Em um mundo pautado pela urgência digital e pela reprodutibilidade técnica, o erro, a textura e o toque humano tornam-se os novos indicadores de sofisticação. É sob essa premissa que a designer Mary Arantes promove, entre essa sexta-feira e domingo (10 a 12 de abril), a primeira edição de 2026 da Quermesse da Mary. Com o norte "feito à mão", o evento ocupa o antigo showrroom na Serra, em Belo Horizonte, transformando o ato de presentear no Dia das Mães em um manifesto em favor do saber artesanal.

Diferente da lógica de descarte que rege a produção industrial, a curadoria aposta em peças que carregam o tempo em sua composição. Para Mary Arantes, a valorização do artesanato contemporâneo não é apenas uma escolha estética, mas uma reação necessária.

"O interesse crescente pelo feito à mão não nasce do acaso. Ele surge como uma reação a um mundo saturado de cópias e urgências que não respeitam o ritmo humano", afirma. "O artesanal voltou porque entrega algo que o digital não consegue: autenticidade. Cerâmicas irregulares, madeira bruta e fibras naturais estão redesenhando o setor e marcando uma das tendências mais fortes deste ano."

Curadoria e intercâmbio de saberes

A Quermesse reúne 40 expositores vindos de diversos polos criativos do Brasil, incluindo Rio de Janeiro, São Paulo e o interior mineiro, com representantes de cidades como Muzambinho, São Gonçalo do Rio das Pedras, Gonçalves e Miguel Burnier. A seleção transita por moda, design, arte e gastronomia.

Arqvo e Artistas do Bairro

Quermesse da Mary/Divulgação

Um dos pilares do evento é o encontro intergeracional. A feira se consolida como um ponto onde criadores com mais de 50 anos de trajetória compartilham bancadas e experiências com jovens talentos, garantindo a renovação e o fortalecimento do artesanato brasileiro.

"Nossos clientes não compram apenas produtos, compram as histórias por trás deles. Por isso, comprar de quem faz é cada vez mais pertinente. É conhecer a técnica e o propósito de cada criativo", pontua Mary. "Ao escolhermos peças que atravessam o tempo, também escolhemos sair da lógica do excesso. Precisamos de mais presentes feitos à mão."

Experiências e gastronomia

Além da área de vendas, o evento oferece uma programação de imersão. Neste sábado (11), às 11h, o orquidófilo Reginaldo Vasconcelos ministra uma oficina gratuita sobre o cultivo de orquídeas, reforçando a proposta de bem-estar e cuidado que permeia a edição. A gastronomia artesanal e a arte brasileira completam o ambiente de troca, convidando os visitantes a desacelerar.

Adue e Ateliê Bençôi

Quermesse da Mary/Divulgação

Devagar

A a.cata é um manifesto ao tempo lento e à presença. A marca, fruto do desejo da designer Eliane Damasceno de criar um tempo de qualidade com sua filha Carolina, transforma o que seria descarte em um universo vibrante de frutas, legumes e insetos.

O trabalho é um respiro em meio à agitação do mundo corporativo. Utilizando técnicas de papel machê e upcycling, ela dá vida a peças que são, simultaneamente, leves e resistentes. Mas o encanto vai além da estética instagramável. As peças convidam a criança a aprender sobre cores, texturas e alimentação de forma tátil.

A marca reforça que, embora a natureza seja finita, a capacidade de imaginar é ilimitada. Em um mundo dominado por telas, a proposta da a.cata é um convite explícito ao pé no chão, incentivando adultos e crianças a trocarem o tablet pelo toque e pela criação conjunta. É também um lembrete gentil de que o cuidado com o planeta começa no quintal da imaginação.

Entre a pluralidade de estilos que compõe a Quermesse da Mary, o design funcional e urbano ganha protagonismo com a chegada da Adue. Comandada pela dupla paraense Ayrton Mariano e Jean Michel, a marca aporta em Belo Horizonte trazendo uma trajetória que soma duas décadas de expertise na criação de acessórios.

Ateliê Omaia e Bautti

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Desde 2006, a etiqueta se dedica a desenvolver mochilas, bolsas e itens que desafiam a efemeridade das tendências, apostando em uma estética atemporal. O grande diferencial da dupla reside na mistura de materiais, técnica que confere uma identidade cosmopolita e versátil às peças. Na prática, o resultado são acessórios pensados para o dinamismo do dia a dia, unindo resistência e um estilo autoral que dialoga perfeitamente com a proposta de inovação e curadoria afetiva defendida por Mary Arantes.

Um dos destaques que promete prender o olhar é o Estúdio Arado. Comandado por Bruno Brito em parceria com o artista Luis Matuto, o estúdio é uma imersão poética e visual no imaginário rural brasileiro. Longe de ser apenas uma estética nostálgica, o trabalho da dupla é fruto de uma pesquisa etnográfica profunda e rigorosa.

