Em 2026, o Dia Internacional da Mulher chega marcado por simbolismo e tensão. Nesta semana anterior à data, comemorada neste domingo, a Giuliana Flores - maior e-commerce de floricultura do país - anunciou mais de 17 mil entregas de girassóis e rosas encantadas. A campanha, sob o conceito "Flores para celebrar, rosas para encantar", busca trazer leveza ao momento crítico para as mulheres e desafiador para a publicidade. Mas como transformar flores, slogans criativos, chocolates e outros mimos delicados em posicionamento real diante de um país onde quase seis mulheres são mortas por dia?


Em 2025, o Brasil registrou oficialmente 2.149 feminicídios consumados e 4.755 tentativas - quase seis mulheres mortas por dia. E como retratar o amor materno se dados preliminares de 2026 mostram que a violência doméstica continua sendo o principal vetor, com 61,1% das vítimas assassinadas por ex-companheiros e 38,9% por parceiros atuais? Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro seguem entre os estados mais críticos, e só nos dois primeiros meses do ano o Rio Grande do Sul já contabilizou 16 feminicídios, demonstrando que a curva ainda não se estabilizou. Diante desse cenário alarmante, o mercado publicitário é desafiado a transformar homenagens em posicionamento real contra essa epidemia de violência de gênero, sem perder de vista o viés comercial do 8 de março.


Marcas globais como IKEA e Burger King têm investido em narrativas digitais voltadas à diversidade e ao empoderamento, buscando se afastar da homenagem superficial e promovendo a reflexão sobre o papel da mulher na sociedade contemporânea. O Women Entrepreneur Forum 2026 (WEForum), organizado pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), destaca-se ao valorizar empreendedoras brasileiras e fortalecer o protagonismo feminino nos negócios e exportações. Eventos como o Delas Day 2026, realizado pelo Sebrae, também contribuem para ampliar a visibilidade dos negócios liderados por mulheres e reforçar sua atuação de destaque no mercado.


Por outro lado, dados comprovam a força econômica do Dia Internacional da Mulher. No Brasil, o mercado publicitário movimentou R$ 438,3 milhões nos primeiros meses de 2026, um aumento de 3,2% em relação ao ano anterior. No cenário global, os investimentos em mídia devem alcançar US$ 1,04 trilhão, impulsionados pelo avanço da inteligência artificial e pela participação crescente do setor de tecnologia. Em destaque, o esporte feminino atraiu mais recursos publicitários, batendo recordes de audiência e oferecendo retorno sobre investimento acima do esperado. Marcas como Amazon, Hyundai, Itambé e Uber ampliaram sua presença nas competições femininas, consolidando investimentos na CBF que superam R$ 100 milhões. E relatórios internacionais de marketing esportivo indicam que, em 2025, o esporte feminino captou investimentos publicitários estimados em US$ 1 bilhão.


É fato que campanhas comerciais desconectadas da realidade social costumam ser criticadas por reduzir o Dia Internacional da Mulher a um gatilho de consumo. No entanto, é preciso reconhecer que promoções também contribuem para democratizam o acesso a produtos e serviços, tornando a homenagem mais inclusivas. Além disso, é preciso fazer a roda da economia girar. Então, o grande desafio para os criativos está em equilibrar o viés comercial com ações que tenham impacto social real.


A boa notícia é que a participação feminina em comerciais cresceu. A Pesquisa Mulheres Empreendedoras 2026 revelou que 65% das entrevistadas iniciaram negócios por oportunidade, sinalizando maior protagonismo em campanhas voltadas ao empreendedorismo. Além disso, 14% das empresas exportadoras brasileiras são lideradas por mulheres, embora ainda representem apenas 2% das vendas ao exterior.


Em relação à publicidade, relatórios mostram que o número de mulheres em papéis de destaque em comerciais televisivos e digitais cresceu nos últimos anos. Porém, apenas cerca de 30% dos cargos de liderança criativa e executiva em agências de publicidade são ocupados por mulheres, demonstrando o desafio para alcançar a paridade total. Esses dados reforçam o cenário de avanço, mas também evidenciam a necessidade de políticas e ações que promovam igualdade nos espaços de decisão e criação.
O contraste neste momento é inevitável. De um lado, campanhas que reforçam empoderamento e diversidade; de outro, ações comerciais que mantêm o apelo tradicional de flores e presentes. Em um país onde o feminicídio segue em alta, o gesto simbólico do afeto precisa ser repensado. O mercado publicitário está diante de um dilema: continuar a tratar o 8 de março como uma data de consumo ou assumir o papel de agente transformador, capaz de transformar homenagens em posicionamento consistente contra desigualdades. A pergunta que fica é se as marcas estão preparadas para esse salto - e se o público, cada vez mais crítico, aceitará menos do que isso.


Assim, o Dia Internacional da Mulher em 2026 expõe a urgência em transformar a publicidade em ferramenta de enfrentamento social. As marcas que melhor se comunicam são aquelas que assumem um posicionamento firme contra a violência, investem em campanhas contínuas e se conectam com a realidade das mulheres brasileiras. Minas Gerais, por ser um dos estados mais afetados, torna-se um epicentro simbólico dessa luta, que exige das empresas e dos governos não apenas criatividade, mas responsabilidade. Afinal, não basta celebrar... É preciso denunciar e agir. 

Briefing

Kátia Soares e Sabrina Beckler

Divulgação

VIVER
A Viver Comunicação acaba de assumir a comunicação estratégica da Sociedade Brasileira de Mastologia - Regional Minas Gerais (SBM-MG), atuando em assessoria
de imprensa e redes sociais para fortalecer
a imagem institucional e o diálogo
com a sociedade.

LIDERANÇA FEMININA
Com 13 anos de mercado e experiência no segmento da saúde, a agência é liderada por Kátia Soares e Sabrina Beckler (foto), tendo no portfólio clientes como Boston Scientific e o BreastMit - Simpósio Internacional de Tratamento Mínimo e Imagem da Mama.

CLIENTES
Atualmente, a agêcnia atende profissionais liberais, a Redimama em Belo Horizonte e os INCTs de Nanobiofarmacêutica e Hepatologia da UFMG, focando em posicionamento, divulgação científica e relacionamento com a imprensa para ampliar a visibilidade de pesquisas inovadoras.

VESPERATA 2026
Vai começar a Temporada de Vesperata em Diamantina, um dos maiores atrativos turísticos de Minas. O espetáculo a céu aberto transforma a Rua da Quitanda em palco e reforça a força cultural e econômica da cidade histórica mineira.

TESOURO MINEIRO
Reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO desde o fim da década de 1990, Diamantina é um dos maiores tesouros históricos de Minas. Com forte identidade artística e musical, a cidade mantém tradições que atravessam gerações. Em 2026, as apresentações irão acontecer entre abril e setembro, reforçando o calendário turístico da cidade.

REPRESENTATIVIDADE
Apesar de serem maioria nas decisões de consumo e responsáveis financeiras do lar, mais da metade das mulheres não se sente representada pelas marcas. A maioria defende campanhas mais reais e alinhadas às suas vivências, valorizando marcas que reconhecem suas realidades e preocupações em todas as fases da vida.

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MATERNIDADE
A pesquisa realizada pelo Kwai for Business, unidade de negócios do aplicativo de vídeos curtos, com mais de 19.600 usuárias ativas, revela carência de diálogo aberto sobre saúde feminina, levando 51% a buscarem informações em redes sociais. A maternidade é central para 80% das usuárias, mas quase metade sente que as marcas

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