Sueco que jogou profissionalmente na seleção de futsal disputará a Copa do Mundo (Taha Ali com as camisas das seleções suecas de futsal (esquerda) e futebol (direita))

A convocação da Suécia para a Copa do Mundo de 2026 trouxe nomes de atletas badalados, como os atacantes Alexander Isak (Liverpool-ING) e Viktor Gyökeres (Arsenal-ING), mas um, não tão famoso, chamou atenção especial por um motivo peculiar: o ponta-esquerda Taha Ali, que há seis anos defendia profissionalmente a seleção de futsal.

Em um intervalo curto, o jogador saiu das quadras, passou pelas divisões inferiores do futebol sueco, virou campeão nacional e chegou ao Mundial.

Filho de refugiados e criado em bairro pobre da Suécia

Taha Ali é filho de refugiados da Somália e cresceu em Tensta, região periférica de Estocolmo, marcada por dificuldades sociais e alto índice de imigração. Foi ali, no futebol de rua, que construiu praticamente toda a base e estilo de jogo que carrega até hoje.

O atacante começou nas categorias de base do Spanga-SUE ainda criança. Aos 15 anos, transferiu-se para o Sundbybergs-SUE e passou a disputar divisões inferiores do futebol sueco.

Sem espaço no alto nível e longe dos holofotes, Ali precisou trabalhar fora do futebol para se sustentar. Em 2018, atuava como segurança em um shopping enquanto tentava manter a carreira viva no esporte, foi quando surgiu o futsal na vida do jovem.

Profissional no futsal

Durante a pausa de inverno do futebol sueco, Taha Ali decidiu jogar futsal para se manter ativo fisicamente e acabou passando a ter a modalidade como a prioridade na carreira.

Ele estreou na Primeira Divisão sueca pelo Nacka Juniors-SUE e logo chamou atenção pela habilidade em espaços curtos, improviso e velocidade.

Depois, transferiu-se para o Hammarby-SUE e alcançou a seleção sueca de futsal. Entre 2018 e 2019, disputou seis partidas pela equipe nacional.

Decisão arriscada mudou o destino

Mesmo já atuando profissionalmente no futsal, Taha Ali nunca abandonou completamente o sonho do futebol. Em 2020, decidiu focar exclusivamente nos gramados e abandonar a modalidade em que já fazia sucesso, numa escolha arriscada.

O atacante já tinha 21 anos, poderia estar “velho” para um reinício, mas a ascensão foi surpreendentemente rápida.

Primeiro, destacou-se pelo Stocksund-SUE e depois brilhou no Sollentuna-SUE, ambos da terceira divisão sueca, onde finalmente começou a despertar interesse de clubes maiores.

Da terceira divisão à elite sueca em pouco tempo

A evolução levou Taha Ali ao Orebro-SUE, clube da elite sueca, em fevereiro de 2021. Curiosamente, a estreia no Campeonato Sueco aconteceu justamente diante do Malmo-SUE, equipe que anos depois mudaria sua carreira.

O começo foi difícil e, sem muitos minutos, acabou emprestado ao Västerås-SUE, da Segunda Divisão. Em apenas 15 partidas, marcou dois gols e distribuiu oito assistências, sendo decisivo para evitar o rebaixamento da equipe.

Ao fim da temporada, tornou-se o primeiro jogador de futebol a receber o prêmio de atleta do ano do Västerås, clube historicamente ligado ao hóquei no gelo e ao bandy, esporte tradicional nos países nórdicos.

Malmo pagou quase o dobro para contratá-lo

O Helsingborg-SUE foi o primeiro a apostar alto no atacante. O clube pagou cerca de 335 mil euros e ofereceu contrato de quatro temporadas. Bastou apenas um ano para que o Malmo-SUE investisse aproximadamente 700 mil euros em sua contratação.

A partir dali, Taha Ali finalmente se consolidou no futebol sueco.

Com o Malmö, conquistou dois Campeonatos Suecos e uma Copa da Suécia. Na temporada 2026, transformou-se definitivamente em um dos principais jogadores do país, ao acumular gols, assistências e destaque na Liga Europa.

Taha Ali em ação pelo Malmo - (foto: Andreas Hillergren/AFP)
Taha Ali em ação pelo Malmo(foto: Andreas Hillergren/AFP)

Influência do futsal segue visível no futebol

Ao todo, o jogador soma 20 gols e 19 assistências em 132 jogos pelo Malmo-SUE, mantendo o estilo do futsal, com “pisadinhas”, “penteadas” na bola e dribles curtos.

Boa parte das características de Taha Ali nasceu justamente no futsal. Os dribles curtos, a rapidez para mudar de direção, o controle refinado da bola e a facilidade em jogar pressionado são frequentemente apontados como herança direta do período nas quadras.

Copa do Mundo fecha trajetória ‘utópica’

A convocação para a Copa do Mundo de 2026 representa o ápice de uma história que deu certo de forma improvável.

Taha Ali saiu de um bairro pobre, trabalhou como segurança de shopping, defendeu a seleção sueca de futsal, começou no futebol profissional de campo na terceira divisão e, seis anos depois, estará em um Mundial.

Mesmo com a ascensão meteórica, ele mantém forte ligação com Tensta. Sempre que possível, participa de torneios locais e tenta incentivar jovens da periferia sueca a seguirem no esporte.

Na região nunca tivemos um jogador de futebol profissional antes, então foi difícil me identificar com alguém. É muito fácil acabar no caminho errado ainda jovem, afirmou recentemente.

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A notícia Sueco que jogou profissionalmente na seleção de futsal disputará a Copa do Mundo foi publicada primeiro no No Ataque por Vitor de Araújo

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