Utilizando o papel como suporte principal, o Arado produz cartazes e gravuras que resgatam ícones do cotidiano do interior - desde o galo que anuncia o amanhecer até as tradicionais folhinhas de calendário. Para além da beleza plástica, as peças funcionam como ferramentas de compreensão da formação cultural do país.

Beira e Bordadeiras de Burnier

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Essa expertise técnica e histórica permite que o estúdio transite entre a arte autoral e a consultoria estratégica, auxiliando marcas e produtores a comunicarem suas raízes de forma genuína. Na Quermesse da Mary, o público terá a chance de ver de perto como o design contemporâneo pode, e deve, honrar o Brasil de dentro.

Curioso e atemporal

A marca paulista ARQVO transforma o conceito de adorno em uma verdadeira investigação da história natural. Sob o olhar da designer Camila Alves, as joias parecem resgatadas de antigos "gabinetes de curiosidades" — aqueles espaços oitocentistas dedicados a catalogar fragmentos exóticos da fauna e da flora.

O trabalho de Camila foge do óbvio ao tratar elementos como conchas, pedras, ossos e madeiras não apenas como matéria-prima, mas como relíquias que carregam a pátina do tempo. Em vez de lapidações tradicionais, a designer aposta no respeito à forma bruta e na assimetria, criando peças que equilibram o orgânico e o simbólico.

São peças atemporais que, embora sofisticadas, preservam uma leveza lúdica, permitindo misturas que revelam uma linguagem própria feita de texturas e memórias. É, em essência, um convite para carregar junto ao corpo um pequeno fragmento do mundo natural, ressignificado pela sensibilidade artística da criadora.

Brotos Oficina e C.Alma

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O projeto Artistas do Bairro traz a delicadeza ancestral de Maria da Conceição de Paula. Natural de Águas Santas e hoje radicada no distrito de César de Pina, em Tiradentes, Maria é a personificação da resistência do fazer manual mineiro.

O que começou como uma brincadeira de criança aos oito anos, quando ganhava retalhos para se distrair enquanto a mãe frequentava clubes de costura, transformou-se em uma necessidade vital. A produção é um testemunho vivo do repasse de saberes - suas três filhas seguem seus passos, mantendo a tradição familiar pulsante ponto a ponto.

O trabalho de Maria não é apenas decorativo. É uma crônica visual do interior de Minas Gerais. Em suas peças, cenários afetivos, com jardins, ruas sinuosas e mulheres fortes na agricultura, em uma paleta vibrante que foge do óbvio e celebra a vivacidade da natureza.

Entre toalhas de mão e panos de prato até complexas roupas de cama (feitas sob encomenda), o carro-chefe da artista são os lencinhos inspirados nos lenços dos namorados portugueses. Carregados de frases carinhosas e poéticas, eles sintetizam o espírito da Quermesse: o design que carrega história, sentimento e a graciosidade de quem coloca a alma em cada agulhada.

Dafna Edery e Casa Crisálida

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Delicadeza

O Ateliê Bençôi é um refúgio de calmaria e memória. Fundado em 2017 por Carla Polese, o projeto, que floresceu e ganhou robustez durante o período da pandemia, traz para o evento uma produção ética que transforma o simples em sagrado.

A marca mergulha nas raízes mineiras para oferecer pequenos lotes de produtos artesanais afetivos, como sabonetes e fitoterápicos desenvolvidos com saberes ancestrais, velas e aromatizadores que evocam memórias olfativas e acolhimento.

O diferencial do ateliê reside na sua filosofia de sustentabilidade radical. Ao apoiar produtores locais e buscar a ressignificação de matérias-primas, Carla Polese propõe uma reflexão sobre o impacto do consumo. O que se vê não são apenas itens de cuidado pessoal, mas pontes de encantamento que traduzem a identidade mineira em fragrâncias e texturas.

O Ateliê Omaia surge como um respiro de delicadeza e consciência ambiental. Pelas mãos de Marcelo Maia, artista radicado em São Gonçalo do Rio das Pedras, o bambu deixa de ser um simples material utilitário para se transformar em crônica visual do cerrado mineiro.

O artista já encantou o público em edições anteriores com seus pássaros e lobos-guará e a coleção dedicada à flora, tudo traduzido na leveza característica de seu traço. O trabalho, que carrega a herança da vida rural e uma forte conexão com a natureza, eleva o bambu ao status de elemento sagrado — uma ponte entre o pé no chão e o onírico.

Mulheres de Barro e Cornélia Gunther

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As peças de Omaia não são apenas objetos de decoração. São manifestações de um 'bem viver que une habilidade manual e autenticidade, que celebram uma arte que respeita o tempo da matéria-prima e a espontaneidade da imaginação.

Bautti é o novo projeto de Caio Bahouth. Após anos consolidado no design de móveis e produtos, ele agora transporta sua investigação estética para o corpo, apresentando uma joalheria que se comporta como pequenas esculturas portáteis.

