Lenda japonesa se aposentou aos 29 anos após perder para o Brasil na Copa do Mundo - (crédito: No Ataque Internacional)
crédito: No Ataque Internacional
Lenda japonesa se aposentou aos 29 anos após perder para o Brasil na Copa do Mundo (Ronaldinho e Nakata em disputa)
Brasil e Japão voltarão a medir forças em uma Copa do Mundo quase duas décadas depois do último encontro entre as seleções. Na próxima segunda-feira (29/6), as equipes se enfrentam pelos 16 avos de final do Mundial de 2026, em Houston, nos Estados Unidos.
A última vez que os dois países estiveram frente a frente em uma Copa foi em 22 de junho de 2006, na Alemanha. O Brasil venceu por 4 a 1, garantiu a liderança do Grupo F e seguiu rumo às oitavas de final. Para os japoneses, porém, aquela partida representou muito mais do que a eliminação: foi o último jogo da carreira de Hidetoshi Nakata, considerado até hoje o maior jogador da história do futebol do país.
Aos 29 anos, ainda atuando em alto nível no futebol europeu, o camisa 7 surpreendeu o mundo ao anunciar que estava encerrando a carreira.
Nakata na Roma, em 2000Foto: Paolo Cocco/REUTERS
Nakata em ação pela FiorentinaFoto: Luigi Vasini/AFP
Nakata em ação pelo Parma, em 2003Foto: PAOLO COCCO/AFP
Nakata em ação pelo BolognaFoto: AFP
Motivo da aposentadoria
Durante anos, Nakata evitou explicar por que decidiu parar tão cedo. Somente em 2014, oito anos depois de deixar os gramados, falou abertamente sobre o assunto em entrevista à TMW Magazine.
Segundo ele, a paixão pelo futebol havia sido substituída pela frustração com os rumos do esporte profissional.
“Dia após dia, eu percebia que o futebol tinha se tornado apenas um grande negócio. Eu podia sentir que o time estava jogando apenas por dinheiro, não pelo gosto de se divertir. Eu sempre senti que a equipe era como uma grande família, mas já não era mais assim. Eu estava triste. Por isso que parei com apenas 29 anos.”
Hidetoshi Nakata, lenda do futebol japonês
Mesmo anos depois, admitiu que a decisão continuava sendo difícil.
“Se eu pensei em voltar atrás? A todo o tempo. E ainda penso nisso. Mas, quando parei, era uma decisão definitiva.”
Vida longe dos gramados
Ícone de estilo, participou de eventos internacionais de moda, estrelou campanhas de grandes marcas e consolidou uma imagem sofisticada e culta.
Nakata em um dos desfiles da Giorgio Armani, em setembro de 2009(foto: Stefano Rellandini/REUTERs)
Ao contrário da maioria dos ex-jogadores, Nakata optou por não seguir carreira no futebol. Depois da aposentadoria, percorreu dezenas de países sozinho, visitando comunidades afastadas, regiões pobres e campos de refugiados.
Em entrevista ao jornal L’Équipe, explicou a motivação para essa mudança de vida.
“Quando eu era jogador, viajei muito, mas só vi hotéis, estádios e aeroportos. Queria ir sozinho para descobrir os países e as pessoas que me fascinam.”
Nakata, ex-meia japonês
Também deixou uma reflexão sobre a experiência.
“Quero ver o mundo com meus olhos, não pela TV ou pelos jornais. Se viajassem mais, existiriam menos idiotas preconceituosos.”
Nos anos seguintes, tornou-se empresário, passou a promover a cultura do saquê pelo mundo, lançou iniciativas voltadas à divulgação da bebida tradicional japonesa, participou de campanhas internacionais de moda e assumiu projetos ligados à inclusão social.
A modelo britânica Kate Moss e Hidetoshi Nakata no desfile da Louis Vuitton(foto: Francois Guillot/AFP)
Vinte anos depois, um novo capítulo
O confronto entre Brasil e Japão nesta Copa do Mundo de 2026 inevitavelmente remete àquela tarde em Dortmund.
Se em 2006 o jogo marcou o recorde de Ronaldo e a despedida de Hidetoshi Nakata dos gramados, agora as seleções voltam a se encontrar em um cenário completamente diferente, valendo vaga nas oitavas de final do Mundial.
Muito mudou desde então. O Japão consolidou sua presença entre as principais seleções da Ásia e hoje conta com nomes como Kaoru Mitoma (Brighton-ING), Daichi Kamada (Crystal Palace-ING), Ayase Ueda (Feyenoord-HOL), Daizen Maeda (Celtic-ESC) e Takefusa Kubo (Real Sociedad-ESP) brilhando no futebol europeu.
Ainda assim, a trajetória desses jogadores tem uma origem comum. Foi Nakata quem abriu as portas para que o futebol japonês passasse a ser respeitado internacionalmente, um legado que permanece vivo quase vinte anos após sua última partida, justamente contra o Brasil.