Estádio de clube europeu que foi à falência inspirou reforma do Independência (Estádio Independência (América) e Estádio Bessa (Boavista))

Quando o Independência foi reinaugurado em 2012, o público se deparou com uma arena verticalizada, de acústica imponente e arquibancadas próximas ao gramado. A maquete que inspirou a reconstrução do estádio do América veio de um clube tradicional de Portugal que sucumbe de forma dramática em meio à bola de neve de dívidas.

O Estádio do Bessa, de propriedade do Boavista, foi o espelho utilizado pelos arquitetos da reforma da arena do Coelho, iniciada em 2010. Projetado para a Eurocopa de 2004, o complexo na cidade do Porto chamou a atenção dos projetistas mineiros justamente pela capacidade de otimizar o espaço urbano restrito.

Assim como o Independência, que precisava se modernizar entre as ruas estreitas do bairro do Horto, em Belo Horizonte, o Bessa foi erguido sem pistas de atletismo, priorizando a verticalização das arquibancadas para compensar a falta de terreno horizontal.

O preço da modernidade em Belo Horizonte

O Independência - (foto: Mourão Panda / América)
Imagem geral do Independência (foto: Mourão Panda / América)

Se na Europa o gigantismo do Bessa custou caro, a reconstrução do Independência também exigiu um investimento público pesado, que saltou significativamente do orçamento inicial.

Concebida no fim de 2008 para servir de abrigo aos clubes da capital enquanto o Mineirão passava por obras para a Copa do Mundo de 2014, a reforma da casa do América foi estimada inicialmente em R$ 46 milhões.

Contudo, devido a readequações de projetos, mudança de cenário econômico e aditivos contratuais, a obra acabou entregue em março de 2012 por R$ 150 milhões pagos pelo governo de Minas.

Espelho arquitetônico com uma grande diferença

Embora o Independência tenha bebido diretamente da fonte do Bessa, os dois estádios guardam diferenças importantes em sua volumetria e capacidade:

  • Estádio do Bessa (Portugal): É um estádio 100% fechado (em formato de “caixa” ou anel completo). Suas quatro arquibancadas são totalmente conectadas e cobertas, o que lhe confere uma capacidade oficial de 28.263 espectadores.
  • Arena Independência (Belo Horizonte): o estádio mineiro não conta com arquibancada atrás de um dos gols. O setor “aberto” abriga os vestiários e as estruturas de apoio. Sem essa quarta ala de assentos, a capacidade máxima oficial ficou limitada a 23.018 lugares.

Ainda que seja menor e tenha essa abertura em uma das cabeceiras, o Independência herdou do Bessa a inclinação de até 45º no anel superior de arquibancadas, o que mantém a famosa sensação de “caldeirão” e proximidade que sufoca os adversários.

Visão geral do Estádio do Bessa, do Boavista - (foto: Divulgação)
Visão geral do Estádio do Bessa, do Boavista(foto: Divulgação)

A ruína do Boavista: da glória ao despejo

Enquanto o Independência se consolidou como um ativo viável, já que também recebe jogos de Atlético e Cruzeiro, o Boavista viveu uma das quedas mais melancólicas do futebol europeu, tendo o próprio Estádio do Bessa como pivô de sua ruína.

Após anos de agonia, a tradicional agremiação da cidade do Porto, campeã portuguesa na temporada de 2000/2001, caminha para encerrar definitivamente suas atividades. O clube acumula uma dívida de 150 milhões de euros (cerca de R$ 877 milhões).

O estopim para o colapso definitivo foi o não pagamento de uma parcela de despesas correntes de apenas 55 mil euros (R$ 321 mil) à administradora judicial do processo de insolvência.

Sem as garantias financeiras exigidas pela Justiça, a administradora judicial determinou nessa terça-feira (15/7) a desocupação total e a entrega das chaves do Estádio do Bessa, bem como de suas instalações adjacentes até o dia 31 de julho de 2026.

O valioso estádio chegou a ir a leilão em junho de 2026, com valor mínimo de 27 milhões de euros, mas não atraiu propostas individuais de compra, sepultando qualquer plano de salvação do “Panteras” do Porto.

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A notícia Estádio de clube europeu que foi à falência inspirou reforma do Independência foi publicada primeiro no No Ataque por Rafael Arruda

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