O metal é o protagonista absoluto das peças, que equilibram o rigor geométrico com uma fluidez quase orgânica. Na nova coleção, batizada de Aetherea, o ponto de partida é afetivo. O designer buscou inspiração em vivências com a filha no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. O resultado dessa imersão é um diálogo entre a resistência da prata e a sutileza das formas naturais, em que raízes e caules são reinterpretados em curvas minimalistas.

São anéis, brincos e colares que, embora partam de formas primárias, revelam uma complexidade instigante — joias que parecem ter nascido do encontro entre a solidez do minério e a efemeridade da natureza.

A Quermesse sempre foi um porto seguro para a convergência de talentos mineiros e, nesta edição, a curadoria de Mary Arantes reforça essa vocação ao abrir espaço para a estreia da Beira. Vinda de Muzambinho, a marca apresenta a moda como uma extensão da linguagem e da expressão pessoal.

D-Aura e Entrelinhas

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Sob o olhar criativo da artista e designer Marília Gabriela, Beira traz para o circuito da capital mineira um universo visual pautado em estampas autorais. O que se vê nas araras é o oposto do genérico: cada peça é construída com uma identidade clara, voltada para mulheres que buscam imprimir intenção no ato de se vestir.

O trabalho também dialoga com uma urgência contemporânea do setor: a responsabilidade produtiva. Ao aliar estética e consciência, utiliza tecidos com certificação ambiental, provando que a potência criativa pode — e deve — caminhar junto à sustentabilidade. A etiqueta é uma grata surpresa do design autoral do interior do estado, pronta para ser descoberta pelo público que valoriza o frescor da moda mineira.

O coletivo Bordadeiras de Burnier surge com o pulsar de um distrito de Ouro Preto situado entre trilhos, montanhas e o silêncio das Minas Gerais, e convida a uma desaceleração necessária. O projeto, que floresceu em 2021 em parceria com a Fundação de Artes de Ouro Preto (FAOP), chega à Quermesse exibindo a maturidade de quem abriu asas próprias.

Joias Monstro e Luciana Radicchi

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Sob a mentoria sensível de Denize Mattar Lima, o grupo de dez mulheres transformou o bordado em uma ferramenta de autonomia e, sobretudo, de preservação de identidade. O que se vê nos tecidos expostos é a tradução visual do território de Miguel Burnier. A fauna local — que guarda desde o lobo-guará à onça-pintada — e a flora de ipês e araucárias ganham vida em pontos que narram a história de um distrito de 175 moradores, marcado pela mineração e pela antiga estação ferroviária.

Em Burnier, bordar deixou de ser apenas técnica para se tornar um gesto de cuidado e um lugar de encontro. O trabalho das bordadeiras representa o ápice do artesanato como expressão artística. Cada peça carrega fragmentos das festas do Divino, do Congado de Santa Efigênia e da escuta da terra que o grupo pratica.

Essência

Criada em 2016, a Brotos Oficina propõe um retorno à essência do brincar. A marca traz para o evento brinquedos de madeira não estruturados que desafiam a lógica dos eletrônicos modernos, feitos por André Perillo.

O foco aqui é o protagonismo da criança. Sem regras rígidas, toquinhos de madeira se transformam em cidades ou castelos, enquanto o versátil Balancê assume formas de barco, ponte ou um aconchegante nicho de leitura. É o conceito do brincar livre materializado em um design que estimula habilidades motoras e cognitivas de forma orgânica.

Grande parte da produção utiliza madeira reaproveitada de sobras de marcenaria ou resgates de descarte. Diferente do plástico, a madeira é um material vivo, com peso, textura e aroma próprios, oferecendo um repertório tátil rico para o desenvolvimento infantil. As peças preservam as marcas naturais do tempo, celebrando a beleza das imperfeições que torna cada objeto único.

Entre os expositores, a beleza ganha uma perspectiva desacelerada com a C.alma. Criada pela maquiadora e cabeleireira Clarisse Padilha, veterana com quase 20 anos de estrada no setor, a marca belo-horizontina é um dos destaques do movimento slow beauty na capital.

Na contramão dos cosméticos industriais, a linha de cuidados faciais e capilares de Clarisse aposta em ativos naturais e óleos essenciais, livre de toxinas. É o que ela define como beleza limpa: um convite ao consumo consciente que ecoa o cuidado com alma e coração proposto pela etiqueta.

Ludi Encadernações e Magna Mater

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Com suas carteiras, Dafna Edery reflete o equilíbrio entre a tradição herdada e o design contemporâneo. Filha de um artesão marroquino, Dafna aparece no evento com peças que carregam o DNA do ofício aprendido com o pai, mas com um olhar atento às demandas de praticidade atuais.

O destaque fica para a vivacidade do couro colorido de alta qualidade, transformado artesanalmente em acessórios que priorizam a leveza e a durabilidade, frutos do cuidado minucioso nos detalhes de itens pensados para resistir ao tempo, valorizando a matéria-prima e a mão de obra nacional.

