Calor de 40 graus na sombra é para tirar qualquer um do sério e despertar um desejo descomunal de entrarmos no mar ou mergulharmos em uma piscina. Isso significa colocar o corpo à mostra e para as mulheres pode parecer um filme de terror porque expõe as famigeradas celulites e a flacidez.
Claro que muitas começaram a “cuidar” delas no inverno, mas como são difíceis de sumir, nem todo tratamento dá o resultado esperado. É uma luta eterna.
Segundo relatório da BeautyEngine, a aparência natural é a aposta deste verão para tratamentos estéticos, longe dos excessos e do visual artificial. Graças a Deus, porque as feições artificiais causadas pelas “harmonizações faciais” e os botox exagerados já cansaram.
Esse apelo para o “natural” não se restringe à toxina botulínica. Os ‘preenchimentos’ também refletem a tendência: quase 70% dos participantes indicam preferência por tratamentos voltados ao equilíbrio facial, enquanto 86% demonstram interesse por procedimentos que atuem em harmonia com o corpo.
Com a preferência por resultados discretos e naturais consolidados, os consultórios dermatológicos registram uma alta por procedimentos que sigam esse padrão. Entre as prioridades dos entrevistados, eliminar as rugas lidera com 26%, seguida por celulite (18%), flacidez (12%), hiperpigmentação (12%) e olheiras (11%).
Dr. Octávio Guarçoni destaca entre os principais tratamentos da temporada os protocolos de fotoproteção e hidratação profunda, peelings químicos, laser para manchas e vascularização, além de terapias corporais voltadas ao combate à flacidez e celulite.
"O que observo é que muitos pacientes ainda subestimam a importância de alinhar os procedimentos ao cuidado diário com a pele, especialmente na exposição ao sol. Seguindo protocolos individualizados, que incluem avaliação da pele, orientação sobre fotoproteção e hidratação, é possível obter resultados seguros, duradouros e naturais, preservando saúde, função e estética", detalha.
O especialista explica que, além da escolha correta do tratamento, a frequência, o acompanhamento profissional e o respeito aos ‘intervalos’ são determinantes para a eficácia e segurança dos procedimentos. E reforça a importância da prevenção como o uso de filtros solares, antioxidantes tópicos e hábitos saudáveis, garantindo resultados duradouros mesmo durante os meses de maior exposição aos raios UV e UVB.
À frente da Guarçoni Health Center, dr. Octávio ressalta a importância de adotar protocolos específicos para o verão. “Na clínica, cada procedimento é planejado considerando características individuais do paciente e objetivos estéticos específicos, garantindo que cada intervenção seja precisa, harmônica e respeite a naturalidade do resultado. Seguimos protocolos que integram avaliação contínua, monitoramento dos resultados e ajustes conforme a evolução de cada caso, tornando a experiência mais segura e eficaz”, explica.
Celulite pode piorar no verão
Com mais pele exposta, pequenas irregularidades ganham destaque, especialmente nas coxas e nos glúteos, regiões onde a celulite tende a ser mais evidente. O que muitas pessoas não percebem é que hábitos comuns da estação, sobretudo a exposição solar intensa, interferem diretamente na qualidade da pele. O verão também é um período em que a biologia cutânea enfrenta desafios constantes, e, muitas vezes silenciosos.
A celulite é resultado da interação entre gordura, colágeno, microcirculação e a estrutura do tecido conjuntivo. Quando essa rede está equilibrada, a pele mantém uma aparência mais regular. Alterações nas fibras de sustentação, no volume local ou na circulação favorecem o surgimento de depressões e irregularidades. No verão, esse equilíbrio – que é bem delicado – sofre influência direta do sol, do calor extremo, da desidratação e da retenção de líquidos, fatores que contribuem para deixar a textura da pele mais evidente.
