponto de preocupação que Paulo destaca é o “cuidado permanente”. “A nossa grande preocupação é o futuro, afinal de contas, vamos envelhecer antes dele”, desabafa.
Leia Mais
Tomás Ramos, filho de Ivo Saliba, foi diagnosticado com autismo com menos de dois anos
Dedicação
Tomás Ramos, filho de Ivo Saliba, foi diagnosticado com autismo com menos de dois anos. “Corremos atrás do diagnóstico depois de percebermos um olhar diferente do Tomás. De lá para cá, começamos uma ‘batalha’ de terapias constantes”, conta Ivo, chamando a atenção para o custo elevado de bons profissionais especializados na condição. “Para você ter um profissional que dê o tempo necessário para a criança, que seja especializado, é mais caro. Além disso, o tempo que dedicamos é muito grande, damos suporte o tempo todo”.
Hoje, aos oito anos, Tomás já ensina muito ao pai. “Ele me ensina coisas como pai e pessoa. Eu sempre me preocupei muito com o olhar dos outros sobre mim, e vejo que o Tomás é aquilo ali, muito autêntico seja na raiva, na felicidade ou no amor. Eu penso que tenho que me adaptar ao mundo, mas meu filho me mostra que o mundo pode pelo menos me entender”, diz.
Mais caminhos
Hoje, o autismo já é um tópico muito falado. Não é raro encontrar pessoas com cordões de identificação, o que Ivo considera uma vitória. “Vejo que com a identificação, os olhares, por mais que ainda carreguem um pouco de preconceito, são menos invasivos”, diz, reforçando como os cordões fazem com que pessoas entendam determinadas atitudes. Apesar de avanços como esse, há ainda muito preconceito, olhares estranhos e tratamentos indevidos, conforme explica Ivo.
O próprio fato de profissionais especializados serem um privilégio restrito a parte pequena da população sinaliza para a necessidade de mais debate sobre o tema.
Apoio dos irmãos
Pedro Ramos, irmão mais velho de Tomás e Henrique Andrade, irmão mais novo de Gabriel, são grandes apoios para os irmãos. “Pedro tem um carinho muito grande pelo Tomás. Acho muito legal como todos os amigos do Pedro são muito cuidadosos, parecem até que também são irmãos do Tomás”, brinca Ivo. Paulo conta que Henrique e Gabriel sempre foram amigos. “O Henrique sempre foi muito participativo com o Gabriel, ele se preocupa e nos ajuda muito sempre que pode”, destaca.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
* Estagiária sob supervisão da editora Isabela Teixeira da Costa