Para quem busca exclusividade, a marca apresenta ainda o resultado de sua colaboração com a ilustradora Ana Luiza de Paula. A parceria deu origem a coleções especiais com pinturas feitas à mão, elevando as carteiras ao status de pequenas obras de arte — cada uma é única, reforçando a proposta de consumo consciente e autoral que é a marca registrada da Quermesse.

Afeto 

A Casa Crisálida transforma itens utilitários em suportes para o afeto e o design autoral. Vidros e cristais deixam de ser meros objetos domésticos para ganhar vida através de ilustrações aplicadas manualmente.

O grande protagonista nesta Quermesse é a linha Taças Cachorrinhos. Feitas em cristal fino, as peças exibem ilustrações detalhadas de cães com figurinos coloridos e acabamento em borda dourada — um equilíbrio bem-humorado entre a sofisticação do material e a leveza do tema.

Além dos carismáticos pets, a Casa Crisálida apresenta coleções temáticas que reforçam sua identidade artesanal: a coleção Espetáculo, com jarras e taças que evocam o universo circense com acrobatas e bailarinas, a linha Tenistas, com o dinamismo do esporte através de figuras estilizadas em taças coupe e de gim, e a coleção Paraty, uma incursão pela temática náutica, estampando baleias e veleiros em composições de vidro transparente. Um conjunto que faz da rotina da mesa posta um momento memorável de design e personalidade.

Obra Ipanema e Popoke

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Um grupo vindo de Divinópolis chama a atenção pela força de sua narrativa visual e tátil. O Coletivo Mulheres de Barro, nascido no início de 2025, chega a Belo Horizonte com uma produção que subverte a ideia da autoria individual em prol de uma criação compartilhada.

Formado pelas ceramistas Mariana Duart, Patrícia Casadei e Amanda Maciel, o coletivo conta ainda com o olhar da fotógrafa Larissa Sol, que documenta e integra a poética do grupo. O trabalho é um mergulho nas raízes mineiras, com a utilização de barros extraídos da própria região, peças que exibem as marcas orgânicas das queimas artesanais, e uma cerâmica que se entende como arte popular e territorial.

Mais do que objetos utilitários ou decorativos, o coletivo é sobre a filosofia da partilha. O grupo é conhecido por suas oficinas de formação, que buscam difundir o saber ancestral da cerâmica sob uma perspectiva feminina e colaborativa.

Natural de Düsseldorf, cidade alemã que é referência global em efervescência cultural, Cornelia Günther trouxe na bagagem o rigor artístico europeu, mas encontrou nas paisagens de Minas Gerais a calmaria necessária para criar. Desde 2000, ela mantém seu atelier em Nova Lima, onde a proximidade com a natureza dita o ritmo da produção.

Suas peças exclusivas, que transitam entre o utilitário e o puramente artístico, revelam uma busca constante pela individualidade, perceptível tanto na escolha das cores quanto na textura dos acabamentos. No evento, o público conhece itens pensados para conferir personalidade e um toque de sofisticação orgânica a ambientes como salas de estar e de jantar.

Marca capitaneada por Marina Gomes, D-Aura subverte a lógica do vestir meramente funcional. Ao invés de apenas cobrir o corpo, as peças da designer propõem revelá-lo sob uma perspectiva quase estrutural, herança direta de seu pensamento arquitetônico.

Rendeiras da Aldeia e Tilda

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D-aura se diferencia pelo que chama de "elegância silenciosa". Entende a roupa como uma construção: um espaço a ser habitado onde forma, proporção e materialidade se encontram. O resultado são peças de estética minimalista e urbana, que priorizam a pureza das linhas e a neutralidade das cores.

O diferencial técnico aparece nas modelagens inteligentes. Com recortes estratégicos e sistemas de amarrações, uma mesma peça é capaz de se transformar para diferentes ocasiões, adaptando-se a corpos diversos. Essa versatilidade reforça o compromisso da etiqueta com a fluidez de gênero, permitindo que o vestuário circule livremente entre diferentes guarda-roupas.

Do barro e o natural

Entrelinhas, da artista plástica Lídia Lana Gastelois, surge com sua investigação profunda da materialidade. O trabalho de Lídia não se limita à forma; é uma exploração tátil do barro que transita com naturalidade entre o utilitário e o escultórico.

Para esta Quermesse, a artista leva ao público uma série que evoca o acolhimento e a simbiose com o meio ambiente: moradas e comedouros para pássaros, além de seus delicados "corações aninhados".

A riqueza das peças reside no domínio técnico de diferentes processos de queima — como o ancestral e imprevisível Raku, a força da queima à lenha e a precisão da elétrica. O resultado são texturas e impressões que revelam a cerâmica como um organismo vivo, perfeitamente alinhado à proposta do evento de celebrar a arte que pulsa e se conecta com a natureza.

