Dizem que - no Brasil - o ano só começa depois do Carnaval. Mito ou verdade, certo é que o mercado publicitário já guardou a fantasia para entrar de vez no ritmo de Copa do Mundo de 2026. Os especialistas no assunto entendem o Carnaval como um "marco psicológico coletivo", o que se confirma na prática. Após a folia, as taxas de conversões são melhores, o que embala os investimentos das marcas em mídia, visando as novas demandas dos consumidores.
O futebol, no entanto, segue uma lógica própria. A Copa ainda não começou oficialmente, mas já está em pleno andamento no "feed dos brasileiros". Pesquisa da Data-Makers para a Resenha Digital Clube mostra que 70% dos fãs de esportes já consomem conteúdos relacionados ao torneio. O dado confirma uma tendência que há anos se desenha: a Copa deixou de ser apenas sobre o espetáculo dentro de campo e se tornou uma narrativa cultural, vivida em múltiplas telas e plataformas.
Essa próxima edição caminha para ser o evento esportivo mais rentável já realizado. As projeções indicam que apenas os contratos de marketing e patrocínio devem movimentar entre US$ 2,5 bilhões e US$ 3 bilhões, dentro de um ciclo total estimado em cerca de US$ 11 bilhões entre 2023 e 2026, de acordo com pesquisa do Sponsorship Marketing Association.
O torneio, que terá 48 seleções, 104 partidas e duração de 39 dias, amplia de forma significativa a exposição das marcas. A TV aberta que, em copas anteriores era praticamente soberana, continua relevante - 85% dos torcedores ainda recorrem à TV como fonte principal. No entanto, nos últimos anos, passou a dividir esse protagonismo com redes sociais e plataformas digitais. O estudo revela que Instagram (82%), YouTube (70%) e TikTok (42%) já funcionam como mídias paralelas, onde o humor, a análise e os bastidores competem em atenção com o próprio jogo. Por isso, o fenômeno da "segunda tela" ganhou força: o torcedor pode deixar a partida na TV, mas a emoção muitas vezes acontece na live do streamer ou na conversa em grupos de WhatsApp, que lidera como espaço de interação durante os jogos.
Esse comportamento híbrido se reflete no consumo. Sete em cada dez fãs pretendem gastar mais durante o Mundial, especialmente em bares, restaurantes e produtos ligados ao ritual de assistir às partidas. O crescimento das apostas esportivas é outro destaque: 62% demonstram intenção de participar, e 42% afirmam que vão apostar, ainda que em valores baixos. Nesse cenário, os criadores de conteúdo funcionam como mediadores de confiança. Mais da metade dos torcedores consideraria comprar um produto indicado por influenciadores, mostrando que a publicidade se transforma em recomendação emocional.
Para as marcas, o desafio é duplo. O selo de "patrocinador oficial" continua poderoso - 37% dos torcedores passam a gostar mais de empresas associadas ao torneio -, mas o estudo revela que 45% valorizam ainda mais aquelas que apoiam seus influenciadores preferidos. A equação "marca + Copa + creator" redefine o jogo e exige clareza estratégica: não basta aparecer, é preciso participar da conversa. Adidas e Nike, líderes no top of mind, são exemplos de quem construiu presença consistente tanto em mídia tradicional quanto em comunidades digitais, colhendo frutos de anos de investimento em atletas que se tornaram criadores e em colaborações com páginas de futebol.
O perfil dos influenciadores da Copa é diverso. Ex-atletas e técnicos (31%) e jornalistas especializados (19%) seguem como referências, mas nativos digitais (15%) e humoristas (14%) também têm espaço. Em vez de um único "influenciador da Copa", há ecossistemas complementares: uns aquecem a torcida, outros explicam, outros viralizam e outros fidelizam. É uma lógica que lembra as transmissões de rádio nas Copas antigas, quando cada narrador tinha seu estilo e conquistava públicos diferentes.
O estudo deixa um recado claro para o mercado: enquanto 95% dos fãs pretendem assistir aos jogos e 80% querem acompanhar com igual ou maior intensidade que na edição anterior, muitas marcas ainda não entraram em modo Copa. Planejamento não é luxo, é condição mínima. A economia dos criadores de conteúdo não pode ser tratada como mídia genérica de última hora. Ela precisa ser entendida como parte essencial da experiência coletiva. Quem entender isso terá a chance de transformar atenção em negócio. E, o mais importante, em relevância de longo prazo.
Briefing
RECORDE DA FOLIA
O Carnaval de Minas Gerais atingiu números históricos em 2026, com 6,5 milhões de foliões em BH e 14,9 milhões em todo o estado, aumento de 14,2% em relação ao ano anterior. Os dados são do governo estadual. A contagem considera ocupação territorial, rodoviárias, aeroportos e movimentação econômica.
IMPACTOECONÔMICO
A festa movimentou R$ 5,83 bilhões, crescimento expressivo em relação a 2025. A rede hoteleira de BH teve ocupação média de 85,62%, chegando a 92,3% no fim de semana. O fluxo de passageiros aumentou nos terminais rodoviários e aeroportos, com destaque para voos internacionais.
CULTURA MINEIRA
As cidades históricas mineiras, como Ouro Preto e Tiradentes, registaram aumento de 7,5% no público, totalizando 376 mil pessoas. Esse reflexo positivo reforça o papel do Carnaval como impulsionador do turismo regional e cultural. O Terminal Rodoviário de BH teve alta de 2,6% nos passageiros.
MOTOR ECONÔMICO O
Os números consolidam o Carnaval como um dos principais motores do turismo em Minas Gerais. A AMIHLA revelou taxa média de ocupação hoteleira de 97,16%, colocando Minas em destaque nacional. O turismo de proximidade liderou reservas, com hotéis num raio de até 100 km da capital atingindo 99,43% de ocupação.
INTERNACIONAL
Durante o Carnaval, o Aeroporto Internacional de Confins registou um aumento de 18,5% no número de passageiros internacionais. O total de viajantes em voos diretos para Minas Gerais subiu para 8.887 neste ano, segundo dados do Governo de Minas.
ESTRANGEIROS
Esse crescimento reflete uma estratégia de internacionalização, com ações de promoção focadas em mercados estratégicos. A secretária de Estado de Cultura e Turismo, Bárbara Botega, atribui esses bons resultados às campanhas integradas no exterior. Entre os estrangeiros, os chilenos se destacaram como um dos públicos que mais buscou o Carnaval mineiro, impulsionados por voos diretos e campanhas específicas de divulgação.
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BILÍNGUE
Para atender ao aumento do público internacional, foi implementado atendimento bilíngue 24 horas durante o Carnaval. O suporte em inglês esteve disponível pelo telefone 190, facilitando a comunicação de estrangeiros em situações de emergência.