A dermatologista Denise Ozores, especialista em beleza natural e no tratamento avançado da celulite, explica que o impacto do sol vai muito além do bronzeado. Segundo ela, a radiação ultravioleta provoca um dano estrutural profundo. “A exposição solar excessiva aumenta significativamente a degradação do colágeno, porque ativa enzimas que quebram as fibras de sustentação da pele. Ao mesmo tempo, a radiação reduz a capacidade de produzir colágeno novo. Quando essa estrutura enfraquece, as áreas de celulite se tornam mais marcadas”, afirma. Denise ressalta que essa perda de firmeza é cumulativa e se intensifica ao longo dos anos.
O calor é outro fator determinante nesse processo. De acordo com a dermatologista, as altas temperaturas provocam vasodilatação, aumentam o inchaço e favorecem a retenção de líquidos. “Esse acúmulo pressiona o tecido e deixa as ondulações ainda mais aparentes”, explica. Ela acrescenta que o sistema linfático, responsável pela drenagem de líquidos, tende a funcionar pior em situações de calor intenso, especialmente quando há longos períodos sentada ou baixa ingestão de água. Nesse cenário, a celulite não apenas aparece mais, como também pode se tornar mais rígida e resistente.
Outro ponto importante é a microcirculação, frequentemente negligenciada. Denise destaca que, quando a circulação local está comprometida, a troca de nutrientes diminui e o metabolismo do tecido desacelera. A combinação entre má circulação, retenção de líquidos e degradação do colágeno cria um ambiente propício para a piora da textura da pele durante o verão.
Para Denise, a mensagem principal não é evitar o verão, mas compreendê-lo do ponto de vista biológico. “O sol tem benefícios importantes para o humor e para o ritmo do corpo, mas precisa ser usado com inteligência. Quem busca melhorar a textura da pele precisa proteger o colágeno todos os dias, porque ele é a estrutura que mantém a superfície mais uniforme”, finaliza.
O bronze que engana
A exposição solar excessiva destrói fibras de colágeno e elastina, estruturas essenciais para a firmeza da pele. A longo prazo, essa perda de sustentação acentua a flacidez e torna a celulite mais marcada, justamente o oposto do que muitas mulheres buscam ao se bronzear. Mesmo assim, a ilusão continua, porque, no curto prazo, a pele realmente parece mais uniforme. O verão vira um ciclo de reforço: a camuflagem imediata engana o olhar, mas o resultado estrutural aparece depois, quando o bronze desbota e deixa para trás uma textura mais comprometida.
O calor intenso também contribui para aumentar o incômodo. Nos dias quentes, o corpo transpira mais e retém líquido para se proteger da desidratação. Esse inchaço temporário torna os furinhos mais visíveis e alimenta a sensação de que a celulite piora de um dia para o outro. Na prática, não surgem novas celulites no verão. O que muda é o volume do tecido subcutâneo, que pressiona a superfície da pele e evidencia irregularidades já existentes. A retenção hídrica é um dos fatores que mais confundem a percepção feminina nessa época do ano.
Para o médico Roberto Chacur, speaker da GoldIncision e referência em tratamento da celulite, a combinação de mitos, pressa e comparações digitais explica por que tantas mulheres acreditam que o sol é aliado. Chacur ressalta que o verão cria uma falsa sensação de melhoria. Segundo ele, muitas pacientes chegam ao consultório repetindo frases como “parecia que minha celulite tinha sumido, mas voltou pior”. O médico destaca que nenhum truque de verão resolve. O que muda é a forma como o olho interpreta aquela pele naquele momento. Ele afirma que o sol não trata, não reduz e não reorganiza a pele. Ele apenas colore a superfície enquanto fragiliza a base.
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Hidratar o corpo ao longo do dia evita a retenção de líquidos que acentua os furinhos. Reduzir o sal e o álcool ajuda a manter o edema sob controle. Atividade física regular melhora a circulação e diminui a sensação de peso nas pernas. Drenagem linfática profissional pode trazer alívio imediato ao inchaço típico do verão. E, acima de tudo, o protetor solar é indispensável para impedir que o colágeno seja destruído pelo UV, já que essa degradação é uma das principais responsáveis pelo agravamento da celulite. O verão não é inimigo do corpo. O inimigo são as ilusões criadas em torno dele.