Joias Monstro, da artista capixaba radicada em Belo Horizonte, Carolina Gomes, transcende a joalheria convencional ao propor o que define como extensões sensíveis. São peças autorais, feitas à mão e em edições limitadas, que fundem técnicas tradicionais de ourivesaria a tecnologias híbridas.

Zoim e Ubuntu Nation

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Com formação em design gráfico pela UEMG e uma trajetória que inclui mentorias internacionais com nomes como Jorge Manilla, Carolina imprime em suas criações uma identidade queer e visceral. Não à toa, seu trabalho já circulou por importantes vitrines globais, além de estampar as páginas de revistas prestigiadas.

São peças que já brilharam em colaborações na Casa de Criadores (como o desfile Cidade Monstra, de Vittor Sinistra). As joias são pequenos portais de transformação para quem busca habitar o mundo com intensidade — uma síntese perfeita do espírito vanguardista que enaltece a Quermesse da Mary enaltece.

A união entre a delicadeza da porcelana e o rigor da ourivesaria dão o tom da criação de Luciana Radicchi. A ceramista e joalheira, que traz no sangue a herança de antepassados ceramistas e agricultores na região da Umbria, na Itália, apresenta um trabalho em que o afeto e a técnica se fundem em itens únicos e autorais.

Para Luciana, o maior exercício criativo reside no equilíbrio: unir materiais distintos para conceber joias que, apesar da complexidade de produção, transmitem leveza visual e conforto no uso. O processo é marcado pela paciência e pelo rigor artesanal, envolvendo três queimas na cerâmica — a última dedicada exclusivamente à pintura em ouro — antes de receber o acabamento final em prata.

Especialista em técnicas que vão do Raku japonês ao Keum Boo coreano, Luciana tem a natureza e as formas orgânicas como guias, o que resulta em acessórios que incorporam pedras naturais e detalhes em ouro sobre argila escura, na convergência entre diferentes áreas criativas.

A Ludi Encadernações se constrói pelo toque tátil e nostálgico. Comandada por uma egressa da escola Guignard, a marca transforma o papel em um suporte para a vida. Desde 2008, o trabalho de Ludi vai muito além da encadernação técnica - trata-se de criar objetos que convidam ao registro de histórias pessoais.

AM Chocolates e Aysla Defumaria e Charcutaria

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São peças autorais e personalizadas que funcionam como verdadeiros repositórios de sensações e sentimentos. Em um mundo cada vez mais digital, os cadernos e projetos propõem um retorno ao fincar raízes, auxiliando na organização do cotidiano e na valorização da memória afetiva. É o design mineiro em sua forma mais sensível: criativo, cheio de boas energias e feito para acompanhar o dono por toda a vida.

Bem-estar

A beleza e o autocuidado ganham um contorno quase alquímico com a presença da Magna Mater. Com mais de 30 anos de estrada em Belo Horizonte, a farmácia de manipulação prova que a ciência magistral também é uma forma de expressão criativa, pautada pela sensibilidade e pelo respeito à individualidade.

Para esta edição do evento, a marca selecionou uma curadoria de fitocosméticos naturais que dialogam perfeitamente com a proposta da casa: produtos feitos com consciência e tempo. O destaque fica para as formulações que equilibram técnica rigorosa e delicadeza, resultando em itens de bem-estar que fogem do óbvio.

A Magna Mater traz para a Quermesse o encontro entre a tradição de décadas e a busca contemporânea por uma beleza mais natural e essencial. É um convite à pausa, com preparações voltadas ao equilíbrio do corpo e da mente, elaboradas com ingredientes selecionados que reforçam o olhar consciente para a saúde.

Querida pelas mineiras mais antenadas, a carioca Obra Ipanema, comandada pelo estilista Fellipe Caetano e pelo designer de joias Ivo Minoni, sucesso nos eixos Rio e São Paulo desde 2017, traz para BH uma moda que flerta abertamente com a arte e a arquitetura.

O que se vê nas araras não são apenas roupas, mas pontos que mudam a paisagem. As peças se destacam pelas dobras e volumes generosos e formas não usuais, tecidos tecnológicos e luxuosos que priorizam o conforto sem perder a estrutura.

Há uma clara reverência ao design japonês, respeitando o espaço entre a roupa e o corpo em saias, vestidos e camisões que exalam amplitude. Para quem busca uma forma de expressão autêntica, a Obra Ipanema consegue a proeza de unir o charme despojado do Rio à sofisticação geométrica, ancorando o adorno do corpo em uma linguagem visual própria e impactante.

Livre imaginar

 

A Popoke se destaca faz da rigidez da madeira uma pura narrativa visual. O projeto, que nasceu da união de trajetórias dedicadas ao fazer manual, apresenta peças de arte e design que fogem do utilitário comum para habitar o campo do fantástico.

