Ilha em Angra: entenda novos desdobramentos da disputa entre Richarlison e Willer Tomaz (Richarlison em ação pelo Tottenham)

A disputa envolvendo o atacante Richarlison, do Tottenham e Seleção Brasileira, e o advogado Willer Tomaz por uma propriedade em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, ganhou novos capítulos nos últimos dias. Além de uma decisão judicial favorável ao jogador, vieram à tona detalhes sobre a negociação do imóvel e outras propriedades ligadas ao advogado na região.

Richarlison afirma ter investido cerca de R$ 10 milhões em uma propriedade na Ilha Comprida, mas alega ter perdido os direitos sobre o local sem receber o dinheiro de volta. A disputa pela retomada do imóvel já teve decisões contrárias ao atleta, mas o caso segue com outros desdobramentos judiciais e investigações sobre possíveis irregularidades.

Justiça rejeita pedido contra Richarlison

Em uma das frentes da disputa, Richarlison obteve uma decisão favorável na Justiça do Distrito Federal. Segundo o Estado de Minas, o juiz Giordano Resende Costa, da 4ª Vara Cível de Brasília, negou um pedido de urgência apresentado por Willer Tomaz e pela empresa WT Administração de Imóveis e Bens S/A.

Os autores queriam que o jogador apagasse publicações nas redes sociais nas quais afirmava ter perdido a propriedade de forma indevida. Também pediam que ele fosse impedido de fazer novas manifestações semelhantes sobre o assunto.

O magistrado, porém, entendeu que não havia elementos suficientes para determinar a retirada dos conteúdos. Um dos motivos foi a ausência de comprovação de que as publicações ainda estavam disponíveis nas redes sociais do atacante. Algumas publicações foram feitas via stories do Instagram e sumiram após 24h.

A decisão também considerou que proibir antecipadamente novas manifestações poderia configurar censura prévia e violar a liberdade de expressão.

A ação inclui um pedido de indenização de R$ 200 mil por danos morais e de esclarecimento público por parte de Richarlison. A decisão não encerra o processo nem representa uma vitória do atleta na disputa pela propriedade.

Escritura aponta negociação por R$ 600 mil

Outro desdobramento diz respeito ao valor registrado na transferência dos direitos sobre o imóvel.

De acordo com documentos obtidos pela coluna Em Contexto, do Estado de Minas, uma escritura pública de julho de 2022 registra uma negociação de R$ 600 mil envolvendo a área disputada.

O documento aponta que a empresa M. Locadora de Veículos e Transportes Turísticos Ltda. transferiu os direitos de ocupação e as benfeitorias existentes no terreno à WT Administração de Imóveis e Bens S/A, ligada a Willer Tomaz.

O valor chama atenção diante da quantia mencionada por Richarlison, que afirma ter gasto aproximadamente R$ 10 milhões no local. Os números, entretanto, se referem a situações distintas: enquanto o jogador fala sobre o investimento que teria feito na propriedade, a escritura registra o preço da cessão de direitos de ocupação e das benfeitorias.

A área está submetida ao regime de ocupação de terreno pertencente à União. Portanto, a negociação registrada não corresponde à venda convencional de um imóvel de propriedade privada plena.

Apesar das derrotas judiciais sofridas por Richarlison na tentativa de recuperar o imóvel, possíveis irregularidades relacionadas à negociação são investigadas pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal.

Willer Tomaz tem outros imóveis em ilhas de Angra

As revelações não se limitaram à casa disputada com o atacante. Neste sábado (31/10), o g1 divulgou um levantamento que identificou outras cinco propriedades ou participações imobiliárias vinculadas a Willer Tomaz em ilhas de Angra dos Reis.

A apuração foi feita a partir de registros de cartório e informações da Secretaria do Patrimônio da União (SPU). Parte dos imóveis fica na própria Ilha Comprida, onde está localizada a casa envolvida no conflito com Richarlison. Há também registros na Ilha do José André e uma participação em uma residência na Ilha do Jorge.

Segundo o levantamento, a maior parte das aquisições ocorreu entre 2021 e 2022, período em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), amigo de Willer Tomaz, apresentou propostas relacionadas à exploração econômica de áreas da Costa Verde fluminense e atuou como relator da chamada PEC das Praias.

O advogado e o senador também são investigados no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeitas de lavagem de dinheiro, em uma apuração distinta da disputa imobiliária.

A coincidência entre o período das aquisições e a atuação legislativa de Flávio Bolsonaro não comprova, por si só, favorecimento ou irregularidade nas transações.

Ainda segundo o g1, Tomaz não respondeu aos questionamentos sobre eventuais planos comerciais para os imóveis e a relação deles com as propostas legislativas. O senador não foi localizado pela reportagem.

Entenda a disputa pela ilha

A controvérsia ganhou repercussão depois que Richarlison utilizou as redes sociais para relatar a perda da propriedade e questionar a participação de Willer Tomaz e de Flávio Bolsonaro no episódio.

O atacante sustenta que investiu milhões de reais na casa e que acabou ficando sem o imóvel e os recursos aplicados.

Willer Tomaz, por sua vez, defende a regularidade da aquisição dos direitos de ocupação pela empresa ligada a ele e aponta decisões judiciais favoráveis à sua posição. Flávio Bolsonaro nega participação na negociação imobiliária.

A empresa Sport 70, de Richarlison, pediu à SPU para regularizar sua utilização do imóvel em setembro de 2021, mas processo não teve andamento. Em maio de 2022, uma empresa de terceiros, a M Locadora de Veículos, solicitou a regularização e recebeu decisão favorável de forma rápida.

Dois meses depois, a M Locadora de Veículos pediu à SPU emissão de documento necessário para vender o direito de ocupação. O pedido foi autorizado em questão de horas. Em seguida, a M Locadora passou o imóvel para a WT Administração de Imóveis e Bens, de Willer Tomaz.

O caso envolve tanto a discussão sobre os direitos de ocupação da área quanto a apuração de possíveis irregularidades administrativas. Por enquanto, as novas revelações e a decisão favorável a Richarlison na ação sobre suas publicações não alteram o resultado da disputa judicial pela retomada do imóvel.

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