O papa recebe a presidência da CNBB no Vaticano
Em apenas 12 meses de pontificado, Leão XIV transformou o Brasil numa das prioridades mais visíveis do Vaticano. O novo papa nomeou 26 bispos para dioceses brasileiras, recebeu a presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em audiência oficial, enviou mensagens diretas ao episcopado nacional e passou a ser apontado como o pontífice com maior proximidade histórica com a Igreja brasileira nas últimas décadas.
O movimento não aconteceu por acaso.
Antes mesmo da eleição no conclave de 2025, Robert Francis Prevost já acumulava anos de relação com o país. Entre 2002 e 2013, quando era superior-geral da Ordem dos Agostinianos, visitou cidades como Belo Horizonte, Campinas, Curitiba, Rio de Janeiro, Guarulhos, São José do Rio Preto e Aparecida. Participou de encontros religiosos, acompanhou seminaristas e circulou por comunidades ligadas à ordem.
O então missionário americano também aprendeu português durante o período de convivência com religiosos brasileiros. Logo após a eleição, Frei Maurício Manosso Rocha, prior provincial dos agostinianos no Brasil, definiu o novo pontífice como um homem “norte-americano, mas com coração latino”.
Ao longo do primeiro ano, a relação ganhou dimensão institucional.
Leão XIV nomeou 26 bispos brasileiros em apenas 12 meses, um dos maiores volumes de nomeações episcopais do período para qualquer país do mundo. Foram nove para o Sudeste, nove para o Nordeste, quatro para o Sul e dois tanto para o Norte quanto para o Centro-Oeste.
Dentro da CNBB, a leitura predominante é de que o Vaticano decidiu acelerar a reorganização da Igreja brasileira diante da perda gradual de fiéis e do avanço evangélico em diferentes regiões do país.
O Brasil continua sendo hoje o maior país católico do planeta, com cerca de 182 milhões de fiéis – aproximadamente 13% da população católica mundial.
Em janeiro de 2026, o papa recebeu a presidência da CNBB no Vaticano numa audiência considerada especialmente longa e detalhada. Na reunião, ouviu o convite oficial para participar do Congresso Eucarístico Nacional de 2027, em Goiânia, e demonstrou preocupação com o acompanhamento de bispos eméritos e com o aumento da polarização política na América Latina.
Meses depois, enviou mensagem à Assembleia Geral dos Bispos do Brasil defendendo diálogo institucional e preservação dos canais democráticos.
A aproximação ganhou também dimensão diplomática.
Em abril de 2026, depois de Donald Trump atacar publicamente Leão XIV, a CNBB publicou uma das manifestações de apoio mais rápidas do episcopado mundial. A nota afirmava que “a autoridade espiritual e moral do papa não se orienta pela lógica do confronto político”.
No Vaticano, o gesto foi interpretado como demonstração clara de alinhamento entre a Igreja brasileira e o novo pontífice.
Agora, ao completar um ano de governo, uma pergunta domina bastidores em Roma e no Brasil: quando acontecerá a primeira visita papal?
O Vaticano evita confirmações oficiais, mas plataformas internacionais de monitoramento de viagens apostólicas já colocam o Brasil entre os destinos mais prováveis do segundo ano de pontificado.
A Prefeitura de Aparecida encaminhou convite formal, e a expectativa dentro da Igreja brasileira deixou de ser apenas possibilidade distante.
A dúvida, hoje, parece menos ligada à viagem em si e mais ao momento em que Leão XIV finalmente desembarcará no maior rebanho católico do planeta.