Utilizando uma técnica minuciosa de seleção e combinação de madeiras nobres, a marca dá vida a esculturas singulares. São personagens que parecem ter escapado de um livro de mitologia ou de um filme de ficção científica retrô, misturando referências de civilizações antigas com a precisão da geometria.

Está feita a convocação para libertar o imaginário. Os objetos são a síntese de um trabalho autoral que busca dar um novo significado à matéria-prima, provando que o design mineiro (e brasileiro) pulsa forte na interseção entre a arte e a ludicidade.

Vindas da Aldeia de Carapicuíba, na Grande São Paulo, as mulheres da Rendeiras da Aldeia são o espelho da resistência e a beleza da renda renascença. Mais que acessório ou peça de design, é o resultado de um projeto que nasceu como um espaço de alfabetização e emancipação feminina.

O coletivo mantém viva uma técnica ancestral, mas com o olhar fixo no agora. Ao unir o saber manual tradicional ao design contemporâneo, o grupo apresenta itens que dialogam com a moda atual, sem perder a essência do fazer artesanal.

Outro ponto alto do trabalho, que ressoa com os valores de sustentabilidade do evento, é o compromisso com a economia circular. As rendeiras utilizam integralmente fios e resíduos têxteis, transformando o que seria descarte em novos produtos de alto valor agregado.

Tilda situa-se no caminho de equilíbrio entre o design autoral e a carga emocional. Nasce da ligação entre arte e memória, com acessórios que desafiam a lógica do simples complemento. Nas mãos de Tilda, brincos, colares e broches assumem o protagonismo da produção. O que se vê é um exercício de design e singularidade.

Biscoito de Flor e Cafem

Quermesse da Mary/Divulgação

As peças exploram texturas, volumes e contrastes que transitam entre o clássico e o contemporâneo. Fugindo do ritmo industrial, a aposta é em pequenas tiragens, valorizando o tempo do processo criativo. Ao não se curvar a tendências passageiras, as criações propõem uma estética sensível e, por vezes, ousada.

Tilda oferece significado. É uma moda pensada como manifesto pessoal, em que cada peça carrega referências visuais que convidam o público a se expressar de forma única. A marca reafirma que vestir-se é, acima de tudo, um ato de comunicação.

O trabalho de Pedro Sílvio Campos, com a Zoim, convida a um exercício de descoberta. O artista belo-horizontino apresenta uma investigação profunda sobre o "mascaramento" — um conceito que ele explora não apenas como objeto cultural, mas como uma metáfora sensível para o que se escolhe ocultar ou revelar.

As peças são um amálgama de memórias afetivas e referências da arte popular brasileira. Ao transitar pelo imaginário rural, religioso e mítico, o artista consegue criar uma ponte entre o íntimo e o coletivo. Na prática, isso se traduz em uma produção vibrante: cores intensas e texturas que pedem o toque, transformando cada obra em um pequeno território de celebração.

As obras não tentam solucionar os mistérios das narrativas brasileiras - pelo contrário, elas os acolhem com um lúdico encantamento, permitindo que o visitante transite, ainda que por um instante, entre o visível e o oculto.

Como acontece em todo evento, são convidadas instituições com trabalhos que são vendidos na Quermesse com a renda voltada para os projetos sociais. Desta vez, participa o projeto Ubuntu Nation, que mostra uma coleção de eco bags e nécessaires, feitas em capulana, confeccionadas pela empresa de Rogério Lima e Claudinha Moura. O Ubuntu foi criado pela jornalista Patrícia Espírito Santo, e atende a população em vulnerabilidade social na África, através da Fraternidade Sem Fronteiras.

Comes e bebes

Um bolo fofinho de chocolate escuro, quase cor de vinho, de massa feita com creme de leite e recheado com brigadeiro de chocolate meio amargo, sempre presente nas festas da família, é a escolha para festejar a volta da AM Chocolates à Quermesse.

A doceria leva ainda balas de coco, cantucci de amêndoas, cookie de frutas frescas, petit four de fécula de batata, entre as delícias que parentes e amigos degustam, avaliam, criticam e almejam - tudo na cozinha de casa mesmo.

O doce na AM Chocolates é feito a partir das receitas da vovó Tuca, que continuam nas mãos de filhas e netas - cada preparo lembra da infância, das gostosuras da vida e do apreço por cozinhar. Dessa vez, tudo tem cara de Alice no País das Maravilhas, mais colorido e divertido, celebrando a doçura em cada mordida.

Dedé Pães Artesanais e Deli Fresh Food

Quermesse da Mary/Divulgação

Artista plástica de formação, Aysla Oliveira, o nome por trás da Ayslla Charcutaria e Ayslla Defumaria, trocou a delicadeza dos vitrais pelo vigor do fogo e da fumaça e agora aplica seu olhar estético ao universo dos sabores defumados. O que começou com testes em carnes logo se transformou em uma linha autoral de antepastos que são verdadeiras obras de arte comestíveis.

