A designer mineira Linda Martins, do Studio Linda Martins, é uma das vencedoras do iF Design Award, um dos prêmios de design mais importantes e prestigiados do mundo. Esta é a terceira vez que ela é premiada. Em 2026, o reconhecimento veio na categoria Produto com a cadeira Alma, desenvolvida para a Doimo Brasil, empresa de Ribeirão das Neves, na Grande BH. A cerimônia de premiação será no dia 27 de abril, no Friedrichstadt-Palast, em Berlim, na Alemanha.

Cadeira Alma, desenvolvida para a Doimo Brasil, empresa de Ribeirão das Neves, na Grande BH

Divulgação


Lançada em 2025, a cadeira Alma parte de uma estrutura metálica revestida em couro natural que desenha toda a silhueta da peça. O contraste de materiais aparece nos braços em couro estruturado, que se projetam levemente para fora do encosto e criam a sensação de estarem apenas apoiados. Apesar da aparência mais solta, o material é tensionado e fixado à estrutura, garantindo estabilidade e preservação do desenho original mesmo com o uso contínuo.


Estrutura e sensibilidade

“A Alma nasceu do desejo de criar uma peça que unisse estrutura e sensibilidade. Quando fui convidada pela Doimo Brasil, que tem forte expertise em metal e couro, entendi que o caminho seria explorar essa identidade industrial com um olhar mais humano e autoral”, afirma a designer.


A inspiração vem do modernismo brasileiro, especialmente da liberdade formal de Sergio Rodrigues, mas reinterpretada sob uma perspectiva contemporânea. “Quis trazer proporções mais leves e elegantes. A Alma carrega memória, mas conversa com o presente”, aponta.


Linda explica que o principal diferencial da cadeira está justamente no braço estruturado em couro. “Ele é maleável, se adapta ao corpo de quem senta e depois retorna à sua forma original. É um gesto técnico, mas também poético, como algo que acolhe e depois se recompõe”, explica.


Reconhecimento

Criado na Alemanha, o iF Design Award é considerado um dos mais importantes selos internacionais do design. Ele leva em conta critérios como inovação, funcionalidade, impacto, sustentabilidade e qualidade formal.


“Ganhar um iF representa validação internacional. É a confirmação de que o design brasileiro, e mineiro, está no mesmo nível de excelência dos grandes polos globais”, diz Linda.
Para ela, a conquista tem um significado especial. “É o terceiro iF da minha trajetória, mas o primeiro com uma empresa mineira. Isso cria uma conexão simbólica muito forte com o lugar que escolhi para viver.”


Trajetória autoral

A carreira da designer começou pelo design de interiores, mas sempre com foco no mobiliário. “Eu sentia necessidade de criar peças que traduzissem exatamente a atmosfera que eu imaginava para os projetos. O design de produto surgiu quase como um caminho natural, uma extensão do meu olhar criativo”, lembra.


Com o tempo, vieram coleções autorais, parcerias com marcas nacionais e estudos em sustentabilidade, incluindo um master em design na Itália. “Hoje, minha carreira une estética, função, responsabilidade ambiental e identidade cultural”, resume.


Com projetos circulando em mercados internacionais, Linda afirma que Minas Gerais está profundamente presente em seu trabalho. “Minas está no meu trabalho pela matéria-prima: madeira, couro, metal, materiais que dialogam com a tradição artesanal e industrial do estado. Trabalhar com uma empresa de Ribeirão das Neves e conquistar um prêmio internacional juntos mostra que Minas não é apenas tradição, é inovação e design contemporâneo”, destaca.

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“Existe uma camada mais íntima. As montanhas no horizonte, as ruas tranquilas, as lagoas, a luz suave do fim da tarde… tudo isso alimenta meu repertório criativo. Existe um silêncio, uma pausa e uma profundidade muito mineira que acabam se refletindo nas minhas peças”, aponta. 

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