França e Paraguai voltarão a se enfrentar em uma Copa do Mundo neste sábado (4/7), pelas oitavas de final da edição de 2026. O duelo marca o reencontro das seleções 28 anos depois de um dos confrontos mais dramáticos da história do Mundial, decidido apenas na prorrogação por um gol de ouro que mudou os rumos daquela Copa e, para muitos, também o destino da Seleção Brasileira.
Em 28 de junho de 1998, no Estádio Félix-Bollaert, em Lens, os anfitriões venceram por 1 a 0 graças ao histórico gol do zagueiro Laurent Blanc, aos oito minutos do segundo tempo da partida.
A partida ficou eternizada por reunir personagens marcantes do futebol mundial, como o técnico brasileiro Paulo César Carpegiani, o goleiro-artilheiro José Luis Chilavert, o zagueiro Carlos Gamarra e o próprio Blanc, além de registrar o único gol de ouro da história das Copas do Mundo.
A classificação permitiu que a França seguisse viva na competição até conquistar o título mundial justamente diante do Brasil, na final disputada no Stade de France. Por isso, o confronto é frequentemente lembrado como aquele que “poderia ter mudado” toda a história da Copa de 1998, haja vista que se o Paraguai tivesse se classificado, o sonoro 3 a 0 francês para cima dos brasileiros não teria existido
Paraguai de Carpegiani quase derrubou a futura campeã
O Paraguai chegou às oitavas comandado por Paulo César Carpegiani e sustentado por uma defesa considerada uma das melhores do mundo naquele período.
A linha formada por José Luis Chilavert, Francisco Arce (ex-Palmeiras e Grêmio), Carlos Gamarra, Celso Ayala e Sarabia havia sofrido apenas um gol durante toda a fase de grupos e voltou a dar trabalho diante dos franceses.
Do outro lado estava uma seleção recheada de estrelas, mas desfalcada justamente de seu principal jogador. Zinédine Zidane, um dos maiores jogadores franceses da história, cumpria suspensão após ter sido expulso ainda na primeira fase, contra a Arábia Saudita, por pisar em Fouad Amin, e assistiu ao confronto fora de campo.
Mesmo atuando em casa, a França encontrou enorme dificuldade para criar oportunidades. Durante praticamente 120 minutos, o Paraguai anulou o ataque francês e esteve muito perto de levar a decisão para os pênaltis.
Anos depois, Laurent Blanc reconheceu que nenhum adversário ofereceu tanta resistência quanto os sul-americanos.
“O adversário (Paraguai) nos deu mais problemas naquela partida do que em qualquer outra em 98. Provavelmente foi o único jogo da competição que não controlamos. O alívio ao marcar o gol foi depois de termos lutado muito em campo.”
Laurent Blanc, zagueiro da França em 1998
Único gol de ouro da história das Copas
Sem gols no tempo regulamentar, a decisão foi para a prorrogação sob a regra do gol de ouro, em vigor nas Copas de 1998 e 2002. Quem marcasse primeiro encerraria imediatamente a partida.
Aos oito minutos do segundo tempo da prorrogação, após cabeçada de David Trezeguet, Laurent Blanc apareceu dentro da área, dominou a sobra e finalizou para vencer Chilavert. Até hoje, aquele segue sendo o único gol de ouro da história das Copas do Mundo.
O próprio Blanc admite que sua presença no ataque surpreendeu até a ele mesmo. O ex-zagueiro explicou que resolveu assumir o risco diante da dificuldade que a França encontrava para furar a defesa paraguaia.
“Eu não tinha nada que estar lá. Chega um momento em que você tem que tentar assumir a responsabilidade.”
Além da classificação, o defensor acredita que aquele momento mudou o psicológico da equipe francesa para o restante do torneio.
“Foi a alegria mais incrível marcar dessa forma. Criticamos o gol de ouro no passado, mas naquele momento fomos beneficiados por ele. O que senti quando marquei foi simplesmente indescritível.”
Blanc ainda apontou aquela vitória como um divisor de águas dentro da Copa.
“Esse foi o momento em que vimos que poderíamos ir até o fim, que o sucesso estava ao nosso alcance.”
Carpegiani tomou decisão difícil e se arrepende
Se para Blanc o gol representa um dos maiores momentos da carreira, para Paulo César Carpegiani ele virou uma lembrança dolorosa.
Durante a prorrogação, Carlos Gamarra, principal zagueiro paraguaio, atuava com a clavícula deslocada. O defensor chegou a pedir para deixar o campo. Carpegiani tinha o experiente zagueiro Celso Rivarola no banco de reservas, mas optou por manter Gamarra.
Em entrevista concedida à Globo, em 2017, o treinador ainda trata a decisão como o maior arrependimento daquela campanha.
“Eu tinha o Rivarola no banco. Era fazer a simples troca. E eu disse para ele: ‘Gamarra, é minha a responsabilidade. Eu preciso fazer uma outra coisa, senão nós não vamos aguentar isso’. Fiz uma outra modificação e acabei deixando o Gamarra. É um erro que eu carrego até hoje.”
Poucos minutos depois, justamente pelo lado do defensor lesionado surgiu a jogada que terminou no gol de Laurent Blanc.
“A jogada do gol foi em cima dele.”
Carpegiani também revelou que ficou incomodado com a postura da equipe nos minutos finais, quando o Paraguai passou a suportar a pressão francesa esperando apenas a disputa por pênaltis.
“Quando tomaram o gol e eu vi eles se jogando no chão, se lamentando, aquilo me irritou muito. Porque um time que joga apenas pelo empate normalmente acaba descendo. Você perde.”
Uma geração histórica do Paraguai
Apesar da eliminação, aquela seleção paraguaia entrou para a história como uma das melhores já formadas pelo país. Carpegiani acredita que aquela geração reunia características que marcaram o futebol paraguaio durante décadas.
“É um país pequeno. Teve uma safra muito boa e produz muitos zagueiros. Zagueiro paraguaio é sempre aquela garra, disposição. Não tem temor de nada.”
O treinador brasileiro também destacou a personalidade da equipe diante de qualquer adversário.
“O Paraguai enfrenta qualquer tipo de situação, dentro ou fora de casa, com a mesma igualdade. Sempre gostei muito da qualidade e do potencial do jogador paraguaio.”
Jogo mudou o destino da Copa de 1998
A vitória sobre o Paraguai manteve viva a caminhada francesa. Nas quartas de final, os Bleus eliminaram a Itália nos pênaltis. Depois venceram a Croácia por 2 a 1, antes de derrotarem o Brasil por 3 a 0 na grande decisão, conquistando o primeiro título mundial da história do país.
A Seleção Brasileira, comandada por Zagallo, havia chegado à final após eliminar Chile, Dinamarca e Holanda, mas acabou encontrando justamente a França pela frente.
Por isso, o reencontro entre franceses e paraguaios em 2026 remete a uma uma partida histórica, decidida pelo único gol de ouro da história das Copas, e da própria história do futebol brasileiro.
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A notícia França e Paraguai se reencontram após 28 anos em jogo que ‘poderia mudar’ destino do Brasil na Copa foi publicada primeiro no No Ataque por Vitor de Araújo