Um destaque da marca é o exótico jiló defumado com castanha de caju. Além dele, a técnica se estende a criações sofisticadas, como a truta com amêndoas e limão kaffir (cultivado pela própria artista), e até opções doces, como os méis com frutas defumadas.

O resultado são potes tão visualmente harmônicos que muitos clientes hesitam em abrir, confirmando que, na Quermesse da Mary, a fronteira entre gastronomia, design e arte é deliciosamente inexistente.

Flor para degustar

A gastronomia na Quermesse ganha um contorno poético com a Biscoito de Flor. Comandada por Bruna Borçari, a marca exemplifica como a delicadeza pode ser o ingrediente principal de um produto artesanal. O diferencial está no ciclo de produção: as flores que adornam e dão sabor aos biscoitos amanteigados são de cultivo próprio, garantindo que cada pétala utilizada seja adequada para o consumo e livre de agrotóxicos.

A proposta vai além do paladar - oferece uma experiência visual. Ao unir ingredientes selecionados à estética das flores naturais, a Biscoito de Flor é uma opção de presente que carrega a identidade criativa de Belo Horizonte: afeto, técnica e originalidade.

A Cafem surge com a proposta de subverter a lógica de um mercado tradicionalmente dominado por figuras masculinas para dar visibilidade a pequenas produtoras e celebrar o protagonismo das mulheres no campo e na xícara.

Idealizada pelas irmãs Laura e Luiza, a etiqueta é fruto de um reencontro com as raízes familiares na Itália e de um olhar atento às cafeterias do mundo. O resultado é um café que as fundadoras definem como autêntico e transformador.

Polvilha e Ponto Eko

Quermesse da Mary/Divulgação

São variações que vão além do clássico, como os cafés especiais de milka e chocoavelã, que ganham um toque extra de hospitalidade quando incrementados com doce de leite e chantilly. A Cafem também leva para o evento sua linha de kits personalizados e mimos voltados para celebrações.

Fresco e quentinho

O aroma de fermentação natural faz um convite sensorial irresistível. O responsável é André Gabrich, o padeiro à frente da Dédé Pães Artesanais. André traz o rigor técnico da panificação clássica aliado ao afeto da produção semanal. A diversidade da marca reflete o espírito plural da Quermesse.

Das baguetes crocantes aos pães de fermentação lenta, enriquecidos com ingredientes como o fubá de milho crioulo e a farinha de centeio, às versões autênticas recheadas com castanhas, frutas secas, queijos selecionados e ervas frescas, tudo é delicioso.

Para quem busca o conforto de um pão amanteigado, o brioche é a escolha certa. Já a linha de folhados — que inclui desde o tradicional croissant e pain au chocolat até os elaborados pain suisse e croissant aux amandes — promete ser um dos pontos altos da gastronomia no evento.

A Deli Fresh Food traduz o conceito de comida de verdade em uma experiência de frescor e saúde. Comandada pela advogada Juliana Muradas, que trocou os tribunais pelas panelas após a maternidade, a marca resgata uma herança que atravessa gerações.

A proposta da Deli é colocar ternura, tempero e memórias afetivas, além de frescor e mais saúde no dia a dia das pessoas. Juliana recebeu o amor pela gastronomia da avó galega e da mãe. O que o público encontra no evento é um reflexo do bistrô e escola de culinária: uma cozinha que rejeita frituras e privilegia a sazonalidade.

O cardápio, orientado por nutricionistas, apresenta pães artesanais e bolos sem glúten, feitos com processos que respeitam o tempo do alimento. No mix de empório, compotas, granolas (doces e salgadas), molhos e grãos selecionados. Entre as opções leves, saladas, sanduíches e sucos naturais que reforçam a sustentabilidade e o uso de ingredientes sazonais.

A Polvilha subverte um dos maiores patrimônios sentimentais de Minas Gerais: o pão de queijo. Sob a batuta de Fabiana da Costa, a marca propõe "alimentar as fomes real e simbólica", transformando o ícone mineiro em um bolo generoso, mantendo a casquinha crocante e o interior fofinho, mas em um formato que convida ao compartilhamento.

A ousadia da receita se desdobra em quatro versões: do tradicional à linguiça, passando pelos afetivos recheios de goiabada e doce de leite. Para quem prefere o salgado, Fabiana resgata um segredo de família: o molhinho de tomate picante, uma receita de vó guardada a sete chaves. "Polvilhamos delícias e delírios para aliviar a realidade", define a designer.

A PontoEko é uma kombucharia artesanal baseada no vilarejo de Macacos, em Nova Lima. Idealizada pelo casal Marcelo e Veruska, a marca vai além do frescor da bebida milenar, apresentando uma produção que acumula prêmios nacionais e internacionais e conta com a devida certificação do MAPA.

O diferencial reside no conceito de quilômetro zero. Todos os sabores utilizam ingredientes cultivados na própria sede, combinados de forma intencionada para promover um estilo de vida natural. Na taça, o resultado é um produto que une inteligência nutricional ao frescor dos insumos colhidos no pé, alinhando-se perfeitamente à proposta de bem-estar e autenticidade que define o encontro de Mary Arantes.

