A Tetro é um dos mais admirados escritórios de arquitetura da atualidade. Nasceu do encontro de três estudantes na UFMG: Carlos Maia, Débora Mendes e Igor Macedo.


Igor entrou um ano antes, em 2000, Carlos e Debora em 2001, e nasceu a amizade. A conexão foi tão grande que Débora e Igor se casaram e hoje têm um filho de 5 anos. Se foram as diferenças ou a igualdade que os uniu? Não sabem dizer, talvez um pouco de cada. Os três tinham projetos como principal interesse na área e sempre se destacaram.


Por causa desta paixão, criaram um grupo para entrar em concursos. “Naquela época não acontecia muita coisa no meio da arquitetura no Brasil. Ninguém fazia projeto, o mercado estava ruim”, explica Débora do porquê de tanta empolgação.


Os concursos eram as grandes oportunidades que tinham para explorar todos os tipos de projetos, e não apenas os que faziam na faculdade. “Em vez de fazer dois projetos por ano, fazíamos 20. Montando um escritório ao lado da faculdade. Foi muito intenso e com muita paixão”, conta Igor explicando a loucura que era a vida dos três no começo: aula pela manhã, estágio à tarde e escritório de noite para fazer os projetos para os concursos.


O talento do grupo começou a ser revelado nesta fase. A primeira visibilidade do trio foi em 2004, no concurso Morar na Metrópole, em homenagem aos 450 anos de São Paulo, no qual estudantes e arquitetos profissionais competiam em pé de igualdade, sem distinção e eles ganharam o 1º lugar.


No ano seguinte, já recém-formados, ganharam mais um concurso, o da Sede da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais. Desta vez o trio se uniu a outros profissionais. Carlos Maia relembra a emoção que sentiram ao ganharem o primeiro lugar em uma cerimônia na Praça da Liberdade, ao ar livre, com apresentação da Orquestra.


Nenhum deles veio de família de arquitetos. Carlos era do interior e nunca tinha visto um arquiteto na vida, gostava de desenhar casas, e a mãe, que também não conhecia o meio, dizia sempre que ele seria um arquiteto. A primeira coisa que o impactou na faculdade foi a Casa da Cascata, de Frank Lloyd Wright. Débora também sempre gostou de desenho e de matemática, e de trabalhos manuais. Ainda pequena fazia maquetes das casas de seus parentes em miniatura. Indecisa, primeiro tentou comunicação social, mas abandonou no primeiro período e foi para arquitetura. Na faculdade, quem mais chamou sua atenção também foi Lloyd Wright. Segundo Igor, o conflito de Débora da arte com a matemática nada mais é que o conflito entre o fogo e o número, e a arquitetura é o caminhar desse conflito entre guerra e paz para chegar em um acordo no final, em uma intercessão.


Igor veio de uma revolta contra a cidade. Ele morava na zona norte, nos trajetos de ônibus pela cidade não aguentava ver a quantidade de muros, e pensava em como ultrapassar os muros. Achava a cidade feia e redundante, e as coisas boas eram pequenos pontos. Para ele, o único que conseguia quebrar aquela frieza e feiura era Oscar Niemeyer, na Pampulha e no edifício homônimo. Entrou na arquitetura para tentar romper essa barreira.


Apesar de terem motivo diferentes algumas coisas eram óbvias entre os três: a natureza, a amplitude, o projeto. Ano passado completaram 22 anos juntos. O nome Tetro nasceu depois de algum tempo, mas tem como DNA fazer uma arquitetura contemporânea com forte integração à natureza e valorização dos vazios. Seus projetos autorais são reconhecidos pela sofisticação, inovação e diálogo com a arquitetura moderna brasileira. Eles pensam fora da caixa.


Hoje, colecionam prêmios nacionais e internacionais. Os projetos imersos na natureza, sem devastação, usando da natureza e se unindo a ela são mais admirados, valorizados e premiados fora do Brasil. Entre os mais icônicos estão: Casa Açucena, escolhida para fazer parte da edição de quatro livros internacionais de arquitetura: Homes fou our Time 3; The World’s Best Architeture 2024; Back to Nature: Architeture blends into landscape e Inside Tropical Homes: Dreams Come True.


A Casa Ponte, ganhadora de diversos prêmios, entre eles: o World Design Awards 2024, categorial residencial construído; o Archello Awards 2024, na categoria Casa do Ano (urbana) voto popular; e Platina na categoria Melhor Arquitetura residencial no Design Skill Awards 2024.


A Casa Seriema, que ganhou a edição de 2025 do 4 Future Awards – Resudencial Architeture Category; e The Global Architeture Awards 2025 (hpuse built) da G+ Global Award Community; e ganhou Platina na edição 2025 do prêmio ADCA, categoria Design Residencial; Platina na 1ª edição do prêmio International excellence Awards.


Cada projeto tem um nome, dando a ele identidade e personalidade, sempre em função de algo que aconteceu durante o projeto, ou por causa de interesses e preferências do cliente, como a Casa Café, por exemplo, porque os clientes amam café, viajam pelo mundo para conhecer os melhores cafés.


A beleza do trabalho da equipe Tetro é que eles fazem uma arquitetura forte, de personalidade marcante, que aparece, mas de forma integrada à natureza. A proposta não é esconder a arquitetura em meio a natureza, mas fazer com que as duas coesistam valorizando tanto a construção quanto a criação natural. É ressaltar o que há mais belo nos dois.

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“Buscamos a coexistência da arquitetura e da natureza, a natureza não tem que abrir espaço para a arquitetura. Que é o que acontece sempre. Você tem a beleza, a magia de um lugar e vem a arquitetura ou o urbanismo e acaba com aquela magia para se construir. Tem que arrancar árvore, acabar com tudo e depois fazer uma compensaçãozinha aqui e ali. Nós partimos do princípio que não precisa destruir nada, não precisa tirar árvore nenhuma para manter tudo que há de bom no lugar e coexistir ali”, explica Igor. E Débora complementa “Não é uma questão de não destruir, é melhorar o lugar não só para os humanos, mas para os bichos e para as plantas também”. E explicam que o paisagismo pode ser tratado com plantas frutíferas para trazer a fauna nativa. “A Arquitetura tem o poder de melhorar o lugar para a vida toda”, complementa Igor.

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