Prata da Marieta e Queijo Juá

Quermesse da Mary/Divulgação

A Prata da Marieta é o encontro entre o design e a tradição. A marca mineira de doces artesanais, de Paulo Cesar Nery Costa — cujo perfil une as artes plásticas, o design gráfico e a gastronomia —, apresenta uma proposta que vai além do paladar. É um resgate histórico embalado com apuro estético.

O projeto é uma homenagem afetiva à avó paterna de Paulo, Marieta, e tem sua essência enraizada em Ravena, Minas Gerais. Ali, a família cultiva bananas de forma agroecológica há mais de 180 anos. Esse respeito ao tempo e à terra se materializa em bombons preparados lentamente em fogão a lenha, preservando a técnica centenária da região.

O doce de banana artesanal é finalizado com um blend de chocolate ao leite e meio amargo, resultando em uma textura macia que remete às memórias mais mineiras. Além do conteúdo, o design se faz presente nas latas metálicas exclusivas, transformando o produto em um item de colecionador ou um presente que carrega o DNA da produção familiar do estado.

Entre as diversas expressões da economia criativa reunidas na Quermesse da Mary, a gastronomia de raiz ganha protagonismo com histórias que atravessam séculos. É assim com o Queijo Juá, exemplo de como a tradição mineira consegue se renovar sem perder essência.

Produzido na Fazenda Frutuoso Limoeiro, em Alvorada de Minas, o queijo é fruto do trabalho dos irmãos Cássio Fonseca e Paulo Henrique, a quinta geração de uma linhagem que preserva, há 300 anos, uma técnica trazida originalmente por colonizadores portugueses da região da Serra da Estrela.

Serra Negra Doces e Mary Arantes, com seu olhar apurado

Quermesse da Mary/Divulgação

O segredo do sabor marcante reside na simplicidade e no tempo. Feito apenas com leite cru, coalho, pingo e sal, o queijo passa por um processo de maturação de cerca de 30 dias em ambiente frio e úmido. Com casca firme, rugosa e levemente crocante que protege um interior de massa branca e macia, de acidez equilibrada que, com o prolongar da maturação, revela notas levemente adocicadas e um toque mais picante, o produto é um contraste sensorial interessante para o paladar.

A Serra Negra Doces leva para o evento a essência da doçaria clássica do estado. Conhecida pelo rigor na produção e pelo sabor marcante de seu doce de leite, a etiqueta agrada quem busca memória afetiva e qualidade técnica.

A participação na Quermesse reforça o valor dos ingredientes locais e a herança culinária que define a identidade de Minas Gerais. É uma oportunidade para os visitantes vivenciarem uma experiência que vai além da degustação, celebrando a paixão pelos bons doces.

Expositores

a.cata/@acata.acata

ADUE/_adue_

ARADO/ @_arado

ARQVO_/@arqvo

Artistas do Bairro/@artistas do bairro

Ateliê Bençôi/@ateliebencoi

Ateliê Omaia/@omaiaemarcelo

Bautti /@bautti.joias

Beira/@beira.plim

Bordadeiras de Burnier/ @bordadeirasdeburnier

Brotos/@brotosoficina

C.alma Beleza Natural/ @calmabelexanatural

Carteiras Dafna Edery/@carteirasdafnaedery

Casa Crisálida/@acasacrisalida

Coletivo Mulheres de Barro/@coletivomulheresdebarro

Cornelia Günther/@coneliagunther

D-AURA/@daura.co

Entrelinhas/@entrelinhasceramicas

Joias-Monstro/@joiasmonstro

Luciana Radicchi/@luciana_radicchi_ol

Ludi Encadernações/@ludincadernacoes

Magna Mater/@homeopatiamagnamater

Obra Ipanema/@obraipanema

Popoke/ @popokebrasil

Rendeiras da Aldeia/@rendeirasdaladeia

Tilda/@usetilda/

Ubuntu Nation/@ubuntu.fsf

Zoim/ @de.zoim

Gastronomia

AM Chocolates/@anamariachocolates

Ayslla Charcutaria/@aysllacharcutaria.bh

Ayslla Defumaria/@ayslladefumaria.bh

Biscoito de Flor/@biscoitodeflorbh

Cafem/ @cafembrasil

Dédé Pães Artesanais/@dede.paes.artesanais

Deli Fresh Food/@delifreshfood

Polvilha/ @polvilha.bh

PontoEko/@pontoeko

Prata da Marieta/@pratadamarieta

Queijo Juá/@serro.queijojua

Serra Negra Doces/@serranegradoces

Quermesse da Mary – Edição Dia das Mães
10, 11 e 12 de abril
Sexta e sábado, 10h às 19h
Domingo, 10h às 17h
Rua Ivaí, 25 – Bairro Serra

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